Diário da República, 24 de Março de 2015

De facto, é preciso enfrentar o fato:

Processar prestações de invalidez, velhice e morte e outras
que com elas se relacionem ou sejam determinadas pelo mesmo fato e se insiram na área de atuação do respetivo núcleo.

Efectivamente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior”:

Certificar os fatos e atos que constem dos arquivos municipais, sem prejuízo da competência nesta matéria confiada a outros serviços.

dre2432015Post scriptum: Foi há cem anos:

Eia! eia! eia!
Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!

Álvaro de Campos.

pessoa

José de Almada Negreiros Retrato de Fernando Pessoa, 1964 http://bit.ly/1C7zck3

 

Comments

  1. pedro barros says:

    É tão grave escrever “fato” por “facto”, como escrever “contrato” por “contracto”, ou “trato” por “tracto”. Ninguém confunde “gema” (que já se escreveu “gemma”) com gema, nem “vela” (que já se escreveu “vella”) com vela e uma outras mais.

    Quanto ao verso do Álvaro de Campos, a sua citação está errada. O que ele escreveu, foi (assinalo com maiusculas a diferença):

    Eia! eia! eia!
    Eia electricidade, nervos doentes da matEria!
    Eia telegraPHa-sem-fios, simpatia metAlica do Inconsciente!
    Eia túneis, eia canaEs, Panamá, Kiel, Suez!
    Eia todo o passado dentro do presente!
    Eia todo o futuro jA dentro de nós! eia!
    Eia! eia! eia!
    Frutos de ferro e Util da Arvore-fábrica cosmopolita!
    Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
    Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
    Engatam-me em todos os comboios.
    Içam-me em todos os caEs.
    Giro dentro das hElices de todos os navios.
    Eia! eia-hô! eia!
    Eia! sou o calor mecAnico e a electricidade!

    Ao tempo muitos disseram que a “língua” tinha sido assassinada, e que Portugal morria, e que nunca iam deixar de escrever “português” (queria isto dizer, nunca iriam escrever “farmácia”, mas sempre “pharmacia”. E, 100 anos depois, cá continuamos, com língua, com Portugal e a escrever em português (e a escrever “farmácia” em lugar de “pharmacia”).
    Histerias com as alterações ortográficas sempre houve, sempre haverá, “no pasa nada”.

    PS: António Nabais, deixe-lhe lá acima um erro ortográfico, porque eu sei que à falta de carne, você fica contente com ossos. Pode ir buscar.

    • António Fernando Nabais says:

      Ó Pedro, eu sou um rafeiro bem alimentado e, portanto, não preciso de lhe roubar ossos. Que lhe façam bom proveito.

    • Lara Liz says:

      No meu entender, a reforma de 1911 e 1945 não são comparáveis com a actual. Em 1911 e 45 mudaram certos grafemas que, embora interferissem com a etimologia, não interferiam na fonética nem nas palavras da mesma “família”, o que não é o caso da actual reforma (não lhe chamo acordo, porque não houve um verdadeiro acordo). Por que é que nessas reformas terão mudado os PH para F, os Y para I, tirado certas consoantes duplas, sem contudo mexerem nas consoantes ditas mudas (mas com função diacrítica ou com a mesma raiz de outra palavra que a tem, como actividade e acto), sem mexerem nos acentos que distinguem palavras homógrafas, etc? Creio que em 1911 e 1945 devem ter feito as coisas menos “em cima dos joelhos” que agora.

      • Lara Liz says:

        Isto não dá para “editar”: antes que apontem o engano, mais acima devia ter escrito “aS reformaS de 1911 e 45” (no plural). É que inicialmente só me referi à de 1911 e posteriormente acrescentei a de 45, esquecendo de mudar reformas para o plural.

  2. Francisco Miguel Valada says:

    1) “a sua citação está errada”. A minha citação nunca poderia estar errada, porque a citação não é minha. Se estivesse atento, teria reparado que remeto para o Arquivo Pessoa e a referência encontra-se lá, bem clara para quem dedicar uns segundos de atenção às referências:
    «Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). – 144.
    1ª publ. in Orpheu, nº1. Lisboa Jan.-Mar. 1915. Lacunas completadas segundo: Álvaro de Campos – Livro de Versos. Fernando Pessoa. (Edição Crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993»;
    2) “o que ele escreveu, foi”?
    a) ver 4);
    b) “o que ele escreveu” não foi aquilo que V. Ex.ª escreve. Foi isto (os meus agradecimentos à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra: http://bit.ly/1bqFMcP;
    3) Convém, já que noto uma veia de crítico literário, aprender a diferença entre um verso e uma estrofe;
    4) Quanto a erros de V. Ex.ª (ortográficos ou não), como pede o parecer do Dr. Nabais, não me intrometo.
    Desejo-lhe boas leituras e recomendo menos precipitação nos comentários.
    Continuação de uma óptima semana.

    • pedro barros says:

      O que aparece no seu link é uma transcrição para a ortografia pós 1911 do original porque Fernando Pessoa recusava-se a escrever na ortografia pós 1911. Como se vê, nada de grave, nem para o Pessoa, nem para a ortografia.
      Uma ótima semana também para si.

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  1. […] Não conheço a génese do cartaz mas, talvez não por acaso, até reflecte o panorama do que passou a existir depois deste acordo ter sido imposto por lei. Como tem sido repetidamente demonstrado no Aventar, vários são os exemplos de palavras que “não existem nem antes nem depois do AO” e que, graças ao AO,  começaram a aparecer com regularidade. Um exemplo? Veja-se este, saidinho no Diário da República. […]


  2. […] Há muito tempo, no Diário da República de 24 de Março de 2015, apareceu-nos este […]

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