Mais uma vez, Manuel Buiça, eles demonstram a tua razão

professor manuel buiça

É rotineiro, caro Manuel Buiça, de volta e meia voltam a insultar a tua memória sem se aperceberem que te estão a glorificar. Os do costume, herdeiros da vil aristocracia, esse gente medíocre e preguiçosa que durante séculos sugou a pátria pela qual morreste.

Nem se apercebem do ridículo, choramingam agora porque um jornalista invocou o pai que foste, e até nisso te sacrificaste. Querem retirar-te o estatuto de humano, tu que amaste, defendendo eles uma das muitas famílias artificiais como sempre foi da natureza dos matrimónios régios, gente que casava por razões diplomáticas, obrigada a viver com quem lhe encomendaram, com a consequência óbvia de se multiplicarem os bastardos e o gosto natural das rainhas pelos tectos elevados, que sempre lhes poupavam as testas.

Invocam que executaste um chefe de estado, sem cuidar da nula legitimidade de quem ocupa um cargo por herança, da sua responsabilidade na ditadura de João Franco, mas esquecendo que quem nasce com direitos superiores ao do comum dos mortais pode bem morrer para se igualar com eles, omitindo que o regicídio é um vulgar acidente de trabalho na vida de um monarca.

Omitem que livremente ofereceste a tua vida pela tua pátria (que não é a que eles vendem e foram ao longo de séculos traindo, capitulando perante Castela, Inglaterra ou França), pelo povo (que oprimiram), pela liberdade (palavra que os tiranos desconhecem).  Pelos valores em que acreditaste e dois anos depois virariam uma página na nossa História, fazendo de Portugal um país percursor no longo caminho para a igualdade e a democracia.

O ódio deles, a propósito da inauguração de um museu do luxo e ostentação da casa real, que em seus coches se passeava enquanto o povo os pagava feito burro de carga, é a melhor homenagem que podes ter, já que não nos deixam reconstruir o memorial que o povo de Lisboa te ergueu.  Até um deste dias, Manuel Buiça, eles voltarão ao ataque, e nós republicanos aqui estaremos para te defender.

fotografia Paulo Abrantes

Comments


  1. Conhecendo o habitual (muito) baixo nível das suas opiniões e dos seus textos, eu não deveria ficar surpreendido por você fazer a apologia de assassinos, a defesa do homicídio de um chefe de Estado (e do seu filho) de uma democracia, de uma Monarquia constitucional legítima. Mas confesso que fiquei. Isto é mau demais até para si.

    Não poderiam faltar as previsíveis e estafadas falácias histórico-intelectuais que tentam (e falham) justificar o injustificável: a «ditadura» de João Franco (que nada era comparada com as que vieram depois); as «capitulações» perante outros países; o 5 de Outubro de 1910 como início da democracia em Portugal (na verdade, foi o contrário). E é você «professor» de História? Pobres alunos! E depois há quem se admire com o deplorável estado da educação em Portugal…

    Porém, o que acho mais insólito neste seu vil texto é a desvalorização que faz do Museu dos Coches como um «museu do luxo e ostentação» da Casa Real. Acaso essa sua mente preconceituosa não compreende que os coches foram e são, além de veículos, também objectos de arte, feitos com competência, dedicação e talento por artesãos nacionais e estrangeiros, que deste modo são igualmente honrados, homenageados? Por essa «lógica» todos os outros museus, que albergam pinturas, esculturas e outros (valiosos) artefactos, outrora propriedades de outros ricos, famosos e poderosos, são igualmente espaços reprováveis porque simbolizam a «exploração do homem pelo homem», a «opressão» de uma classe pela outra. Já agora, pergunto-lhe: acha correcto que muçulmanos fanáticos, sempre que podem, e nos intervalos de morticínios de massas, tratem de destrutir vestígios arqueológicos e arquitectónicos de culturas e civilizações que não adora(va)m Alá, como antes a Al-Qaeda e os talibã no Afeganistão e agora o ISIS no Iraque e na Síria?

    Os seus colegas no Aventar, alguns dos quais eu muito admiro, deveriam repudiar esta sua «posta» vergonhosa. A ver vamos se isso acontece ou não. Há assuntos que estão, ou deveriam estar, para além das diferenças ideológicas.


