Não te preocupes, está tudo bem!

Não penso

A corrupção não existe. A corrupção, o tráfico de influências ou qualquer forma de clientelismo. Pelo menos na política. Existem uns quantos chanfrados, que se escudam nestes argumentos patéticos como forma de desculpar a sua inércia enquanto pessoa, enquanto empreendedor, porque na verdade não passam de invejosos egocêntricos que mais não sabem fazer do que se queixar e criticar.

São tudo teorias da conspiração. Um político quer, por princípio, ser reeleito. Existem leis que impedem delitos. Existem grandes escritórios de advocacia que ajudam na criação dessas mesmas leis para que se tornem infalíveis. E também esses escritórios querem continuar a trabalhar e o Estado, os organismos públicos, são clientes que pagam e que por norma são muito sérios. Até porque alguns dos seus funcionários são também funcionários do Estado logo seria uma loucura achar que estas pessoas, idóneas, seriam potenciais criminosos.

Infelizmente existem aqueles que se dedicam a esmiuçar estes assuntos. Que vêm corrupção, tráfico de influências e clientelismos em todo o lado. E nós, povo, precisamos de desculpas para a nossa incapacidade de progredirmos enquanto sociedade. Precisamos de bodes expiatórios. Queremos sangue, culpados, queremos responsabilizar alguém. E quem melhor do que aqueles que estão sob os holofotes mediáticos e que se expõem pelo bem comum?

Portugal está melhor. A Europa está melhor. Se existe quem não tenha emprego, quem não tenha o que comer ou como pagar as suas contas, é porque essas mesmas pessoas são desleixadas, não se esforçam, querem tudo feito de mão beijada. Os nossos políticos, aqueles que nos têm governado, são seres humanos de bem, gente que vive em função da comunidade. Sócrates é um injustiçado, os banqueiros debaixo de fogo são injustiçados e os gestores públicos que com as melhores intenções fizeram swaps que correram mal são injustiçados. No fundo deram o que podiam, mas nem sempre correu como esperado.

O problema somos nós, uma sociedade civil fraca e incapaz de reconhecer a boa-fé, a dedicação à causa pública. A dedicação ao bem-estar comum. Somos mal-agradecidos e passivos no sentido de nos acomodarmos a subsídios e outras formas de parasitismo. Somos ingratos. Pensamos no nosso umbigo quando devíamos pensar no todo. Nas pessoas. No país. Na humanidade. Somos fraca rés.

Está na hora de mudar. De deixarmos de nos ocupar com detalhes como o jota que conseguiu um emprego no sector público apesar de não ter habilitação para isso ou do político que até entregou um negócio a uma empresa da qual recebe uma avença. Se isto acontece, é com certeza em prol do bem comum. Mas nós, na nossa apatia de rebeldes sem causa, a partilhar escândalos nas redes sociais ou a criticar uma determinada decisão que, inesperadamente, acabou por causar alguns prejuízos, insistimos em fazer parte do problema e não da solução. Até porque, se elegemos quem elegemos, é porque lhes reconhecemos capacidades. Está na hora de, de uma vez por todas, nos remetermos ao nosso canto, trabalhar e pagar impostos, e deixar as mais altas tarefas para quem sabe. Afinal de contas, Portugal não é a Grécia.

Acabemos de uma vez por todas com estas revoltas para depois deixarmos tudo na mesma. Basta de indignações vazias que não passam da mesa do café. Basta de manifestações até à hora do jantar. Coloquemos um ponto final nos radicalismos, nos lirismos e nas utopias fanáticas. Até porque, na generalidade, votamos sempre nos mesmos, ou nem sequer nos damos ao trabalho de votar. Porque que raio nos queixamos nós? Paremos com isto amigo e conterrâneo português. E não te preocupes, está tudo bem.

Comments


  1. Nós bem tentamos alertá-los mas a maioria das pessoas tem mais interesse pelo futebol do que pela política, sem perceber que se quando o seu clube perde nada de importante lhes acontece, mas que quando um mau político é eleito muitas coisas graves lhe podem acontecer, entre elas, por exemplo, ter que pagar as contas decorrentes das atitudes desse político.

  2. Aventanias says:

    Até doi …

  3. irreversivelmag says:

    Muito escreves em tão pouco texto. Pormenorizado dava para fazeres em capítulos.

  4. Aleup says:

    eu acredito ser uma dessas pessoas que acha que esta tudo bem e nem fui votar nem reclamo fora da minha area de acção, também gosto de esmiuçar as coisas e pude concluir que o sistema é auto sustentável em termos de propósito . o grande problema é a luta pela hierarquia social , claro que tem a ver com dinheiro , as pessoas tambem têm problema de inercia ,mas são é mal educadas em termos de consciencialização , porque o ideal de vida que a sociedade nos propõe vai de encontro a um ciclo de consumo que nós sustentamos acabando por cair num padrão de comportamento geral.
    Se compro algo mais caro ou mais raro que o mais barato ou comum compro algo para me identificar como diferente ou superior , se tenho escolha, alimento o padrão que me forneçe a escolha e reclamo com a falta de escolha e a escolha obrigatória, e nenhuma foi criada por mim , pois as consequências que criaram as escolhas na sociedade têm bases fora do nosso tempo de vida. podemos criar um futuro utópico , mas teríamos que abdicar de tudo o que alimenta o ciclo vicioso , para começar basta desligar a televisão que deixam todos de partilhar as mesmas opiniões e escolhas em seguida pensa em ti e se os teus objectivos são teus em vês de acharmos que temos a solução para todos dar mos uma soluçao a todos. e depois na realidade esta tudo bem


  5. Uma data de verdades. O marido da ministra das finanças está a ser investigado.Desconfio que anda aí a politização da justiça. Ultimamente tirando o Vara e Socrates só investigam malta da direita.


    • Mas curiosamente só vão dentro os de esquerda. pelo menos no universo dos cães grandes. quanto a banqueiros nem vale a pena falar. é só isenções e imunidades…

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  1. […] da construção civil, com certeza do lote daqueles que nunca corromperam um político – algo que como sabemos não existe – para conseguir aquele negocio ruinoso da praxe, trata-se do amigo de Ricardo Salgado que […]

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