Esta designação não me pertence, é do advogado Francisco Teixeira da Mota que defendeu Miguel Sousa Tavares do processo que lhe quis mover o Presidente da República quando se viu chamado de “palhaço” pelo escritor. E vem a terreiro muito oportunamente quando campeia no país a mais absoluta falta de respeito dos poderes políticos pelo povo que é obrigado a sustentá-los.
Sempre que esta falta de respeito se verifica, logo aparece a cultura do respeitinho que, mais do que se pensa, alastra como uma nódoa por todos os que julgam mandar e que é uma herança da ditadura de 48 anos liderada por Salazar e Marcelo Caetano. É uma cultura cobarde, sonsa, como pontapé atirado às canelas de quem refila à laia de aviso para não se meter noutra. Qualquer fulano da situação a pratica, sempre que é confrontado pelos que pensam pela sua cabeça e não nasceram com vocação para carneiros. Ainda há dias o ministro Maduro, pequenote, com a sua barbicha à passa-piolho e a vozinha de adolescente a mudar de idade, se empertigou todo para dizer que não se podia aceitar que as pessoas contestassem tudo. Este Maduro deseja governar sem que o eleitor, que com a sua contribuição paga o seu ordenado, o seu carro de estado, as mordomias de que goza, possa contestar as medidas indecentes que este governo faz pesar sobre quem tem menos para encher os bolsos a quem tem mais. Este Maduro é da escola do comer e calar. Com aquele ar espardalado, é bem capaz de nem saber que houve, em 25 de Abril de 1974, a queda dessa escola.
Escola usada e abusada por tutti quanti do regime anterior. Lembro-me como se fosse hoje de estar com colegas em frente de um quiosque de jornais a ler as gordas, que naquele dia noticiavam os tumultos durante as cerimónias da independência do Congo-Kinshasa, e termos pensado em voz alta “qualquer dia é em Angola”, o que nos valeu um GNR rubro de raiva, a avançar sobre nós, berrando “nós não deixamos, toca a andar e caladinhos”. Dali a dois anos, começava a guerra de Angola, seguindo-se as outras, com o brilhante resultado que se viu.
Chegava-se ao ridículo absoluto. Andava eu na Universidade de Lisboa quando uma moça da Faculdade de Letras me telefonou, aflita, a pedir que fosse buscá-la, com dinheiro para a multa, à esquadra do Campo Grande, onde estava detida. Que crime tinha ela cometido? Apenas isto: o governo tinha imposto passadeiras nos cruzamentos e uma multa de dois escudos e meio a quem não atravessasse na passadeira, e ela, no Campo Grande, distraída, assim o fez. Abeirou-se um polícia que, à bruta, a mandou parar e exigiu o dinheiro em troca de um bilhete. Ela puxou do porta-moedas e, delicamente, pediu: “dê-me dois bilhetes, senhor guarda, não vá eu esquecer-me outra vez quando passar para este lado”. Recebeu, aos berros, voz de prisão por estar a faltar ao respeito à autoridade.
Este era o pão nosso de cada dia que gramámos durante 48 anos. Era a mais completa impunidade de quem mandava e seus asseclas, o que incluia juízes do Tribunal Plenário que se permitiam desrespeitar os presos políticos e fechavam os olhos ao que a Pide lhes fazia mesmo dentro da sala de audiências.
Foi contra esta vergonha que lutámos e alcançámos a democracia. Que querem estes senhorecos governamentais e comandita? Escravizar-nos financeiramente e espezinhar-nos nos nossos direitos e na nossa dignidade? Estão muito enganados. Mesmo muito enganados.






A verdade é que os políticos não nos respeitam
e ainda nos exploram , querendo que ficássemos
calados e obedientes como cordeirinhos .
Olha que meninos , que têm sede de ditadura ,
são como a Irmandade Muçulmana .
Só eles e mais ninguém .
Democratas da penica .
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