    • O João Franco foi um notável democrata, a monarquia constitucional praticava a liberdade, a igualdade e a fraternidade, e tudo desapareceu com a malfadada república. Carlos I nunca pediu adiantamentos, dedicava a sua vida ao governo da nação preocupando-se com as condições de vida do povo, que como se sabe eram excelentes, tudo corria sobre rodas, nada de bancarrotas, de fortunas nascidas e desenvolvidas à sombra do estado; era um paraíso: uma vez ganhava um partido, outra vez outro (foi preciso mudar a lei eleitoral porque uns tais de republicanos subiam nas urnas, nada de especial, em breve, mais de 100 anos depois, repetiremos o gesto com os círculos eleitorais).
      Éramos um país feliz, falávamos grosso quando a Inglaterra (que nunca teve um seu súbdito a governar Portugal no séc. XIX) nos tentava impor os seus ditames, havia liberdade de expressão (nunca ninguém foi detido por não levantar o chapéu à passagem de uma procissão), fora pacífico acabar com o monopólio da ICAR no registo de nascimentos, óbitos e matrimónios, e sobretudo a família real vivia do seu trabalho, entre Lisboa e Vila Viçosa, nos palácios construídos com o suor do seu rosto.
      E depois o facto de os reis serem reis por jurisprudência divina não permite ao comum dos mortais testar a sua imortalidade.

      O resto são falácias, não é verdade?

      (essa da arte até para si ultrapassa um bocadinho a imbecilidade que gosta de praticar – quando aprender a ler, falamos)

    • A.Silva says:

      Para este senhor o Buiça que matou o Rei é um criminoso, já o Rei que matou ou foi responsável pela morte de milhares de portugueses é um “santo”. São assim esta gente miserável, sempre prontos a defender os criminosos do estado.

      Actualmente deve ser dos que defende também criminosos como coelhos, portas e cavacos.

      Gente miserável

      A.Silva


  2. A ver se percebo. O JJC alinha do lado do republicano Alabama. Isto é: a favor da pena de morte!
    Mas folgo em saber que 115 anos após termos expulsado os “herdeiros da vil aristocracia que durante séculos sugou a pátria”, estamos agora finalmente ricos e senhores dos bens da pátria.


    • Sou contra a pena de morte aplicada a humanos, nada tenho contra que se pratique com nomeados pelos deuses (eles que os imortalizem). Já agora, discorda da sua aplicação ao Miguel de Vasconcelos?
      No séc XIX é que estávamos bem, não era?


      • Discordo. E estivemos pior em mais de metade do século XX.


        • Nem o Salazar conseguiu ser pior que uma guerra civil.


          • Chama-se a isso a paz dos cemitérios.


          • Fica registado que JJC elogiou Salazar. Algo que eu nunca fiz nem nunca farei.


          • Fica é registado que além de defender Pinochet (como bom fascista, perdão, neoliberal) também não sabe ler.
            Ambas as coisas estão relacionadas, ó se estão.


          • Onde e quando é que eu «defendi Pinochet»? Prove-o.


          • “Salvador Allende suicidou-se; não foi assassinado.”


          • Fascista é você, que advoga a violência contra chefes de Estado legítimos e democraticamente eleitos, e que persiste em propagar a mais patética propaganda, feita de desonestidade intelectual, ignorância e mentira. Que, à falta de verdadeiros argumentos, repete infantilmente que aqueles que de si discordam «não sabem ler». Iliteracia é, na verdade, um problema seu; e se houvesse rigor na avaliação de professores deste país você há muito que já teria sido impedido de «ensinar»…

            … Mas, enquanto isso não acontece, vou dar-lhe algumas lições de História. Com factos.

            Augusto Pinochet pode ter sido, e foi, culpado de muitos crimes, directa e indirectamente, mas não o foi da morte de Salvador Allende. O corpo deste foi exumado e autopsiado em 2011, e a conclusão unânime da equipa que o observou foi a de que ele se suicidou com uma espingarda automática – a AK-47 que Fidel Castro lhe oferecera. Até a família de Allende, pela voz da filha Isabel, concordou. Se o então presidente do Chile não tinha efectivamente forma de fugir, também não se pode afirmar com certeza que seria executado se fosse capturado vivo pelas tropas leais a Pinochet.

