Olha António,

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vim aqui várias vezes dizer que eras the man. Bem sei que não era ainda o teu tempo, bem sei (era eu a ver a vida do povo toda esfrangalhada e tu a fingir que não era nada contigo). Hoje ouvi-te a falar da responsabilidade que finalmente decidiste aceitar, no timing das coisas da política, nesse tempo que não é de modo nenhum o do povo, mas pronto, tu e vocês é que sabem, antes agora que nunca. Continuo a pensar que és the man e congratulo-me (como muitos mais) com o teu anúncio: cá te esperávamos, um bocado desanimados e já a preparar-nos para beber Camilo Alves, mas sempre acreditando que podia acontecer. Somos óptimos a esperar, apesar das muitas baixas.

Mas olha António, não penses que esquecemos o que foi o PS ao longo destes 40 anos. Não esquecemos, e por isso a responsabilidade a que agora te abalanças não é apenas a de formar «um governo forte» (palavras tuas), um governo que defenda os interesses do País (que deverão sempre ser, ao menos em grande parte, os do povo desse país, não achas António?), no país como na Europa, defendendo ao mesmo tempo uma ideia de uma outra Europa, que esta comprovadamente não serve António, e tu sabe-lo bem.

Que possas efectivamente ser the man, é o que nos desejo: alguém que pensa pela própria cabeça, capaz de dignificar a política, recuperando-a para a Democracia.

de pequenino

de pequenino

imbecilidades do jornalismo português

confesso que já assisti a estágios de preparação da selecção para competições internacionais mais animados que este. antigamente, sempre que a selecção ia jogar uma grande competição internacional, algo de maravilhosamente extraordinário acontecia nos estágios de preparação. na primeira fase de estágio que a selecção nacional está a realizar em óbidos, os jornalistas presentes são piores que os putos nos dias de viagem para o destino de férias da família. pelo meio de conferências de imprensa que não lembram nem ao diabo, acabam por preencher os espaços informativos a que tem direito com a frase da praxe dos garotos para os pais nesses precisos dias: “já chegamos? falta muito para chegarmos?” ou como quem diz “amanhã chega finalmente Cristiano Ronaldo” – imagino portanto que os mais precavidos já terão comprado um calendário para riscar os dias que faltam para chegar o savior desta desgraça lusitana em terras brasileiras, limitando-se a poupar tempo na lavra do artigo para a edição do dia seguinte: “Rafa treinou condicionado mas não deve ser dúvida para o jogo contra a Grécia. Nani chegou com mazelas físicas mas não há problema para o fisioterapeuta António Gaspar… Ronaldo chega dentro de 2 dias” – risca-se a parte “dentro de 2 dias” e acrescenta-se “amanhã…” e está feito – editor que é editor papa isto do mesmo jornalista durante anos. [Read more…]

1, 2, alto e troca o passo.

Tanto secretismo. Tanto mistério. Seguro e Costa já dançam(ram) a coladinha ou preferiram dançar a lambada?

Há dois fantoches com o nome “Passos Coelho”

O segundo está à venda em leilão.

Coisas que se encontram no facebook…

seguro

Tambores em Junho

Está a chegar Junho e eu adoro Junho, aliás nunca conheci alguém que não goste de Junho, é provável que seja humanamente impossível não gostar de Junho, e um dia haverá uma teoria alicerçada em feromonas, partículas gama ou epistemologia genética, que explicará essa impossibilidade, mas até lá fico-me com as minhas muito particulares razões para adorar Junho e que incluem, embora não se fiquem por aí, as Fontainhas.

Para alguns será necessário contar que as Fontainhas não são mais do que um bairro do Porto, um pequeno bairro castigado, voltado para o rio, casas antigas, algumas em ruínas, e uma gente castiça, que não troca os bês pelos vês, porque os vês, a bem dizer, nem existem. É certo que, entre Julho e Maio, as Fontainhas entristecem-me. Mas há um mês, e qual mais poderia ser?, em que as Fontainhas se transformam no bairro mais festivo da cidade, engalanado para a noite de S. João. E não há Junho em que eu não regresse às Fontainhas.

