A história de um contador de histórias caloteiro e incompetente

N’Esta porra triste de país que alguns lunáticos entendem estar melhor, onde fanáticos extremistas aparentemente se deixam falecer em urgências de hospitais públicos, movidos por utopias gregas do campo ideológico da literatura infantil, houve um dia um contador de histórias que, perante uma clientela assembleia em profundo êxtase, afirmou o seguinte:

Há muitos que deviam pagar os seus impostos e não pagam. Porquê? Porque não declaram as suas actividades. Ora nós temos obrigação de corrigir estas injustiças. Não há nada mais social-democrata do que isso, porque aquilo que devia orientar um princípio de social-democracia é a igualdade de oportunidades. Não é o privilégio, mesmo o pequeno privilégio. Se há quem se ponha de fora das suas obrigações para com a sociedade, sendo muito ou pouco, esse alguém está a ser um ónus importante para todos os outros que têm um fardo maior.

Já era tempo deste contador de histórias, versado na literatura infantil para cordeiros como na pornografia eleitoral, assumir abertamente a sua negação da social-democracia. Se “não há nada mais social-democrata” do que corrigir injustiças fiscais e garantir a igualdade de oportunidades, este pastor de castas à prova de austeridade que não honra os seus compromissos não passa de uma fraude. Um contador de histórias que devia pagar os seus impostos mas não paga. Um contador de histórias que não declara as suas actividades, algo que de resto não é novidade nenhuma. Um contador de histórias que não só não corrige estas injustiças como contribui para que se perpetuem. Um contador de histórias que garante o privilégio, pequeno, médio ou grande. Um contador de histórias que é um “ónus importante para todos os outros que têm um fardo maior”. O mesmo contador de histórias que, na liderança da sua trupe, decidiu em 2013 sobre a aplicação de uma pena de prisão até 3 anos ou multa até 180 mil euros para pessoas singulares cujas dívidas à Segurança Social ultrapassassem os 3500 euros. E apesar desta e de outras medidas, que incluem a penhora de bens e salários, por vezes por quantias a roçar simultaneamente o absurdo e o patético, e a que se juntou ontem a penhora de bens alimentares à IPSS Coração da Cidade, os seus correlegionários parlamentares não hesitaram em blindar o chefe contra os malvados inquisidores socialistas, esses heréticos seguidores do preso nº44. Porque, como sempre aconteceu, o partido e as suas elites são sempre a prioridade. Sempre. “Que se lixem as eleições“? Nada disso: que se foda a plebe, assim é que é.

Noutras latitudes, governantes foram demitidos e enfrentaram a justiça por valores inferiores ao calote do contador de histórias. Para quem tantas histórias conta sobre o exemplo que nos chega do norte, aqui estão algumas que devia incluir no seu plano de propaganda leitura. Afinal de contas, não foi este o contador de histórias que afirmou pertencer a uma raça de homens que paga o que deve? Não foi ele quem pediu aos portugueses para ter orgulho nos sacrifícios? Não era ele que afirmava, em Novembro, que “ninguém está acima da lei“? Lei? Que conto de crianças vem a ser esse?

Pois é contador de histórias. Como dizias, e bem, há um ano atrás, “Em Portugal são relativamente poucos os cidadãos que pagam impostos“. E tu, mais do que não os pagar, ainda afirmas desconhecer esta lei, apesar de, enquanto primeiro-contador-de-histórias, teres a obrigação de a conhecer melhor que a maioria, algo que se torna particularmente grave considerando que estivas lá quando ela foi aprovada. Com tantos boys abanadores de bandeiras à tua volta, não me digas que não houve um com neurónios suficientes para te alertar e evitar que fizesses essas figuras absolutamente ridículas! Não? Então são tão incompetentes e inúteis como tu.

Comments

  1. Marquês Barão says:

    Só conhece este? Se não divulga mais ninguém do arco do poder todos temos razões para nos dar-mos por satisfeitos.

    • Ribeiro says:

      “Darmos” e não “Dar-mos”. Até um marquês deveria saber isso…


    • não caro aristocrata. conheço outros, muitos outros. mas gosto de perseguir este porque, tal como o Marquês, sou meio tolinho e não tenho mais nada que fazer na vida. o facto de ele ser primeiro-ministro não tem nada que ver.

      (vou deixar de lhe responder, você é uma seca…)

      • Marquês Barão says:

        Não vai deixar de responder coisa nenhuma, porque não quero que se encharque com as minhas questões. STOP


        • Encharcar? O senhor marquês é que parece ter essa cabeça encharcada todos os dias. Mas traga as suas questões. De preferência que não sejam idiotas ok?

  2. Fernanda says:

    Coitadinho, é pobrezinho.

    Não façam mal
    aos pobrezinhos
    Deem-lhes pão
    e uns tostõezinhos

  3. Konigvs says:

    Naaa. A penhora mais estúpida de sempre foi penhorar as cagadeiras do Estádio das Antas.

Trackbacks


  1. […] de cada vez que abre a boca para falar no caso, o primeiro-ministro enterra-se mais um bocadinho. Depois de vários dias a contar histórias, a contradizer o passado, a provar a sua incompetência e…, Don Pedro Passos Tecnoforma Coelho de Segurança Social e Massamá teve mais um momento digno de […]


  2. […] Não, não se trata de uma piada: o Fisco penhorou 4 bolos a um restaurante. O estabelecimento, em incumprimento que ascende a 92 mil euros e que viu já a sua conta bancária penhorada, foi ontem alvo de uma fiscalização que resultou na penhora dos 4 bolos. Quatro bolos que dentro de poucos dias terão apodrecido, perdendo assim todo e qualquer valor. Quatro bolos que não foram apreendidos, ficando à guarda do proprietário do estabelecimento que assume a função de fiel depositário. Quatro bolos que o proprietário não poderá vender, algo que, em teoria, lhe permitiria acumular dinheiro para pagar a dívida. E se o proprietário alegasse desconhecer a lei que lhe obriga a pagar a dívida? Tem funcionado por cá… […]


  3. […] e à imagem de outros caloteiros que por aí andam, a autoridade tributária não pagou ainda o que deve ao seu novo credor. E 17 […]


  4. […] em cima podemos encontrar um caloteiro fiscal com gosto pela mentira, um maçon que alucina com realidades sociais inexistentes e um companheiro […]

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