            Agora, sobre Salazar e a guerra civil (do século XIX)… Fica também registado que você teria preferido que aquele conflito fratricida (literalmente, pois os líderes das duas facções eram irmãos) não tivesse ocorrido, o que significaria muito provavelmente que D. Miguel, não tendo sido desafiado por D. Pedro, se manteria no poder e a sua linhagem e «filosofia política» teriam prevalecido. Uma das consequências (e vantagens ;-)…) óbvias desse cenário hipotético seria a de que o Partido Republicano muito dificilmente teria sido fundado e/ou autorizado.
            Do que porém não restam dúvidas é de que Salazar conseguiu efectivamente ser pior do que uma (aquela) guerra civil: por culpa do «Botas», directa ou indirectamente, morreram muitas mais pessoas do que as que morreram nas batalhas entre absolutistas e liberais. Antes de mais, os opositores políticos que foram assassinados pela PIDE – entre as quais o meu primo Carlos Pato, irmão do Octávio; a seguir, e principalmente, os que morreram nas três frentes da Guerra do Ultramar, consequência da estreiteza de vistas, da falta de visão estratégica de longo prazo, da tacanhez do ditador de Santa Comba Dão, que não quis proceder, atempadamente, a um processo de descolonização pacífico e progressivo, e que poderia e deveria manter ligações privilegiadas entre os novos países africanos independentes e Portugal; depois, os que morreram nas guerras civis em Angola e em Moçambique, e nos sucessivos golpes de Estado na Guiné, tudo resultados de uma descolonização apressada, desastrosa e vergonhosa – mas que, lá está, era quase inevitável depois de tantos anos de uma suicidária insistência salazarenta na manutenção do «Império».

            Eu sei realmente «relacionar as coisas». Quanto a você, e a julgar pelas «amostras», é de duvidar que saiba somar dois mais dois.


          • Esse facto de que a guerra civil, que durou décadas, matou menos do que o Salazar, é de LSD.
            O concluir que tenho alguma coisa contra a revolução de 1820, ou contra que o usurpador tivesse sido corrido (o problema está em terem-lhe dado poleiro e matrimónio, obra e graça da Joaquina) é de psilocibina.
            Não ver que Allende foi bombardeado, e se fez o que outros tinham feito quando foram derrubados por um golpe da CIA, e que obviamente seria sempre assassinado como o foi Letelier, e que a sua defesa de Pinochet está na mola com que saltou a afirmar que não foi assassinado, é de mescalina.
            Já o rei Carlos no ramos dos “chefes de Estado legítimos e democraticamente eleitos” parece-me delírio natural.
            Dizem que a medicina tem feito progressos fantásticos e se não cura pelo menos reduz muito essas coisas.


          • D. Carlos e Salvador Allende têm (tiveram) pelo menos um (importante) ponto em comum… ou talvez, pensando melhor, dois: ambos foram, em países, épocas e contextos diferentes, chefes de Estado legítim(ad)os pelo voto popular – e, sim, o Rei português também, pois a sua confirmação como soberano resultou da aclamação – isto é, da aprovação, da ratificação – feita pelos deputados no parlamento em S. Bento; e ambos morreram na sequência de actos criminosos (atentado um, golpe de Estado outro) contra eles (e não só) – com a diferença, claro, que D. Carlos foi assassinado e Allende se suicidou.

            Ainda quanto à guerra civil portuguesa, eu diria que entre 1828 e 1834 apenas distam seis anos e não «décadas». Não foi por acaso que eu supus que você tem dificuldades em contar… Contudo, duvido de que esse problema seja solucionável por qualquer medicamento ou droga – um campo em que, pelos vistos, você tem um conhecimento alargado, o que até explicaria muitas coisas.


          • Entre 1820 e 1851 Portugal esteve em guerra civil, e a bem dizer nem acabou totalmente aí, vd guerrilhas como a de João Brandão ou a do Remexido.
            Quanto à aclamação de um rei nas cortes o legitimar democraticamente, não chegou a ter piada, mas foi um bom esforço.

