Rigidez laboral

Assim não vale a pena investir em Portugal – diz a  Peugeot/Citroën. E tem razão.

Admirável mundo velho

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Jorge Almeida Fernandes disserta hoje no Público sobre o populismo do Podemos, o novo partido que em poucos meses escavacou o bipartidarismo espanhol. Entendem estas almas plácidas e serenas que está tudo bem como está e não poderia estar melhor, criticando todos os movimentos que dão voz precisamente ao que estão fartos de que isto fique sempre na mesma.

O conservadorismo é um ideologia muito meiga, querida e terna. O conservador não quer mudanças porque o conservador está bem como está, embora eventualmente possa ficar melhor se tiver acesso ainda mais simplificado a um paraíso fiscal. O conservador é normalmente de direita, mas numa Internacional dita Socialista qualquer até se diz de esquerda, mas da responsável. Responsável por termos chegado a este ponto, após décadas de terceira via, a tal que acha inevitável ser tão liberal como uma Thatcher, e que para gáudio do mesmo Jorge Almeida Fernandes agora enterra as ruínas da esquerda italiana. Responsável pelo aumento da desigualdade e pela liberdade de os mercados financeiros assaltarem à mão desarmada todos os povos e todos os direitos que conquistaram. [Read more…]

From Lisbon with tactics

CULTURA - Antonio Costa presidente da Camara Municipal de Lisboa na a

Apesar do desastre, este PSD diverte-me. Sempre feroz quando o PS puxa da cartada da antecipação das eleições, reforçando que este governo exerce funções no âmbito da legitimidade que lhe foi concedida pelas urnas, e que é inegável, o PSD-Lisboa reagiu imediatamente à intenção de António Costa em disputar a liderança do PS pedindo eleições antecipadas na Câmara Municipal de Lisboa. Ainda não há data para o congresso e as laranjas lisboetas já estão a contar espingardas. Já agora, onde estava mesmo Pedro Santana Lopes antes de ser nomeado (não confundir com “eleito“) para Primeiro-Ministro? Ganda nóia, estava presidência da CML. Claro que tal constatação não passa de um detalhe curioso e pouco relevante.

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Despedimento colectivo

Ao contrário daquilo que por aqui se escreve, os manifestantes não contestam qualquer despedimento *coletivo. Aquilo que os manifestantes contestam é um despedimento colectivo. Basta ouvir as declarações de António Baião. Se Baião pretendesse mencionar um despedimento *coletivo, teria pronunciado  [kuɫɨˈtivu]. Contudo, Baião pronuncia [kuɫɛˈtivu], isto é, colectivo.

Aliás, o colectivo do cartaz dissipa quaisquer dúvidas acerca daquilo que os trabalhadores contestam. É escusado virem alguns OCS inventar a roda, deturpar declarações e perturbar o normal funcionamento da ortografia portuguesa europeia.

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“Quem semeia miséria colhe raiva”

Em Barcelona, e desde o início desta semana, as ruas ardem, literalmente, de descontentamento. Há perseguições policiais, dezenas de detenções, caixas de multibanco destruídas, contentores incendiados, barricadas. Consequências da decisão do autarca Xavier Trias que ordenou o despejo de Can Vies, um centro social gerido por iniciativa popular. Num edifício ocupado desde 1997, organizaram-se, ao longo dos últimos anos, oficinas de teatro, debates, apresentações de livros, peças de teatro, concertos, jantares comunitários, e até um jornal de bairro: “La Burxa”. Can Vies tem sido um lugar emblemático daquilo a que se vai chamando “movimentos alternativos”, uma espécie de laboratório onde várias gerações foram construindo utopias e dando corpo a projectos sociais com impacto directo na vida da gente de um bairro operário, o de Sants, com grande tradição de associativismo e múltiplas cooperativas.

Ora, uma “escola de militância”, como alguns lhe chamaram, transcende as suas quatro paredes, e o despejo foi sentido como uma afronta às gentes de Sans. O rastilho de Can Vies incendiou o bairro, em seguida a cidade, e os tumultos já chegaram às vizinhas Lleida, Tarragona e Girona. [Read more…]

Casa roubada, trancas à porta

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Esmiuçados os resultados das eleições europeias e constatado o crescimento exponencial dos partidos eurocépticos, vários líderes do pote burocrata europeu correram a alertar para o perigo que tal representa para o projecto europeu. Destacadas personalidades como Angela Merkel, Durão Barroso, Jeroen Djisselbloem, David Cameron ou François Hollande, vieram imediatamente a terreiro falar no problema do emprego e no seu compromisso para o combater. Não sei o que será mais idiota: se esta lógica de “casa roubada, trancas à porta“, se o simples facto de só se terem lembrado desse problema quando sentiram a sua posição ameaçada pelos radicais democraticamente eleitos.

