O problema é que se sabe o que esperar da coligação

“Nós temos, portanto, de dizer às pessoas quais são as nossas prioridades, o que é que queremos fazer; com o resto, não se preocupem, as pessoas sabem com o que contam do PSD. Por isso é que nós não temos pressa de apresentar programas, nem medidas, nem ideias, porque temo-las apresentado consistentemente ao longo destes anos, e as pessoas sabem com o que é que contam da nossa parte“, afirmou Pedro Passos Coelho.

E o que se pode contar da parte desta gente é austeridade eterna.

Mais cortes nas pensões e mais cortes nos salários. Quanto às pensões, o governo ainda não explicou,  e nem vai explicar, como se constata pelas declarações de Passos Coelho, de onde vêem os 600 milhões que a ministra das finanças disse serem precisos. É o programa escondido,  para ser revelado depois das eleições. Quanto a salários, Cartoga, o ideólogo do programa deste governo, afirmou na passada semana, em duas ocasiões,  que se devia ter cortado mais nos salários. Se é isso que devia ter sido feito e não o foi, está claro o que é que a coligação vai fazer se voltar a ser governo. Novamente, o programa escondido, esse mesmo que Passos Coelho diz que não precisa de apresentar, porque os portugueses sabem o que esperar.

“Sabem que connosco não há um sistema perfeito — ninguém é perfeito, ninguém faz tudo bem —, mas as pessoas sabem que nós identificámos os nosso problemas e não tivemos medo de atacar a causa dos problemas”

O problema não é ninguém fazer tudo bem mas, isso sim, fazer tudo mal.

E Passos Coelho conseguiu demonstrar que é particularmente bom a errar. Errou na solução que apresentou para o país durante as eleições – esse famoso corte nas gorduras e nas fundações. Errou por ter ido mais além do que a troika, tendo conduzido o país a uma quebra na economia de tal ordem e, consequentemente, na receita fiscal, que obrigou ao “brutal aumento de impostos”. Errou no diagnóstico e errou na solução, como se constata por não ter atingido uma única das metas estabelecidas no momento de assinatura do tratado da troika.

Claro, há sempre a possibilidade do governo não ter fracassado. De a troika ter sido o pretexto para um programa não sufragado. Estes programas escondidos,   do mandato que agora termina e daquele que Passos Coelho quer exercer sem dizer ao que vai, explicam muita coisa que, de outra forma, se julgaria resultado da incompetência.

As pessoas sabem com o que é que podem contar. Eu dispenso, obrigado.

Comments

  1. Rui Moringa says:

    Eu, também dispenso.
    Lamento que esta democracia seja do tipo faz de conta:
    -agenda escondida,
    -dizer uma coisa e depois fazer outra sem nenhuma consequência política.

  2. Ruca says:

    O que eu posso esperar do PSD é que não vai alterar a lei das rendas. É que eu gastei todas as minhas poucas economias numa casa, porque já não há empregos para a vida e eu tenho de me precaver minimamente… E já estou a ver o PS a destruir totalmente todo o meu esforço de sobrevivência apesar das dificuldades dos últimos anos. Estou mesmo a ver que o PS, para dar a ciganos, me vai deixar ficar sem nada.
    Nisto Passos Coelho tem razão: Eu prefiro saber com o que conto.

    • Manuela Cunha says:

      Olhe que agora não é muito diferente: quem trabalha junto a bairros carenciados sabe e vê grandes carrões (últimos modelos de jipes BMW e AUDI) a sair de lá, conduzidos por pessoas que vão à Escola pedir ASE para os filhos e têm escalão A.

  3. NIKO says:

    Agora percebo porque o P C P ataca tanto o Partido Socialista ,a politica da direita e da extrema direita é a que interessa ao P C P .

  4. NIKO says:

    O drº Alvaro Cunhal sempre atacou a direita e defendeu a esquerda ,o srº Jerónimo ataca a esquerda e junta-se a direita ,porque será ?

  5. Manuela Cunha says:

    Podes vir ó Passos! Votei em ti enganada em 2011, debaixo de uma chuva de mentiras, mas não voto mais. Mais cortes, nas pensões?
    O meu pai trabalhou até aos 70 anos, fez 49 anos de descontos e vários concursos para subir na carreira. Disseram-lhe que ia receber uma determinada pensão, estava a receber e agora deixou, pois apanhou com mais uma das tuas mentiras. Está a receber metade da dita cuja. Tem a doença de Parkinson e com tudo o que precisa, o dinheiro não chega (e recebe muito acima da média). Para fazer face às inúmeras despesas tem ido às poupanças de uma vida inteira, que também acaba. Se lhe cortarem mais a pensão, então vamos pôr os meus pais à porta da tua residência pois não conseguem sobreviver com o que têm e nós não podemos valer-lhes. É uma escolha tua. É só dizeres. Quando começarem a chover velhinhos que já estão estrangulados com tantos cortes à tua porta com fome e sem qualquer hipótese de comprar o que é mais básico, se calhar assim vais ver o que é passar mal.
    Corta nas subvenções e nos benefícios fiscais e noutros que opto por não mencionar aqui.
    Regista. O voto lá de casa esquece.

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