A metáfora abjecta

Para construir uma mentira à volta do que foi a sua governação,  o PSD inventou a metáfora do xarope – deve ter dado conhecimento ao CDS por SMS, a forma oficial para a coligação comunicar.

“O objectivo que temos é o de vencer a doença, não é o de perguntar se as pessoas durante esse processo têm febre ou têm dor ou se gostam do sabor do xarope ou se o medicamento que tomam lhes faz um bocado mal ao estômago ou qualquer outra coisa, quer dizer, se os efeitos secundários de todo o processo por que se passa valem ou não valem a cura” [Passos Coelho]

A acção é concertada, isto é, não se trata de mais um improviso de PPC. A ministra das finanças já usou os mesmos termos e a caixa de ressonância Observador e respectivos blogs que fazem pandā vão justificando a sua razão de ser papagueando a propaganda.

Eis, portanto, a mensagem infantilizada que o governo pretende usar para comunicar com os portugueses até às eleições. É uma metáfora abjecta, baseada em mentiras repetidamente desmontadas,  que procura mover a discussão do plano sério, onde seria impossível esconder os danos causados ao país, para o imaginário da fantasia e da realidade alternativa.

É uma forma de fazer política que dá asco e que procura tratar os portugueses como crianças. Cabe a estes fazer-lhes o que se fazia às crianças que se portam mal: um par de estalos e orelhas de burro.

Nota: Em vez de seguir esta estratégia comunicacional para contra-argumentar (o tal remédio que mata), acabando por a validar ao jogar no campo do inimigo, devia a oposição mostrar que os portugueses não são crianças. Afinal de contas, ninguém gosta de ser rebaixado e o argumento virar-se-ia contra os próprios, tornando-se inútil a propaganda associada. Mas isto digo eu, que não sou pago para ser cabecinha pensadora.

Comments

  1. Lufra says:

    A metáfora maior deste País foi, um primeiro ministro sair do governo para Paris e da Paris para Prisão.

    • j. manuel cordeiro says:

      E no entanto esse está dentro. Contrariamente ao dias Loureiro e demais gang do bpn. E vamos ainda ver o que se descobrirá quando este governo acabar.

  2. ZE LOPES says:

    Se é uma metáfora, está muito mal parida. Senão vejamos: um tipo está com um problema na garganta. Vem o Dr. Coelho e receita-lhe um anti-inflamatório. Mas o doente tem uma úlcera do estômago e aquilo está a provocar-lhe uma hemorragia monstra. O que faz o Dr. Coelho? Dobra a dose! E se o doente se queixar responde-lhe: “ó pá, nós aqui a quase a curar-te a garganta e tu a queixares-te de que estás à beira da morte! Francamente! Deixa lá, que se morreres é de uma doença muito mais fina do que uma laringite! Toma lá mas é os comprimidos e não chateies! Morres com a garganta limpa e ainda te queixas?

  3. ZE LOPES says:

    Segundo a liberal-teoria do Sr. Coelho., há perguntas que não se fazem: se o objetivo é o de “curar a doença” não se pergunta ao doente se quer tomar aquele medicamento: enfia-se-lhe o dito cujo pela boca abaixo, nem que seja à porrada! É a aplicação da doutrina dessa sumidade do liberalismo, o colosso John Charles Sword, mais conhecido pelo “Churchill da Reboleira”: “quer tu queiras quer não queiras hás-de ser liberal! Ou vais preso!

    • Rui Silva says:

      Caro Zé Lopes,

      A pergunta foi feita, democraticamente na forma de eleições.
      (Obs. : Não votei neste governo)

      cumps

      Rui Silva

      • ZE LOPES says:

        Perguntar, terá perguntado, a gente é que é analfabeta e não entendeu. Como V. Exa. é uma verdadeira sumidade em matéria de interrogações, diga lá qual foi a pergunta, porque a gente andava enredada com questões menores como os futebóis as fátimas e os fados e não reparámos. Também não admira: se é o próprio Coelho que diz que não se pergunta, não estaríamos propriamente à espera que perguntasse, não é verdade? Eu, pelo menos não recebi nenhum SMS lá da toca…

        • Rui Silva says:

          A pergunta foi mais ou menos esta:

          “Querem manter cá os tipos que levaram o País á falência ou preferem outros ?”

          Em relação ao comentário do caro j. manuel cordeiro , imagine o seguinte:
          Se aparecer um individuo na campanha a prometer a toda a gente um salário de 10000 mínimo uma casa e um carro, você vota nele ? Não. Mas havia quem votasse . E sabe o que esses andariam durante os 4 anos seguintes? Que o tipo não cumpria as promessas!
          Na situação real, passa-se o mesmo, só que o exagero da promessa não é tão grande.

          cumps

          Rui SIlva

          • ZE LOPES says:

            Ai era essa a pergunta? Lá está! Deviamos estar todos a cantar o fado, ou a berrar num estádio, ou em preregrinação à Cova da Iria e não nos apercebemos…Foi pena! Se a palavra “outros” significa Coelho & Portas então, e voltando à “metáfora”, é a mesma coisa que o clínico perguntar se a gente prefere morrer de “Ébola” ou de peste bubónica. Cá por mim prefiro o “Ébola”! Sempre é mais exótico…

          • Rui Silva says:

            Todos não, você é porta voz de alguém ou apenas de si próprio?
            Os que mandaram o anterior embora, responderam á pergunta portanto não estariam como você a cantar o fado, berrar num estádio, ou em peregrinação. Ou estariam ! Só que provavelmente estão são multitarefa.

            cumps

            rui Silva

          • ZE LOPES says:

            Ó Silva, V. Exa. está cada vez mais como o outro Silva! Ou seja, se V. Exa. se desse ao trabalho de comentar em Português, talvez fosse mais fácil responder! Vamos lá a ver: eu não sou porta voz de ninguém,mas apenas porque tenho uma voz muito pesada e, por esse facto, geralmente deixo-a em casa.
            A piada da multitarefa foi muito gira, rebolei-me a rir! Não consegui parar toda a tarde, estou cheio de soluços, você nunca mais volte a fazer uma coisa destas, senão tenho de deixar de frequentar este blogue! Com isto já perdi uma sessão de fados na casa do Benfica em Fátima! Isto não se faz! Prepare o cofre, que vou pedir indemnização!

          • j. manuel cordeiro says:

            Não, a pergunta não foi essa. Houve vários partidos a proporem programas eleitorais. A pergunta foi “Aceita este programa para os próximos quatro anos? “. Os eleitores escolheram votando mas o programa escolhido foi descartado pelo governo. O contrato fundamental da democracia foi quebrado.

      • j. manuel cordeiro says:

        A pergunta feita foi se queriam votar num certo programa eleitoral. Acontece que o que foi feito nada teve a ver com esse programa. por essa ordem de ideias, este governo deveria ter sido demitido ao fim de seis meses. E era o que devia ter feito o presidente, caso verdadeiramente se preocupasse com a credibilidade das instituições. Presidente institucionalista, como alguns lhe chamam, o tanas.

        Este governo não teve mandato para o que fez.


  4. Felizmente que vamos tendo locais como o Aventar onde se pode expressar livremente a opinião. No dia das eleições a resposta será dada, mesmo que depois andemos anos a paga-la como com o Socrates.

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