Os pompeus

Quando eu andava na escola primária, na primeira parte do século passado e em África, havia sempre em cada turma um Pompeu (ou uma Pompeia). Que vinha a ser um ser sisudo, penteadinho, que não se misturava nas brincadeiras do recreio, que mirava com olhos de detective todos e cada um, que denunciava e fazia queixinhas, e que sobre isto mal o professor perguntava quem sabe? se levantava logo de mão no ar. Oferecia-se para ir ao quadro, lambia os pés dos professores. Tinham estas qualidades todas, ninguém os suportava e, sempre que podíamos, enfiávamos uns bofetões naquelas caras estanhadas Ninguém os convidava para nada, nem na escola nem fora da escola. Eram tão excepcionais que nos ficaram na memória, como exemplo de lástima. Estou em crer que todos rezávamos para nunca termos um irmão Pompeu.

Pela vida fora ainda fui encontrando uns quantos Pompeus, incluindo na minha profissão. Sempre que tinha de lidar com eles, lá me vinha aquele desejo nascido na remota infância de lhes ir à fuça. Fiquei-me sempre pelo sensato conselho das terras ribatejanas: trela no lombo e campos da Golegã com eles.

Podem imaginar como fiquei ao ouvir, num noticiário inglês, que a representação do estado grego tinha sido cercada, bloqueada, pelos representantes dos governos de Portugal e da Espanha, perdigueiros fiéis do estado em que a Alemanha está. Até julguei ter ouvido mal e corri noticiários em espanhol, italiano, francês e português. Fui à internet buscar jornais de vários país, e diziam o mesmo.

Fiquei longo tempo a pensar como o actual governo português empurrou o anterior governo para o fatídico pedido de resgate, em todas as desgraças pessoais e de país que sobrevieram ao facto desse governo ter decidido “ir além da troika”, aplicando uma austeridade cruel de “custe o que custar”, revi a miséria do desemprego e do mais completo escândalo que se passa nos hospitais, dos bancos alimentares, das centenas de milhares de portugueses que tiveram de emigrar (na Grécia emigrou um milhão em quatro anos), lembrei os bancos falidos e a mais completa corrupção, olhei longamente as fotografias desta última reunião do Eurogrupo. Lá estava o boche em cadeira de rodas, o presidente holandês com aquela cara de boião de iogurte, a petulante Maria Luís, sempre de nariz empinado, e o convencido do espanhol Guindos.

Fiquei sem dúvidas: Portugal e a União Europeia vão de mal a pior, porque caíram nas mãos de meninos Pompeus. Que grandes vergonhas estes sujeitos nos fazem passar! A Grécia já varreu os Pompeus, que Deus a ajude a arrumar o resto.

Comments

  1. Marquês Barão says:

    Por solidariedade que o governo grego nos empreste a vassoura.

  2. Nightwish says:

    Um par de estalos era o mínimo que fazia a esta gente, se pudesse. Ai, se pudesse…


  3. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

  4. Alexandre Carvalho da Silveira says:

    “Boche de cadeira de rodas”? você não é só um pompeu, é um guarrito com uma maçã na boca.
    Quem merece uma trela no lombo é você e uma grade de discos atada para alquevar os campos da Golegã. Você é uma merda de um fascista vermelho pretensamente bempensante.
    Gosta muito dos gregos? então vá pra lá, e já agora leve uns euros, porque eles andam precisados.

    • José Peralta says:

      E você não é só um pompeu, é um guarrito com uma maçã na boca.
      Quem merece uma trela no lombo é você e uma grade de discos atada para alquevar os campos da Golegã. Você é uma merda de um fascista malpensante e efectivamente raivoso (e não vacinado…)
      e com a indisfarçável frustração e a imensa verrina, de quem vê os amados lacaios coelho e albuquerque denunciados públicamente ! E não há vasculhos ou esfregonas que consigam limpar estes varrascos ! Percebeu ou quer um desenho ?

