José Sócrates e a agenda do Observador

Pulseira Electrónica

A orientação politico-ideológica do “jornal” Observador só será novidade para quem não sabe o que é o Observador. Com uma linha editorial claramente de direita, um painel repleto de colunistas de direita e extrema-direita – aguarda-se com expectativa a indignação de Rui Ramos contra mais este episódio de facciosismo só ao nível do lobby dos humoristas de esquerda – e uma estreia logo a mostrar ao que vinha, na qual recorrendo a meias verdades levou a cabo um exercício de beatificação do destacado criminoso neo-nazi Mário Machado, este órgão que congrega a fina flor dos neoliberais fanáticos pela submissão total do Estado ao sector privado e dos saudosistas do Estado Novo, entre outros, nunca tentou esconder ao que vinha. Nem precisa. Eles são o que escolhem ser.

Ontem, este “jornal” teve mais um momento muito seu. Perante a decisão do juiz Carlos Alexandre de deixar o financiador socrático sair do cárcere para uma vida mais descansada no conforto do lar, ainda que com uma desconfortável pulseira electrónica na perna, a fotografia que ilustra o artigo do Observador não é de Carlos Santos Silva mas de José Sócrates. Por momentos pensei que o “animal politico” tivesse sido libertado mas não, era mesmo apenas e só Carlos Santos Silva. Fui espreitar outros jornais. No Diário de Notícias, a mesma notícia é ilustrada com uma fotografia de Carlos Santos Silva. No Jornal de Notícias idem. No I Carlos Santos Silva. No Expresso, apesar de Sócrates também dar o ar da sua graça, Carlos Santos Silva está em grande plano. Mas no Observador, o visado não parece ser relevante. Relevante é um José Sócrates cabisbaixo rodeado de repórteres de imagem a entrar num carro com ar de culpado. São agendas. Pedro Passos Coelho agradece.

Comments


  1. O Santos Silva está preso por algo que ele fez de grave ou por algo que Socrates fez? Sendo jornalista não me pareceria descabido ou forçado tal opção; isto mesmo desagradando as agendas sempre legitimas: Devem ter razão nas criticas ao Observador mas nunca tendo votado na direita, encontro jornalismo de boa qualidade ali, ideias inovadoras em muitos assuntos e quando se trata de opinioes que não gosto, faço o meu reparo e como no aventar nunca mas apagaram. A liberdade que eu acho que deve existir( e que em alguns dos locais de “esquerda caviar” apagam ou nem dão espaço para criticas


    • Não sei a que outros lugares da “esquerda caviar” se refere mas, no que a mim diz respeito, nunca apaguei comentários por simples discordância pelo que não entendo a alusão.

      O ponto de vista aqui patente é a forma como o Observador instrumentaliza a questão Sócrates em contraponto com a vista grossa que tem feito sobre alguns temas que colocam em cheque os partidos do governo. Um bom exemplo é o caso Webrand/Marco António Costa. Estão no seu direito e eu limitei-me a constatar um facto.

    • Nascimento says:

      Ó “Cristo”…tens cá disto?Ai, o “Cristo”, agora disfarçado de numerário, ainda ladra por estas bandas!!!
      Vê-se logo que estamos na época dos spins…ainda usas aquele logotipo tão giro? Olha, vai a penates até Turin que isso passa…


  2. A superioridade moral da esquerda e do articulista JM é espantosa. Ainda recentemente pudemos ver a “independência” da imprensa de esquerda, nomeadamente Público, DN e JN na forma como trataram os resultados das eleições na Grécia e no Reino Unido. Mas isso para o JM não conta nada. Um jornal de direita é que não tem o direito de existir. Valha-nos Santa Engrácia…


    • A superioridade moral? Qual superioridade moral? Foi a primeira porcaria que lhe veio à cabeça e limitou-se a arrotá-la Francisco?

      Acho muita piada ao conceito de imprensa de esquerda que algumas pessoas usam. O Público do Belmiro de Azevedo que ainda há bem pouco tempo tinha JMF na linha da frente é todo ele um braço armado do PCP. Enfim…

      Quanto ao argumento dos blogues afectos ao Observador, relativamente às capas dos jornais, e entre tanta coisa que lhe podia dizer deixo-lhe uma pergunta: o que lhe parece mais singular e digno de uma capa? Um partido de poder que volta a ganhar as eleições num país onde sondagem alguma o dava como efectivamente derrotado ou a primeira vez que um partido à esquerda dos blocos centrais europeus consegue ser eleito, ainda por cima no estado mais problemático da UE? Pessoalmente acho que tinha feito sentido ser dada mais relevância às eleições no Reino Unido mas daí até alinhar nessa manipulação dos blogues do regime vai uma distância muito grande.


    • Já agora, interessante que no outro dia, em vez de me criticar a suposta superioridade moral, tenha ao invés disso escrito o seguinte:

      “Boa! Finalmente alguém que coloca os factos ocorridos na perspectiva correcta. Por isso é que eu, leitor do Expresso desde os primeiros números, deixei de o comprar desde que RC se tornou director. Imaginava que um dia isto pudesse acontecer e aconteceu mesmo (ainda se lembram do célebre “O FMI já não vem”?). Enfim um jornal de referência transformado num pasquim.”

      Claro que, como a crítica atingia o PS/António Costa, já era a colocação dos factos na perspectiva correcta. Vê o que dá colocar rótulos por pura ignorância?

      • Nascimento says:

        Ó Francisquinho, por esta é que não estavas ….heheheh….
        inté ficas de cara á banda,ó patego! Apanhado na curva! Vá, vai lá ladrar pró Observador ou pra o Insurgente…béu,béu,béu…..

  3. JgMenos says:

    Nada como um chorrilho de invectivas para introduzir um fraco argumento.

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