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Um governo para porcos

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Fábricas, pedreiras e suiniculturas, toca a legalizar.

Legislativas

Passos Coelho, no seu estilo de traste dialéctico, inaugurou a campanha eleitoral para as legislativas, discursando – na condição de 1º ministro! – com violência, grosseria e sem qualquer consideração dos mecanismos legais parlamentares contra o PCP – pela sua iniciativa da Moção de Censura – e contra o PS – pelo facto de este se encontrar em processo de discussão de liderança.

Passos e o seu títere Portas perderam qualquer noção do que significa vivência democrática – nos termos da lei e, até, do mais elementar bom senso. Isto não é um governo, é um caso clínico.

Comunicação e realidade

Quanto às conclusões de Vasco Ribeiro, relevo a firmeza com que deixa clara a diferença entre a assessoria de imprensa e o “spin doctoring”, explicando que este vai muito para além da indução noticiosa. O “spin doctor”, escreve, “é o autor político da mensagem e, em consonância com a instituição ou indivíduo que representa, gere com autonomia a conversão da mesma em notícia, através de métodos bem mais complexos e opacos que os da assessoria”.

A relação entre “spin doctors” e jornalistas, prossegue, é uma relação tensa – “oscila entre a conflitualidade e a cumplicidade” -, o que se afigura natural no choque entre quem pratica uma disciplina do marketing que integra “as mais sofisticadas e actualizadas técnicas de manipulação e persuasão” e aqueles que têm por missão informar – lido Aqui, sobre a tese de doutoramento de Vasco Ribeiro (a quem aproveito para enviar os devidos e merecidos parabéns).

Destaco esta frase do autor citado: “se afigura natural no choque entre quem pratica uma disciplina do marketing que integra “as mais sofisticadas e actualizadas técnicas de manipulação e persuasão”. Numa frase todo um resumo do que é o “spin doctoring” e a diferença com assessoria de imprensa. E sim, uma boa empresa de consultoria de comunicação convive com as duas realidades que, embora distintas, vivem numa necessária união de facto. Não perceber isto é não querer ver a realidade. Claro que existe sempre quem prefere meter a cabeça na areia ou fingir-se virgem ofendida…

(está aberta a caixa de pancada….ups….de comentários)

Gambito de governo?

Irving Amen xadrez

O gambito é uma jogada de xadrez tipo isco no anzol: oferecemos um peão ao incauto adversário, ávido e ignorante, em poucas jogadas já lhe comemos peça bem mais suculenta, ou ganhámos uma vantagem posicional que praticamente garante a vitória.

Esta ideia de o governo se demitir perante mais um chumbo das suas malfeitorias golpistas pelo Tribunal Constitucional, apanhando o PS com as calças, ou melhor, a liderança na mão, seria um gambito de mestre.

Indefensável? no jogo come o peão quem desconhece o resto da jogada, mais que estudada e sabida. Em política, há sempre soluções, haja uma esquerda que acorde para a urgência e se saiba unir.

Mas não é provável que essa demissão suceda porque o grande derrotado das europeias foi o PSD, já nem falando do PP a caminho de partido da lambreta. Pese toda a campanha para camuflar a estrondosa derrota (numa lógica imbecil que reduz Portugal a três partidos que agora valem 60%), eles sabem que foi assim. E quanto mais tempo estiverem no pote, ainda lhe vão rapando o fundo.

Imagem: Irving Amen

O Presidente da C.E.

Ângela Merkel estava preocupada. Aquela ideia de incluir na nomeação do presidente da Comissão Europeia a consideração dos resultados eleitorais do Parlamento Europeu nunca lhe agradara. E quando viu os candidatos, pior ainda. Começando no gá-gá luxemburguês até ao vermelho grego, passando por uma ecologista e o seu próprio rival interno, aquilo não augurava nada de bom. E agora, perante os resultados, como fazer? Estava nestas elucubrações quando recebeu como que uma revelação! Na verdade, embora os resultados dos vários candidatos fossem expressivamente diferentes, nenhum tinha tido verdadeira maioria, isto é, face ao parlamento, cada um deles tinha menos votos que todos os outros juntos. Só havia uma solução: legitimar um escolhido por uma bênção do alto e, já que as igrejas ficam muito caras e Ângela não sabia como falar com Deus, como faziam os antigos, só lhe restava ungir o escolhido com uma bênção mágica, como a que Merlin tinha brindado Artur, por exemplo. Então, ocorreu-lhe que o seu próprio nome tinha algo de celestial: Ângela! Quer dizer: Anja (lamento incomodar os eruditos que discutem o sexo dos anjos, mas esta é mesmo feminina). Ela própria podia, pois, outorgar a bênção legitimadora. Escolheu um nome que lhe agradava – nenhum dos candidatos, claro – e lá foi ela para a reunião do Conselho Europeu, rosnando “Eles vão ver, eles vão ver…”.