Admirável mundo velho

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Jorge Almeida Fernandes disserta hoje no Público sobre o populismo do Podemos, o novo partido que em poucos meses escavacou o bipartidarismo espanhol. Entendem estas almas plácidas e serenas que está tudo bem como está e não poderia estar melhor, criticando todos os movimentos que dão voz precisamente ao que estão fartos de que isto fique sempre na mesma.

O conservadorismo é um ideologia muito meiga, querida e terna. O conservador não quer mudanças porque o conservador está bem como está, embora eventualmente possa ficar melhor se tiver acesso ainda mais simplificado a um paraíso fiscal. O conservador é normalmente de direita, mas numa Internacional dita Socialista qualquer até se diz de esquerda, mas da responsável. Responsável por termos chegado a este ponto, após décadas de terceira via, a tal que acha inevitável ser tão liberal como uma Thatcher, e que para gáudio do mesmo Jorge Almeida Fernandes agora enterra as ruínas da esquerda italiana. Responsável pelo aumento da desigualdade e pela liberdade de os mercados financeiros assaltarem à mão desarmada todos os povos e todos os direitos que conquistaram.

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O que criticam aos fundadores do Podemos (furiosos por lhes terem ido aos votos que como toda a gente sabe são propriedade privada dos partidos arqueiros, num fantástico conceito de democracia em que um centro oscilante e minoritário decide o futuro de um país), e chamam de populismo, é terem um programa que contraria o que está e proporem soluções fora do quadro previsto pelo actual governo alemão. O clássico Não Há Alterrnativa, soltado em gritinhos histéricos e consecutivos, muitas vezes, muitas vezes, muitas vezes, convencidos de que continuarão a convencer quem se vê despejado da sua casa, desempregado, arruinado, transformado em reserva laboral barata, entre a indigência e a esmola.

Quando a extrema-direita violenta avança na Europa, esforçam-se por garantir que não é bem assim, não são todos nazis, o que é verdade, muitos são apenas fascistas, e bem os preferem cavalgando o descontentamento popular.

O Expresso entrevista hoje um tal de Nial Fergussen, apresentado como “historiador superstar”. Entre chamar paneleiro a Keynes, acreditar numa crítica do Financial Times a um livro que ainda não leu e proclamar que o Reino Unido foi “uma enorme força para o bem no mundo”, assegura que os populistas de direita não são fascistas ou nazis, e garante que os outros é que não estudaram História e por isso nos colocam nos anos 30.  Lá está, enquanto lava o focinho aos Le Pen, mimetiza tão bem aqueles que deixaram a República vizinha entregue a Franco. O problema, para eles, são sempre os outros, a esquerda, o pavor bolchevique. Esta gente é tão repetitiva como previsível.

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