Muito já se escreveu sobre os resultados das legislativas de ontem. Quem ganhou, quem perdeu e outras afirmações ao mais puro estilo do pontapé na bola. Falta descobrir uma coisa: para onde foram os cerca de 800 mil votos da coligação?
Alguns podem afirmar que foram para a abstenção. Os números dão a entender que foi a maior abstenção de sempre em legislativas. Será mesmo assim? Tenho dúvidas. Aceitando que cerca de 500 mil portugueses deixaram o país nos últimos quatro anos e que os cadernos eleitorais continuam por rever (a quem interessa tal???), talvez a abstenção tenha, na realidade, sido menor que noutros anos – algo que já foi discutido e sentido em 2011. Mesmo assim, existiam menos de 200 mil eleitores nos cadernos eleitorais (9.439.711) em relação a 2011 (9.624.133) e acresce outros 200 mil que desta vez não votaram.
A coligação PàF venceu de forma clara mesmo tendo perdido mais de 834.597 mil votos e aqui reside a grande dúvida, para onde foram eles? O PS subiu 172.112 votos. Por sua vez, o Bloco de Esquerda subiu 260.180 votos e a CDU cresceu 2.467 votos. Ou seja, os partidos da esquerda tiveram mais 434.759 votos que em 2011. A abstenção cresceu cerca de 200 mil e outros tantos desapareceram dos cadernos eleitorais. Só nestes somatórios temos mais de 800 mil votos. Aparentemente, a explicação está aqui, nestes números.
E olhando, assim a cru, para estes números podemos ter aqui uma das grandes surpresas da noite: será que 260 mil eleitores da coligação em 2011 rumaram para o Bloco em 2015? Fica a pergunta.
(Note-se que as coisas não são assim tão simples e isto é um mero exercício de livre interpretação dos números, nada de confusões).








Se calhar foi um troll que os levou com o palhaço no comboio ao circo.
Foram para o PS, e quase outros tantos foram do PS para o BE.
Bem, exagerei, foram muitos para a oposição, para a CDU e houve outros que ficaram no PS. Mas será por aí, o PS não convenceu.
Ou então os de 2011 e alguns deste ano foram falsos…
O PS apelou ao voto útil para derrotar a direita. A direita foi derrotada, perdeu a maioria e centenas de milhares de votos. Por que é que o PS afirma que a direita venceu e deve formar governo? Vai “utilizar” os seus deputados para viabilizar um governo da direita?
Marinho Pinto
Quanto aos números que apresenta, não me parece estarem de acordo com os dados disponibilizados em: http://www.legislativas2015.mai.gov.pt/territorio-nacional.html.
Por outro lado, os dados disponibilizados também não estão de acordo com o mapa oficial de recenseados publicado no DR de 10 de Agosto de 2015: ignoro a razão, embora me pareça que se trata de cidadãos eleitores, ainda não recenseados, que compareceram nas urnas por terem completado 18 anos até aod ia 4 de Outubro de 2015; mas a diferença é para menos, e não para mais, o que ainda mais me deixa intrigado.
Questionei o MAI, por mail de hoje. Vou aguardar.
Finalmente, o tratamento destes números deveria, acho eu, aguardar os resultados dos dois círculos que faltam, porque vão influenciar, e muito, a taxa de abstenção, que subirá ainda mais, embora a distribuição de mandatos possa ficar igual à de 2011 (admito, mas é de aguardar).
Uma boa questão, de facto, será a de saber para onde foram os 800.000 votos que identifica.
Quando nem se espera pelos votos dos circulos da europa e de fora da europa. Não quantos são mas são assim tão insignificantes?
Não vejo o desenvolvimento do excelente ponto: os que foram para o estrangeiro. Fez bem a menção, mas onde contabiliza os 500 mil emigrantes, que calculo, nem tiverma tempo, nem oportunidade e vontade de se resenciarem?
na bastenção? no caos dos cadernos eleitorais? magia?
A diferença de votos entre os partidos da coligação em 2015 e 2011 é de 742.353 (sem contar a emigração). Portanto, já estão explicados mais de 57 mil (ou seja, mais 20 mil do que os que o Livre teve) dos “800 mil votos”. Parecem as contas da minha mãe…