O lambe-chuis

casseteteHá um caso de violência policial? ao dobrar da esquina, ultrapassando veredas, galgando montanhas, encolhendo planícies, ele aí está, o curioso personagem que defenderá sempre a autoridade, sejam quais forem as evidências em contrário, o lambe-chuis.

O lambe-chuis, vários tratados o afirmam, tem basicamente um fetiche sexual pelas fardas, seja quem for que as vista (mas gritou pelo Kaulza quando o Marcelo permitiu mulheres na polícia), reencarna o velho legionário seu avô, pateta fardado com armas de carnaval, embora agora ande travestido de liberal, seja lá o que eles querem dizer com isso, e no equipamento um objecto em peculiar o fascina, orgasmos seguidos lhe explodem quando um cassetete é manipulado com precisão.

Deve a autoridade puxar do cassetete? para o lambe-chuis é uma evidência: claro que sim. Qual a função do cassetete? partir cabeças. E da autoridade? exercê-la. Ora a autoridade, é sabido, exerce muito melhor de cima para baixo do que noutra posição qualquer (embora o lambe-chuis por vezes se imagine de gatas, mas a sua vida privada não é para aqui chamada). Logo o cidadão deve ser, por esta ordem: empurrado, quebrado na cabeça, e eventualmente aproveitado, espalhando-se outras negras por diferentes partes do corpo, é sabido que as partes do corpo são muito ciumentas entre si, e o que é para uma que seja para todas.

Hoje senti-o tímido, envergonhado pela precisão dos fotogramas que um indigente, só pode, contratado por uma tv teve a ousadia de captar, disparando sobre a vítima, o infeliz subcomissário que estava à hora errada com o bastão certo, confuso, distraído, desta vez estava a ser filmado.  Ora a autoridade não tem nada que ser filmada, a autoridade tem autoridade, ponto. O direito da autoridade de espancar um cidadão é inalienável. Existe o cidadão, existe a autoridade, e temos um caminho onde se cruzam. E um momento de acção, para isso pagamos impostos.

E anda confuso: afinal foi o Correio da Manha em versão tv que inventou todo este aborrecimento, e o território natural do lambe-chuis é uma caixa de comentários da Cofina, defendendo a autoridade que atira sobre o ladrão, de preferência quando acerta. Pior ainda: não se tratava de uma manifestação (vão trabalhar, moinantes), e à falta de crime lá se teve de defender a autoridade com a injúria, a cuspidela e a farda rasgada.

Temo que durante uns tempos o pequeno lambe-chuis entre em crise, talvez mesmo em depressão. E que seria de nós sem um lambe-chuis numa caixa de comentários? No fundo a sua utilidade social é precisa: não tendo o subcomissário por perto, a quem mais posso insultar, com a mesma ternura do polícia que tapava a vista ao miúdo, muito novo ainda para aprender como se exerce a autoridade sobre o senhor seu pai?

Comments

  1. António Fernando Nabais says:

    Porra, pá: fizeste-me ter pena do lambe-chuis!

  2. Aventanias says:

    Excelente texto. A revolta dita em poesia prosa.
    A ver vamos o que a justiça justifica.

  3. … a ver vamos, como os cegetas … ?

  4. Nightwish says:

    Foi preciso atingir um apoiante do clube do regime para lá chegarmos?

    • Maquiavel says:

      És mesmo futebolisticamente imbecil.
      Não sabes que o clube do regime salazarento era o Sporting, cujos ministros faziam parte da Direcção?
      E que o Glorioso teve um Presidente preso pelo regime, e que o regime proibiu de se lhes chamarem “vermelhos”, e cujo hino o regime proibiu por se chamar “Avante pelo Benfica”?
      Vai lamber as feridas lopopate… tropale… lopateg… essas wue tens com a equipa mais cara de sempre do futebol português que ganhou ZERO.
      O Sporting era o clube do regime de 28/05,
      o Benfica o clube do regime de 25 de Abril,
      e o ftocuporto o clube do regime de 25/11.

      O grunho que levou do grunho bófia não merece usar o manto sagrado!

