A especificidade e complexidade das autárquicas ou a cegueira no Bloco de Esquerda

BECDUCDS
Consistentemente a descer nas sondagens desde Janeiro, é preciso ter uma grande lata para vir falar em dificuldades nas autárquicas, 25 anos de atraso, blábláblá.

O caso do BE é muito simples: por mais que as extingam e agrupem continua a ser uma coligação de tendências centralizada em Lisboa.  O que foi novo cresceu mas o que nasce torto nunca se endireita. E agora mingua, mirra, encolhe, numa altura em que todas as circunstâncias políticas lhe permitiam voltar a crescer.

Como já estou a ver as cenas do próximo capítulo, europeias, e é sabido como as derrotas fazem de uma organização um saco de gatos, o pior ainda está para vir. Nem quero ver.

(touradas à parte, festejei o regresso à normalidade em Salvaterra de Magos: em política não se admitem barrigas de aluguer)

Fonte do gráfico: Pedro Magalhães

Comments

  1. fernando says:

    é evidente que um partido pequeno terá sempre dificuldades nas autárquicas. muitos votam efectivamente por cor politica, mas uma grande parte não.
    quem tem “obra feita” tem sempre vantagem. veja-se em aveiro, o candidato do psd ganhou fácilmente, porque toda a gente sabe o trabalho feito em ílhavo, veja-se o que aconteceu no porto.
    por outro lado, as pessoas com influência, conhecidas, não comungam da côr do bloco (partidos pequenos) ou mesmo em algumas cidades do pc.
    acredito que no caso do bloco, a crise instalada passe por uma liderança fraquinha, que não consegue convencer eleitorado. com a perda de Miguel Portas e com a saída de F. Louçã, o bloco estará condenado caso não apareça um lider carismático, acutilante, forte e inteligente no discurso e de facto o Francisco Louçã tinha isso tudo e foi uma perda enorme para o bloco.

  2. B.P. says:

    Eu não creio em bruxas – mas há-as…
    Só para compensar, acredito em coincidências – para dizer que não existem.
    E para lembrar que as fracturas do Bloco, piropo, agenda LGBT, etc. etc. podem não matar, mas moem, com o tempo… até à morte. Vai uma aposta?


  3. O “povo” (apesar de tudo…) não é parvo. O BE não é bastião de classe (como o PCP), não tem projecto efectivo de governação no “mundo real” (o que implicaria lidar com a “sociedade capitalista” com pragmatismo), nem é arauto de alternativas novas e revolucionárias (se é que existem…). Por outro lado, habituou-se ao “sistema”, às bancadas de S. Bento, à retórica de telejornal… Teve graça no passado… E hoje? Serve para alguma coisa? Na lógica do nosso tempo, qual é o “retorno” do voto no BE?
    Mais do que liderança – que também é problema – o que lhe falta é espaço de intervenção ideológica que resolva problemas e vá além dos “tiques progressistas” e folclore urbano.


  4. A cena do sá fernandes em Lisboa matou o BE.

    Todos perceberam que o BE não entraria nunca em acordo nenhum para governar com PS e/ou PCP, nem que a sobrevivência de Portugal dependesse disso.

    Reparem que o António Costa é “aceitável” á esquerda (bem mais que o Seguro), tinha uma câmara rebentada financeiramente pela direita, apoiava uma série de propostas para Lisboa do Sá F., a nível camarário o contexto ideológico dilui-se, e mesmo assim o BE cortou com o zé por ele se juntar ao Costa.

    A partir daí votar no BE só valia a pena até 4 ou 5 deputados, que é o máximo que interessa ter no parlamento a morder calcanhares.
    Ora se os deputados com nível a morder, como o louçã, o portas, mesmo a daniel oliveira saem, os que ficam nem essa tarefa conseguem cumprir bem, logo…


    • … se é apenas para morder calcanhares – e isso também faz parte da democracia -, o PCP tem mais pergaminhos e outra autenticidade. E não “cheira” a hippie-chic nem esquerda caviar… 😉

  5. Alexandre Pessoa says:

    Portanto, para se ser fixe é preciso estar constantemente a crescer nas sondagens e ter muitos votos, tipo os daqueles fulanos que foram gritar Isaltino para junto da prisão… A questão é, há um rumo? Se calhar há… Esse rumo é afetado por birras como as do Daniel Oliveira? Se calhar não… A queda do bloco continua a arregalar o olho ao PCP que sonha em comandar a esquerda? Só posso assumir que sim, para julgarem que a perda da câmara de Salvaterra de Magos têm a mínima importância. Um Paulo Portas pode um dia ser uma coisa e noutro dia o seu contrário se isso lhe garantir votos, o Bloco de Esquerda não é assim, temos pena caro João José Cardoso, se calhar vai ficar só a salivar… =)


    • Perder votos por se manter uma razão é uma coisa, perder a razão ao mesmo tempo que se perdem votos é outra. Quanto ao que é ou não é o Bloco, quando escrevo, e evito fazê-lo mais vezes, sei do que falo, de dentro para fora e de fora para dentro. Uns bons meses antes de ter sido fundado.

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