O referendo britânico e o futuro da União Europeia

Em 2012, David Cameron abria a porta a um referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE. Em 2013 reiterou a sua determinação em levar a cabo a consulta popular até 2017. No início deste ano, o primeiro-ministro britânico insistiu novamente na necessidade de consultar a população. Na recta final da campanha para as Legislativas que ontem reconduziram o líder dos conservadores para o nº 10 de Downing Street, o trabalhista e ex-capacho da violenta invasão que celebrizou Durão Barroso como um dos mordomos mais bem pagos do mundo, Tony Blair, apressou-se a profetizar a desgraça: a saída do pais da UE iria fragilizar ainda mais a economia do Reino Unido e diminuir o seu papel no mundo. Cameron acusou Blair de não confiar nos britânicos e no seu julgamento. Eu acusá-lo-ia de chantagem.

Nesta intervenção de Nigel Farage em 2011 no Parlamento Europeu, o líder do UKIP recordava-nos, numa altura em que a palavra referendo não fazia ainda parte do discurso de David Cameron, o imenso falhanço em que o Euro se estava a tornar e apontava o dedo aos fantoches sem legitimidade democrática como Von Rompuy e Durão Barroso, “hienas” que cercaram o antigo primeiro-ministro grego Papandreou no momento em que ele teve a ousadia de sugerir referendar o resgate grego. Não tenho grande simpatia pela agenda do UKIP mas devo admitir que dou por mim a concordar com Farage nas críticas feitas ao modelo europeu german dominated. Tal como o líder do UKIP, eu não quero viver numa Europa dominada pela Alemanha. Muito menos numa Europa onde os cidadãos dos estados-membros são pressionados no sentido de abdicar do exercício da sua cidadania por burocratas de casta escolhidos pelas elites que integram. Uma vez erguida a bandeira do referendo, espero sinceramente que Cameron não recue na sua intenção e mostre a esta Europa alemã que os seus cidadãos ainda têm uma palavra a a dizer. Não chega apropriar-se da bandeira do UKIP para ganhar eleições, é verdadeiramente necessário mostrar à Alemanha que ainda existe democracia na Europa. O sucesso deste referendo, independentemente do seu resultado, é fundamental para a sobrevivência de um projecto europeu feito de estados soberanos e não de colónias controladas desde Berlim e Frankfurt.

Comments

  1. Goste-se ou não, se depender de Cameron, o referendo irá mesmo realizar-se em 2017. Nestas matérias os políticos britânicos mantêm a palavra, como aconteceu no referendo da Escócia. Fossem assim os europeus continentais…

    • pedro barros says:

      Cameron já tinha declarado que iria realizar um referendo sobre a permanência da GB na UE, tudo para conseguir ganhar as eleições aos trabalhistas, e conseguiu. E depois não cumpriu:
      http://www.theguardian.com/world/2009/nov/03/david-cameron-lisbon-treaty-referendum

      E agora fez o mesmo: para ganhar estas eleições, voltou a prometer que vai fazer um referendo; desta vez o objetivo foi impedir que o UKIP ganhasse círculos aos conservadores. E conseguiu de novo sair-se bem.

      Lá, como cá, a maioria dos políticos é mentirosa, a maioria dos eleitores é pateta, e a UE é a democracia a andar para trás.

      • Nightwish says:

        Também prometeu maior independência à Escócia e voltou atrás. O cínico em mim tem noção que foi uma jogada política para que o SNP retirasse votos ao Labour nestas eleições.

        • Emanuel Lopes says:

          O Labour foi na mesma cantiga. Os Conservadores nunca tiveram grandes votações na Escócia, por isso os Trabalhistas acabaram por pagar as favas desse discurso.

    • Vamos ver António. Espero que o referendo avance mesmo mas confesso que estou muito céptico e que me revejo nas palavras dos restantes comentadores. A bandeira do referendo foi uma proveitosa jogada eleitoral. Se acontece ou não é algo que iremos ver. Ainda que posições recentes do Cameron me façam acreditar que desta vez aconteça mesmo.

  2. Rui Silva says:

    Este Nagel Farage, diz muitas verdades desassombradamente.
    cumps

    Rui ilva

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