Banksy, o mestre, mete o dedo no nariz dos galeristas

Banksy não é só um mestre, é também um senhor. Quem viu Exit Through the Gift Shop, um tratado sobre o estado actual da arte e seu comércio em forma de vídeo-documentário, percebe isso. Sendo que a arte sempre foi mercadoria é cada vez mais uma mercadoria que flutua em mercados vigarizados, que vogam ao sabor de uma crítica profissionalmente indigente e dos empreendedores do marketing rápido. Uma mercadoria que é sinal do tempo da vigarice financeira que atravessamos.

Na sua presente estadia em Nova Iorque deu agora um golpe de mestre: durante horas obras suas estiveram à venda, na rua, em Central Park. A 60 dólares quando o valor comercial de cada uma anda pelos 160 000 euros. Parece que ninguém comprou, não era uma galeria, quem ira acreditar na autenticidade das peças?

Gosto muito do P3 e do Público online (onde é por exemplo possível neste momento assistir ao primeiro webdocumentário português). Mas o facto de o Público remeter para o P3 aquele que é o grande acontecimento da arte mundial de 2013, precisamente a residência de Banksy em Nova Iorque, sem uma linha na secção de Cultura do seu online, diz tudo sobre a decadência de um jornal que já foi culto. Acordaram. Haja esperança.

Comments


  1. Grande documentário e grande persona este Banksy!


  2. A certificação é uma das questões fundamentais no reconhecimento das obras de arte. Se obras do museu de Orsay fossem parar a uma feira no Central Park corriam o risco de não serem identificadas ou sobretudo de serem confundidas com cópias. Foi o que aconteceu a este artista que vende stencils que podem ser reproduzidos por qualquer um e que permanece anónimo. Os que ignoraram as pinturas não ignoram necessariamente a obra de Banksy. Apenas não confiam naquele espaço como credível. Por vender sobretudo cópias e obras menores. Não sei bem o que se provou com este jogo de Banksy. Manobra publicitária? Moralismo simplista?
    Não vi o documentário mas com certeza que o mundo da arte, por andar à volta do dinheiro, se corrompeu e mais não é do que um sistema de investimento de risco sem sentido e sobretudo sem sentido crítico. Não há quem se entenda e é muito difícil identificar a verdadeira qualidade. Mas é possível e nada tem a ver com o preço ou com o número de visitas nas exposições nos palácios.


  3. Acordaram? Ou leram o Aventar? 🙂

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