A utilidade de um sindicato

Nos últimos tempos o papel dos sindicatos na nossa sociedade foi equacionado por tudo e todos. À boleia da Greve na TAP os sindicatos voltaram a aparecer no espaço mediático, quase sempre com o rótulo do “mau da fita”. E, como ponto prévio, importa realçar esta dupla realidade – os sindicatos são mais visíveis em situações de conflito e de tensão com o poder (central, executivo, patronal, etc…) e não têm do seu lado a comunicação social, precisamente porque esta pertence ao poder. Logo e mesmo que este seja um tópico fora deste texto, parece-me que a comunicação sindical é, nos dias que correm, uma dimensão crucial para a sua existência.

Aos sindicatos cabe um papel duplo – o de defender os seus associados e o de participar activamente na vida social, tomando posição a agindo em prol de uma sociedade melhor, não só para os seus sócios, mas para todos em geral. É esse o motor que move os trabalhadores da TAP na luta pela manutenção da Empresa na esfera pública. É, também, por exemplo, aos sindicatos de professores que compete lutar por melhores condições profissionais, mas também agir por uma melhor escola pública, exigindo participar na definição das políticas educativas. A FENPROF (CGTP), que subscreve esta visão do sindicalismo tem estado na primeira linha da defesa da Escola Pública contra a Municipalização, enquanto a FNE (UGT) se apresenta na primeira linha dos parceiros do governo e das autarquias para “desmanchar” a Escola Pública.

Neste caso, podemos até perguntar:

– se o SPN não tem colocado na praça pública o processo de Municipalização que Matosinhos tinha começado, a Municipalização tinha ou não avançado?

Não tenho, por isso, qualquer dúvida em afirmar que o nosso país sai favorecido com um sindicalismo mais forte e mais interventivo nas suas diferentes dimensões. Sem sindicatos ou sem a luta organizada de quem trabalha, não teríamos, por exemplo, horários de trabalho regulados ou direito a férias. Dirão, os pessimistas: mas isso é o que temos hoje com os  trabalhadores precários. De acordo.

Mas, se os sindicatos não estivessem fragilizados como estão, isto seria possível? Se a organização de quem trabalha fosse mais forte, o retrocesso que Passos Coelho e Paulo Portas estão a desenhar e a construir, seria possível?

Comments


  1. ativamente caiu-te um c


  2. Pois… eu e o acordo… Feita a correCção 🙂

  3. João Paz says:

    “e não têm do seu lado a comunicação social, precisamente porque esta pertence ao poder”. Naturalmente João
    Paulo. É precisamente por isso que Engels no seu notável livro “Anti-During” diz que os trabalhadores têm de tomar a nacionalização dos meios de comunicação (ferrovia, transportes em Geral) e imprensa (ainda não havia televisão no seu tempo mas esta é provavelmente o maior factor de manipulação e intoxicação actual com pouquíssimas e honrosas excepções) como factor prévio da sua emancipação. Não compreender a visão de longo alcance deste prognóstico é chafurdar no lamaçal da destruição do país E DA DESCARACTERIZAÇÃ DO SEU POVO sem colocar as forças da natureza ao serviço do progresso e bem estar do povo português e, no nosso caso concreto, continuar a aceitar a subjugação sabuja ao império alemão mascarado de UE.

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