Governar à esquerda

virar esquerda

Mais preocupante do que a actual “crise política” (eufemismo para desagregação da coligação) é a ausência de uma verdadeira alternativa governativa, com um PS mais interessado em coligar-se com o CDS do que com os partidos doutrinariamente mais próximos – sendo certo que também esses não foram até agora capazes de um diálogo que possa tornar possível uma futura solução governativa à esquerda, necessariamente assente no compromisso.

Quase sempre dispostos a uma radicalização de posições, e por essa razão ditos radicais (para grande perplexidade dos mais libertários), os partidos da esquerda carregam as divergências históricas locais que nenhuma renovação parece ser capaz de sanar. E no entanto a maioria dos votantes portugueses olharia com agrado a construção de uma união à esquerda, capaz de defender as eternas razões da esquerda, mas posicionando-se com inteligência prospectiva relativamente ao lugar do País na Europa, e num Mundo movido pela geo-estratégia dos mercados.

Se os seus deputados os representam nos plenários da Europa, se embora mantendo as compreensíveis reservas quanto ao caminho político da UE, já nem o PC nem o BE recusam o pagamento da dívida, isto  é, se o discurso anti-europeísta foi já ultrapassado pela realidade, por que esperam os homens e mulheres da esquerda, e também os do PS (ainda são de esquerda, não são?) para negociarem entre si um compromisso de governação?

Ou acham que a devastação do País ainda não chega e que o povo português pode perfeitamente esperar pela próxima sublevação épica dos injustiçados da História, enquanto esses seus representantes prosseguem alegremente a sua especialização na nobre arte de ser oposição?

Comments

  1. Bufarinheiro says:

    Julgas que votava num PS liderado por um Tozé que continua a incensar o Memorando?
    E que para isso adoraria estar no lugar do Coelho a fazer exactamente o mesmo?

  2. Sarah Adamopoulos says:

    E no António Costa, votavas?


  3. faz falta é um partido de direita para meter a gandulagem no sitio, e deixar produzir e criar riqueza quem quer.


  4. já temos muitos partidos á esquerda, mas sinceramente, tudo o que menos precisamos é de partidos, precisamos é de mais transparência, e quer seja esquerda como direita, precisamos sim que os politicos metam o interesse nacional do pais acima dos interesses pessoais.


  5. Amiga Sarah permita-me que assim a trate , mas será que a nossa esquerda não será igual à direita ?
    Aonde quero chegar é que não há credibilidade nos nossos políticos à esquerda e à direita .
    Será que já se esqueceu do patife que foi o Sócrates , outro igual ao Portas ?
    O Costa é outro manhoso , mas um grande manhoso .
    O problema de Portugal e do mundo é que não existem políticos
    à altura e enquanto se mantiver assim , o mundo andará sempre à roda sem destino .
    Hoje, os políticos de esquerda e de direita só pensam no poder , na corrupção , para se encherem . O mundo e os povos para
    eles não interessa nada .
    O mundo tem que rodar segundo a batuta deles , porque se não for assim , segundo eles , já não é mundo .

  6. adelinoferreira says:

    Sarah, se o PS fosse efectivamente um partido
    de esquerda a sua opinião estaria certa! O que
    impede essa convergência é que o PS tem
    muitos Basilios,Pinas,Coelhos,etc etc.,que se
    dizem de esquerda e nem ao centro estão. A
    Sarah sabe o que aconteceu aos PC espanhol
    françês e italiano? só para citar os mais próximos, eu sei que sabe!

  7. palavrossavrvs says:

    O post é bom, mas o que a Sarah invoca e aquilo para que aponta é completamente quimérico. Para isso, era preciso que o Bloco e o PCP fossem ver e aprender como se comportam as Esquerdas na Holanda e noutros países infinitamente mais prósperos, onde não podem conspirar contra o trabalho e a riqueza ao mesmo tempo que lutam por direitos, mas na sinergia dos dois pólos. Não há direitos sem trabalho, sem riqueza.

    Em Portugal, começaram por garantir-se direitos antes de assegurar a sobrevivência de todas as galinhas dos ovos de ouro da economia. Se lhe dermos voto, a Corrupção de Estado voltará a matar a galinha das galinhas: a nossa gente, as pessoas, a sua generosidade, a sua capacidade, a sua entrega, a nossa força desenrascante e criativa.

    No ADN da Democracia-mas-pouco portuguesa, está inscrita de modo indelével a memória da devastação iconoclasta do pós-25-de-Abril pela mão colectivizadora do PCP. Foi quase tudo abaixo. Ainda estão nessa.

    PS, PCP, BE são rivais inconciliáveis. Não há rua. Não há Esquerdas. A única utopia é a integridade dos agentes políticos, o voto personalizado, o escrutínio indeclinável de cada um deles.

    Abraço. Amizade na Diferença, sempre.

    • Ricardo Ferreira Pinto says:

      Preferes a política corrupta do PSD, PS e CDS. Eu sei, Joaquim, nestes quase 40 anos de democracia, a culpa da situação actual tinha de ser mesmo dos comunistas, que como sabes estiveram quase sempre no Governo durante esse período. Em Portugal e na Europa. Tens piada.

  8. murphy says:

    “E no entanto a maioria dos votantes portugueses olharia com agrado a construção de uma união à esquerda, capaz de defender as eternas razões da esquerda,”

    Este parágrafo é assustador. Trocasse-se “esquerda” por “direita” e era ver uma torrente de indignados a gritar “fasssismo nunca mais!”…


  9. Mas que raio de conversa sem interesse nenhum – como os políticos todos – E lamentavelmente Louçã xatiou-se – mas não chegava sozinho – os empregados da política até já são demais e ganham demais e falam demais e até penso que era melhor nem haver esta gente de quem não se precisa e são uns caça-níqueis


  10. Lisboa a Setúbal em alerta vermelho é que me preocupa com mais de 40ºCelsius – está tudo a derreter parece o Arizona – que muitos atravessam pondo a vida em risco à procura do “american dream” – que raio de dream – sic 01:09H – vou antes ver o Tour – é bem mais interessante mesmo doppados


  11. Concordam com o pagamento duma divida impagável? Que giro…

  12. Sarah Adamopoulos says:

    Penso que há corrupção em todos os partidos, do favorzinho de influência à negociata imoralíssima – embora os partidos que têm governado sejam naturalmente mais activos nessa matéria, e apesar de ao nível local a coisa funcionar de modo humanamente padronizado em toda a parte, e sendo aliás muito difícil fazê-los parar (e não me venham com a reforma das freguesias que isso é outra história muito embora o Relvas gostasse de brandir essa bandeira para explicar as atrocidades dessa redistribuição do território). Mas o meu tema não era esse (se querem verdadeiramente resolvê-lo é seguir os passos da Islândia e metê-los na prisão).

    E o que retiro da generalidade dos comentários é que as pessoas preferem ficar orgulhosamente sós com as suas razões divergentes (e por vezes de um anti-comunismo primário e cheio de interesses próprios) do que abalançar-se a esse desafio jamais tentado, para o qual seria necessário o compromisso. E os dirigentes políticos são o espelho disto que digo, infelizmente.

  13. João de Frias says:

    Parabéns Sarah! Como ex-eleitor de esquerda que votou Pedro Passos Coelho porque lhe conheço a coragem e a persistência e, porque tinha o velho PSD contra… ex-eleitor de esquerda que desesperou de esperar por um entendimento da esquerda que nunca chegou,… gostei da sua análise que traduz o meu sentimento que acredito muitos mais haverá a sentir como eu!

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