O povo fez o que devia.

E os partidos?

Voltando uns dias atrás, poderemos ver o que levou o PC e o BE a darem a mão à pior direita que o nosso país teve em Democracia, para derrubar o Governo de Sócrates. Não dou, hoje, como certa a decisão, mas tenho uma certeza – não foi pelo país o que o fizeram. Foi apenas uma questão de contabilidade eleitoral.

E estes últimos dias confirmam a minha teoria – a nossa classe partidária vive dos e para os partidos, colocando, SEMPRE, esta dimensão à frente de tudo o resto.

Com Sócrates primeiro e com Gaspar depois, o povo fez tudo o que lhe foi imposto – despedimentos, cortes nos salários e nos direitos, etc…

Fizeram todas as promessas, sempre associadas a prognósticos de grande validade científica, mas com um resultado sempre igual: falhanço completo. Não acertaram uma e nesse aspecto Gaspar foi particularmente assertivo.

Os governos e os partidos do poder apontaram um caminho, à  partida errado, mas, em eleições, 80% do país escolheu este caminho. Não se tratava de saber se o governo era ou não competente – e não é, como agora se prova.

O problema era a direcção do governo e não só a competência (inexistente) dos seus elementos.

O povo não falhou e fez o que tinha de ser feito. Concorde-se ou não – eu sempre estive do lado do não porque sempre pensei que este caminho estava errado – a verdade é que o povo cumpriu. Até cumpriu pelo silêncio – houve as manifestações contra a Troika, mas não houve um verdadeiro levantamento popular porque até parece que a maioria do país continua a ver este caminho como o único.

Aliás, no pico da luta dos Professores contra a TROIKA, o povo continuava a fazer uso da lusitana inveja para criticar a única classe profissional que ousou levantar-se contra a ditadura alemã. O povo continuou, sempre, a fazer o que tinha para fazer.

Os governantes também continuaram a fazer o que era esperado – dar prioridade aos partidos, que na via única da política, chegam sempre pela direita.

Paulo Portas anda há uns tempos a tentar ensaiar um forma simpática de se pôr ao fresco, procurando manter vivo o único partido português de um Homem só: o CDS-PP. Aliás, este grupo de putos bem, vale muito menos do ponto de vista popular, do que aparenta a sua presença na opinião publicada e isso resulta da capacidade Portista (gosto especialmente desta coincidência vocabular) de estar quase sempre no sítio certo. Não pelo país, mas pelo partido.

Pedro Passos Coelho, um Jotinha mal preparado, deu ontem mais uma prova da sua lealdade ao aparelho – podia ter tomado a decisão natural e certa: demitir-se e ir para eleições. Mas, resolveu fugir ao óbvio e avançar pelo caminho errado. Pensou primeiro no partido e numa forma de entalar o CDS. Parece que conseguiu.

E nós? E nós que vivemos do nosso trabalho? Em que ponto ficamos?

Comments

  1. Maquiavel says:

    O PC e o BE fizeram o que tinham a fazer, contra um pseudo-ditador que nunca quis fazer acordos à Esquerda. Portanto nem o pseudo-ditador nem as viúvas se queixem, deviam era ter vergonha na cara.

    O PC e o BE obrigaram a tugalhada a eleger um jotinha mal preparado?
    Ou é a tugalhada que é täo imbecil que preferiu fazer isso a pensar antes de votar? Vejam lá se os italianos votaram no Bersani ou Berlusca aqui atrasado? Näo, votaram em massa foi no Grillo.
    Em democracia o povo é soberano, quer queiramos quer näo. É soberano e responsável pelo que faz e por quem elege.


  2. Maquiavel, obrigado pelo teu comentário. Eu entendo, formalmente a tua questão. Mesmo eu, à época aplaudi a saída de Sócrates. Faço a análise é depois (sempre mais fácil). Sim, tens razão quando dizes que o povo é que votou A e poderia ter votado B. Agora, os factos são: o PC e o BE derrubaram o PS e colocaram lá este PSD. Poderia ter sido de outro modo? Não. Foi o melhor para o país? Não…
    Confuso?
    Sim…
    JP

    • nightwishpt says:

      Porque não? Ia dar ao mesmo, intervenção externa com políticas destruidoras do estado sobre nome de Troika ou sobre nome do BCE, e não é o FMI que tem ideias mais idiotas.

