Tinha de ser num Domingo de manhã

foto by lou reed

Morreu. Foda-se.

Podia escrever a minha vida com canções do Lou Reed. Toda? não, mas quase.

Lamentamos a morte dos que nos deixaram a sua obra, choro quem esteve sempre aqui, quando foi preciso. A minha elegia, em forma de legendas:

Real Good Time Together, ou de quando percebi a diferença entre uma queca adolescente e sexo sem ser a brincar. Ok, confesso, verdadeiramente foi com esta que perdi os 3 (vinténs).

Murder Mistery, quando descobres que o teu género literário de eleição já era música.

Jesus, como é trabalhosa a aprendizagem da ironia.

All Tomorrow’s Parties, vim a cantar esta do concerto em Coimbra. Porque uma mui grande parte das presentes, por mero socialitismo local, gente que nos anos 70 sairia de um qualquer espaço onde o drogado tocasse, encaixavam na descrição. Eles por afinidade.

A Walk On The Wild Side, hoje sabe-me a cotas contando estórias de adolescentes. Quando as vivemos dizíamos que nunca chegaríamos a cotas que um dia recordariam as suas estórias de adolescentes.

Sunday Morning, Domingo de manhã? todas as manhãs das minhas manhãs de Domingo que não valeram a cama estão aqui.

Vicious, quando um sonho revolucionário se desmorona outros hinos se levantam.

New York Telephone Conversation, está para a literatura como os contos para os romances. E diz-me tanto, hoje.

Sad Song, também escreveu novelas e romances.

Perfect Day e Wim Wenders é o casamento perfeito. O importante antes de morrermos é termos tido um, dois, três, muitos ou poucos, que sejam perfeitamente  tantos.

After Hours, fechava os meus programas de rádio e todas as noites que acabaram antes da saída do último bar. Aliás a ASAE devia fechar, de imediato, todos os estabelecimentos de diversão nocturna que não desligassem a noite assim.

I don´t know just where I’m going

E Heroin fica em versão podcast, essa modernice onde se tenta refazer rádio. Construído a partir da mais violenta canção de sempre foi a minha última oração com o senhor Lou Reed.

Que esteve comigo nos melhores e piores dias, mais nos piores, que todos os outros escritores de cantigas, houvesse outro senhor e eu merecesse teria um dia talento para uma vez só fazer um verso assim, como estes tantos.

 

[lou reed http://youtu.be/HxclWgmTTzI]

Artigo reescrito, fotografia do Lou Reed, e é fantástico como fácil é encontrar no youtube pequenas obras-primas feitas com amor e carinho.

Comments


  1. foda-se


  2. R.I.P.


  3. morreu-me um amigo que me não conhecia


  4. Fucking wild side of life


  5. 🙁 É mesmo muito triste. Antes de ontem, ontem e hoje de manhã ouvi Velvet. Apeteceu-me muito. E à tarde quando soube da noticia, foste a primeira pessoa em que pensei JJ porque sei que é a tua banda sonora e que vais guardá-la para sempre.


  6. may he rest in peace 🙁

Trackbacks


  1. […] receber-te. A sério, pá. O Lou também partiu num Outubro e a tua despedida começava assim “Morreu. Foda-se.” e acabava como tinha de acabar, com o “After Hours”. Se há uma porra de um paraíso, uma […]

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