  3. maria celeste ramos says:

    A falta de tema que valha a pena tratar ronda a DEMÊNCIA – pena “aventar” (que também já não é o que era quando começou) – cá espero que aventem melhor – porque VENTA tanto que até as mais altas e velhas e fortes árvores algumas até classificadas como Património vegetal são deitadas ao CHÂO~
    Mas nem são apenas as árvore – é o todo do pais milenar mas já nem me espanto pois que depois de ver os enunciados dos exames de português e sobretudo de matemática de agora – eu que fui boa aluna e adorava MAT e fiz muitas cadeiras de ciências exactas (todas as do IST) – teria ZERO pois nem interpretar a pergunta consegui – Mesmo assim os que querem sair por não terem emprego em casa são FIGOS doces e maduros para os países dessa miserável UE que ainda não rejeitou nenhum – se calhar também têm um OA lá de cima – ou várias BOLONHAS – em Bolonha estive já mas não a TENHO

  4. Jorge Silva says:

    A liberdade, a igualdade e a fraternidade, são princípios nobres, mas que, a meu ver, apenas tem servido para manipular e atiçar o homem da rua contra o poder dominante, de forma que outros, ambiciosos e gananciosos, se possam instalar no poder. E logo que os novos ocupantes do poder se sentem confortáveis, o homem da rua é novamente remetido para a sua eterna condição de Zé Ninguém. Isto não se passou só com a última revolução ocorrida em Portugal a 25 de Abril de 1974, como, 30 anos depois, é agora bem perceptível. Este processo tem sido repetido com eficácia de há alguns séculos para cá. Veja-se a revolução inglesa de 1640; A Revolução Francesa de 1789; A Revolução Liberal de 1820 em Portugal; A Revolução Republicana de 1910 em Portugal; A Revolução Russa de 1917. Em todos este eventos a participação popular anónima, incentivada por promessas de uma vida melhor, foi fundamental para a tomada do poder pela corrente de interesses dos mercadores-cambistas. Portanto, na minha reflexão, o Buiça, e os outros carbonários, foram apenas um mero instrumento ao serviço da internacional iluminista, o ramo filosófico dos mercadores-cambistas.. E considerando que os segredos mais profundos (ou superiores) desta corrente não podem ser difundidos pelo profano zé ninguém, o que se compreende tendo em conta a sua incapacidade mental, parece-me claro que a tão apregoada “liberdade, igualdade e fraternidade” não passa de banha-da-cobra para incautos.

  5. caramelopipi says:

    Aos Buíças, que a TERRA LHES SEJA PESADA COM A SERRA DA ESTRELA EM CIMA……. CRIMINOSOS…. REGICIDAS….


  6. Desconhecia a existência de tantos saudosistas monárquicos.


    • A maioria da nossa direita é monárquica, João. Uns mais assumidos, outros mais discretos. Deve ser herança da forma como Salazar lidou com os supostos Braganças, embora esse não fosse parvo e se tenha recusado a entregar-lhes poder. Nomear chefes de estado era mais seguro e evitava riscos.


    • Ficara mais surpreendido quando descobrir que uma grande parte desses monárquicos ainda é da facção Miguelista.

  7. João Soares says:

    Excelente “post” !
    Os lamurientos “Viscondes” são os mesmos que eu vi lavados em lágrimas quando o Salvador Allende foi ASSASSINADO ?


  8. De todas as irracionalidades é a imbecilidade de casta a mais nojenta, só comparável a quem manda ajoelhar o povo para servir aquela.
    Fico sempre na dúvida, qual será o arquétipo dessa casta, o “principezinho” assassino, que se diverte a massacrar pessoas como se um joguinho de vídeo fosse, ou o bronco que mija nos cantos das exposições?
    Tens carradas de razão Robespierre.


  9. O que mais importa foi o Tondela que subiu à 1ª liga, coisa que nunca tinha acontecido no tempo da monarquia. Só por isso valeu a pena a implantação da República. Viva o Tondela.

  10. Zabka says:

    Grande Buíça, um verdadeiro herói!

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