      • Nightwish says:

        Só o nível da resposta merecia o desprezo, mas adiante.
        Vá enganar tolos para outro lado. O Eusébio e o Calabote também eram Sportinguistas, com certeza.

    • 123@456.789 says:

      Ao teu Pinto da Costa, a polícia telefona de véspera para ele ir comprar caramelos a Espanha.

      • Nightwish says:

        Ao Orelhas, ninguém questiona porque é que gosta de resolver as coisas por outro lado e porque é que o importante é ter lugares na liga.

    • Nightwish says:

      Falharam-me algumas palavras.
      Foi preciso atingir um apoiante do clube do regime para as pessoas se preocuparem que os grunhos de uniforme fazem o que lhes apetece?

      • E foi preciso a vítima ser «um apoiante do clube do regime» para que a ação dos «grunhos de uniforme», para si, já não ser tão preocupante, não é? Não sei o que é pior: a ação deste polícia ou as pessoas trocarem convicções por clubismos.

        • Nightwish says:

          Vá lá encontrar palavras minhas a dizer que não é importante. Agora, é menos importante do que bater em pessoas a defender-se de um despejo ilegal à frente de deputados da nação.

          • Argumento típico: quando se deseja desvalorizar um assunto, procura-se relativizá-lo mencionando outros que se consideram mais importantes. Como se não fosse óbvio que para cada um de nós há sempre assuntos mais importantes.

            Mas se o artigo é sobre um tema e só sobre um tema, por que razão se vai minimizar a importância deste por causa de outros? Por que razão logo este?

            Somos criaturas multifacetadas. Os temas não são mutualmente exclusivos. Sou capaz de me revoltar com a agressão policial em Guimarães e ao mesmo tempo revoltar-me (e enquanto benfiquista sentir-me envergonhado) pelos que se comportaram como bandalhos no estádio D. Afonso Henriques.

            Mas você entra aqui a desvalorizar este assunto porque a vítima foi um «adepto do clube do regime.», não é por haver assuntos mais importantes. Isso é a sua desculpa.

            Você nem sequer percebe – ou não quer perceber – que o facto menos relevante deste triste caso é a cor da camisola daquele adepto.

            Você nem num contexto destes em que um homem é vítima de uma ação desta violência consegue largar a expressão «adepto do clube do regime». Chegou aqui como se o incomodasse o protagonismo dado a uma pessoa que por acaso é adepto do Benfica.

            Nem a sua convicção de que foi uma ação policial deplorável o fez esquecer que estava ali um dos do «clube do regime». Por isso, sim, você trocou as suas convicções pelo seu clubismo. Não viu o homem, o pai, o filho, só viu o adepto. E é triste o que um mero desporto faz à cabeça das pessoas.

          • Nightwish says:

            O Marco é que só vê o que quer ver. Apenas achei curioso pegarem neste caso e não noutro nas centenas de agressões todos os anos pelos grunhos fardados. Se for o que é preciso para se mudar alguma coisa, é um mal que vem por bem. Mas duvido que venha a ter qualquer importância e só é notícia para glorificar um clube de futebol.

  5. asnog says:

    Eu bem sei que podem concordar ou não com isto, mas em vez de estarmos aqui a discutir super violenta “bófia” porque um idiota enfiou uma cacetada num tipo (um outro tipo de idiota, mas isso são outras histórias) porque não falar dos verdadeiros culpados de se chegar a estas situações? Porque um idiota não deixa de ser idiota por ter uma farda. Pode deixar de o ser se tiver formação, acompanhamento psicológico, treino, e essas coisas todas que não existem em nome do “não podermos viver acima das nossas possibilidades” (ou até pode não deixar de o ser, e aí o IEFP será um bom sítio para o acolher).
    Em todo o caso, bem sei que estas situações não vêm de agora e não mudam de um dia para o outro… mas o mal não está no idiota que puxa da cacetete… talvez num país de idiotas que se preocupam em linxar um idiota e não em mudar as coisas.

  6. Carlos says:

    Onde pára a inquilina do MAI?

    O dito sub-comissário, energúmeno fardado, ainda está ao serviço? de quem?

    Se fosse agredido desta forma, o marido da ministra, o pai e com o filho a assistir, este energúmeno ainda vestia farda?

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