      • nightwishpt says:

        Ou não seria oportunismo político dizer que está sempre tudo bem como a UGT?

        • nightwishpt says:

          Ou não é oportunismo político ter 3 partidos do poder que não têm uma única ideia para o país e para a Europa e limitam-se sempre a comprir o que Bruxelas diz?


    • Ai homem é assim tão difícil perceber que não foi o PCP e o BE que foram votar, fizeram foi aquilo que tinham que fazer, ponto final. Coerência acima de tudo. Algo que falta a quem tem votado nos últimos anos.


  3. Caríssimo esperava que tivesses mais atenção. O PCP e o BE foram apenas coerentes com as suas decisões contra o PEC e contra as políticas do governo de José Socrates.

  4. João Paz says:

    Até o João Paulo é capaz de redigir uma tolice destas. Todos temos momentos maus. Fico a aguardar o regresso das suas, habitualmente boas, publicações.


  5. o pcp e o be apenas abriram as pernas aos direitolas e sabiam perfeitamente o que estavam a fazer, sabiam perfeitamente que o psd iria ganhar as eleições. dois partidos de esquerda que ajudaram os ultra liberais fascistas a chegarem ao pote. cagaram nos interesses do pais apenas por aproveitamento eleitoral

  6. Luís says:

    Caro João Paulo, o povo aqui não manda nada!
    Nesta democracia formal em que vivemos, só conta a opinião dos banqueiros e dos CEOs das empresas do regime, da Galp, da EDP, da PT, da Mota Engil, Brisa, e mais algumas que no fim vão desaguar novamente na banca!
    As provas deste facto são mais do que evidentes – atente nesta frase de um secretário de estado qualquer ligado às finanças quando diz que os 700 milhões que vão para o Banif vão ser “acomodados” pelo “brutal” IRS que nós penosamente pagamos.
    Recorde a demissão do Secretário de Estado da Energia ordenada pelo Mexia da EDP!
    Recorde como se fala tanto de não haver dinheiro para salários e pensões e nunca se falar que não há dinheiro para as rendas das PPPs!
    Recorde a nacionalização dos prejuízos do BPN e o “perdão” da SLN, do BPP, do “negócio” dos 12.000 milhões de euros em pousio com juros pagos por si, por mim e por nós, dos swaps, …
    O João Paulo já se deu ao trabalho de fazer as contas a estes roubos? Assim muito por alto, não estará longe de metade da “ajuda” que nos foi concedida.
    O João Paulo também já fez as contas aos milhares de milhões de euros que estes terroristas arrecadaram no tempo em que os lucros dos bancos eram só para eles?
    E agora não têm dinheiro para financiar os buracos que criaram?
    A verdade é que estes terroristas conseguem sempre o que querem, enviando paus mandados para o governo como os antigos proprietários rurais enviavam feitores para administrar as quintas.
    E a quinta deles é Portugal!
    Esta crise não é desencadeada pelo povo, com as manifs, com as greves e os sindicatos, com a opinião crítica dos patrões que estão fora das empresas do regime, com o desprezo da população!
    Estes não mandam nada, nós não mandamos nada!!!
    Esta crise é desencadeada pelo falhanço dos energúmenos que nos governam!
    E os seus patrões não estão satisfeitos com o seu desempenho pois o inevitável 2º resgate pode trazer-lhes surpresas desagradáveis.
    Precisam de um pau mandado menos estúpido, com um “mamar mais doce”, para ganhar as eleições entre o “gato branco e o gato negro” e continuarem a obrigar os portugueses a alimentarem com o desemprego, com a emigração e com os seus impostos as suas contas chorudas nos off-shores!
    A esta hora estarão em contactos com o “gato branco” para lhe indicar os objectivos que irá ter de cumprir quando for eleito por nós!
    E se este, por qualquer absurdo, não aceitar, faz-se um congresso partidário para nomear outro que aceite as propostas feitas pelos “homens da mala”, conforme refere o Paulo Morais.
    Nós não podemos fazer nada por estarmos amarrados a instituições chamadas de democráticas que nada fazem pelo bem comum, mas podemos, ao menos, não deixarmos que nos façam passar por estúpidos!

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