Ora, quando eu era catraia, as Fontainhas eram a Disneylândia dos pobres, um caótico miniparque de diversões com barracas de farturas, carrosséis desengonçados, carrinhos de choque já muito esmurrados, colunas roufenhas a debitar música que ainda não sabia que era pimba, algodão doce a colar-se ao queixo, às mãos, ao cabelo, ao vestido, à camisa do meu pai, à blusa de alças da minha prima, íamos ficando pegados uns aos outros, num trem humano de açúcar e corantes, até a minha mãe nos salvar a todos com um lenço de pano, ainda nem havia dos outros, humedecido no chafariz.

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Santos em casa

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Santos Silva está nas suas sete quintas. Conspirar, aconselhar, encenar, trafulhar, são algumas das suas especialidades. Mal não é sabida a “disponibilidade para tudo”(?) de António Costa, ei-lo, excitado, a teorizar, naquele seu tom de maoista (mal) reciclado, sobre os cenários que se apresentam à candidatura do autarca à liderança do PS.

Esteve ao nível.

Depois de despachar a hipótese – que António Costa ainda considera a título cosmético – de conversar com o PCP (isso nunca, eles não se querem comprometer, eles querem sair do euro, da UE, da própria Europa – até parece que o homem leu a Jangada de Pedra – e outras aldrabices habituais no catálogo destas ocasiões), SS – ops! – Santos Silva discorreu demoradamente sobre como se ganhavam as gentes do PSD e CDS – órfãos, segundo ele, de liderança – e pessoas dispersas por “esses partidos sem importância, como o partido dos animais (?) e outros”. [Read more…]

Sons do Aventar – Ólafur Arnalds e Rodrigo Leão

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Ontem regressei à Casa da Música. O motivo: Ólafur Arnalds era o convidado de Rodrigo Leão.

Já tive a felicidade de assistir a vários concertos de Rodrigo Leão, um dos nossos maiores génios musicais, este seria mais um. Não, não era. A verdadeira razão da minha ida era outra. Ólafur Arnalds é uma espécie de Rodrigo Leão da Islândia (perdoem-me a comparação mas facilita a explicação). Com apenas 28 anos, este magnífico compositor, produtor musical e multi-instrumentista é senhor de algumas das mais fascinantes musicas dos últimos anos. Ver e ouvir, e logo na Casa da Música, estes dois génios era simplesmente imperdível.

E foi uma noite de magia. Ólafur misturou simplicidade com tranquilidade. Os primeiros minutos do concerto na Casa da Música explicam-se em poucas palavras: um absoluto e incrível silêncio da plateia. Um silêncio de respeito e admiração de muitos dos presentes e desconfio que uma parte significativa da audiência nem conhecia este islandês que começou a sua carreira como baterista “metaleiro”. Claro que sou suspeito: existe em Ólafur um misto de Sigur Rós (igualmente islandeses) com Yann Tiersen e Rodrigo Leão, tudo autores que sigo religiosamente. Mais tarde entrou Rodrigo Leão (na sala notou-se perfeitamente que a maioria vinha para o ouvir) e as primeiras músicas de Rodrigo Leão mostraram que continua absolutamente genial percebendo-se perfeitamente o porquê do seu êxito dentro e fora de portas. Ólafur regressou para um final conjunto que me deixou a querer mais. Por mim bem que podíamos ter ficado noite fora e só acabar com o nascer do sol que é das coisas mais bonitas de ver na cidade do Porto.

Agora é aguardar pelo seu regresso a Portugal. Se possível, novamente na Casa da Música.

Pensamento político

António Costa: “Portugal precisa de um governo forte”. Forte? Forte! Só forte? Forte só. Forte forte forte…

Leitura das eleições

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