Sobre a tempestade grega

Greek Storm

O ponto de não retorno talvez já tenha sido transposto. A entropia está em marcha. Portugal está agora na linha da frente da crise europeia. Como estava previsto no relatório da UBS, de setembro de 2011, sobre as graves consequências da eventual saída da Grécia da zona euro. Ou no relatório da Fundação Bertelsmann, de setembro de 2012, que vinculava a saída da Grécia à queda de Portugal, e a custos astronómicos para toda a zona euro, incluindo a Alemanha. Durante cinco anos a Grécia funcionou no dominó disfuncional da zona euro como um dique protetor perante as fragilidades de Portugal. Um governo português, formado por pessoas medianamente inteligentes e patrióticas, teria apoiado, mesmo que moderadamente, qualquer governo grego, fosse ele do Syriza ou de qualquer outro partido. Deveria fazê-lo por razões jurídicas e morais, mas também por puro egoísmo político. A Grécia era um dique protetor do interesse nacional. Infelizmente, o governo de Passos Coelho e o seu eco de Belém fizeram tudo para humilhar, enfraquecer e fragilizar Atenas. Agora, só um milagre poderia evitar que o dique grego se desmorone. Os nossos juros estão a subir, a desvalorização do euro significará desequilíbrio externo e perda do valor do aforro. Os “cofres cheios” vão começar a ser esvaziados. Quando mais precisávamos de estadistas, limitamo-nos a ter em Portugal os veteranos que utilizaram a malha larga da política partidária para se promover. Nos tempos de fartura, isso seria suportável. Pelo contrário, nos dias excecionais, como os que estamos a viver, tanta incompetência pode ser mortal para a sustentabilidade do Estado. Se ao menos houvesse o decoro de permanecer em silêncio.

O dique grego, por Viriato Soromenho-Marques [DN]

Foto@The Telegraph

Comments

  1. Patrícia says:

    CrowdFunding a bailout fund for Greece. By the people, for the people.
    https://www.indiegogo.com/projects/greek-bailout-fund#/story


  2. Olhando para o caos interno(desmantelamento do sistema bancario e reformados a levantar 120E por semana e zero no combate a corrupção) diria que os nossos tiveram faro ao ver que eram gente muito incompetente. Sobre as negociações e futuro da Grecia rapidamente(antes das nossas eleiçoes) ficaremos a ver na realidade se os nosso decidiram mal e poderemos acertar o voto.

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