    • ZE LOPES says:

      Cada tiro, seu melro! Ora aqui está mais um dos que pertencem ao grupo de uns tipos que por aí andam aos pios e que tinham, até há pouco tempo, como passatempo de estimação desdenhar daquilo a que chamavam a “Esquerda Caviar”. Depois começaram a ver que a coisa estava a tornar-se séria e passou a ser “A Esquerda Que Ainda Nos Vai Aviar”. Agora, syrizados de um tal espanto, de uma tal dimensão que dificilmente Podemos calcular, é (ai! credo!) “A Esquerda Que Já Nos Está a Aviar”. Aliás ” A Syriza” era jocosamente representada como uma grega pouco dotada e burra. Agora travestiu-se no Syriza, um grego tão dotado que nem um burro. É certo que continuam a mandar umas postas de pescada e a enviar umas cartas e tal, mas os tempos não são os mesmos. Agora, lá pelos gabinetes, já ninguém se levanta de uma reunião sem olhar cuidadosamente em redor. E por esses corredores e alamedas afora abundam uns blasfemos amarelos e macilentos a caminhar apressadamente, sempre de costas para a parede. Está armado um 31…

      • Alexandre Carvalho da Silveira says:

        Cada tiro, cada melro. Veja lá se percebe uma coisa: com o governo anterior, a Grécia ia sair do programa de assistência, vulgo memorando no final deste mês. Depois já se podia financiar sózinha, porque os juros estavam perto dos 5% e com tendência para baixar, como aconteceu com a Irlanda e com Portugal.
        Com estes iluminados do Syrisa, prolongaram o memorando por mais quatro meses e os juros estão acima dos 10%. E com uma agravante: como por causa da campanha eleitoral o governo anterior parou com as medidas previstas no memorando que Varoufakis ontem reconheceu, em Março não vão receber os 7 mil milhões que estavam previstos como última tranche. Só tem dinheiro para mais 15 dias. Se o documento que chegar na próxima 2ª feita à troika não estiver nos conformes, em Março os pensionistas e funcionários publicos gregos não recebem.
        É preciso ser estupido para apoiar este tipo de gente.
        O feminino de Pompeu é ZE LOPES, não sabia?

        • ZE LOPES says:

          V. Exa está possuído, qual pitonisa de Delfos em pleno delírio! Bem o tinha avisado! Desencostou da parede, agora queixe-se!

        • ZE LOPES says:

          Ai é ZE LOPES? Então tenho mais uma dúvida: qual é o masculino de Alexandre Carvalho da Silveira?

        • Nightwish says:

          É preciso ser cretino para não perceber o estado da economia da europa em geral e da grécia em particular.

        • ZE LOPES says:

          Tá confirmado! V. Exa. percebe mesmo de gramática. Agora chega. Já pode tirar os papelotes da cabeça e ir para a caminha, tratar das suas obrigações conubiais. Tá tudo nos conformes, por isso já lá está um troiko à sua espera para lhe dar a próxima tranche.

        • André says:

          O Alexandre confunde a realidade com o um wishfull thinking(o dele).

          • ZE LOPES says:

            O (?) Alexandre é um dos Pompeus do “Blasfémias”. A sua aspiração é bater a concorrência e passar a “blogger” e daí ascender ao Olimpo que é o “Mirone”. Todas as noites o José Manuel Fernandes o abraça em sonhos sussurando-lhe docemente “posta Alexandre, posta que um dia juntinho a mim estarás”. Só de pensar nisso sente uns calores tão fortes pelo corpo acima que de descarregar em mais um post.

  5. ZE LOPES says:

    Só tenho uma dúvida: qual será o feminino de Pompeu? Pompeia?Pompia?Pompua?Pomperua?


  6. Depois de passar a campanha eleitoral, é ajuizado passar os olhos para como vivem os 6 mil milhoes de seres humanos(com cabeça, duas pernas e braços como os “desgraçadinhos” daqui) que não têm ninguem que os ajude se uma cheia lhes tirar tudo, e comparar aquilo que escrevem e dizem com a realidade da UE onde vivemos.E já agora pensarem o que de importante os portugueses têm feito e em quem têm votado para o progresso dessa UE.Seria um exercicio de humildade justo.

  7. manuel.m says:

    O pai de todos os Pompeus é um algarvio de Boliqueime

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