Traições eleitorais

image

Tenho assistido à propagação de um certo argumentário sobre o PS trair os seus eleitores caso um acordo pós-eleitoral com o PCP e com o BE se concretize. Se o aceitarmos como válido, então a direita tem que explicar porque é que um acordo pós-eleitoral com o PSD e com o CDS não é uma igual traição. Ou alguém em plena posse das suas faculdades mentais acha que quem votou no PS estaria à espera que Costa se juntasse a Passos e a Portas para formar governo? Ganhem juízo. Na verdade, depois de Costa ter admitido que não aprovaria um orçamento da direita, ficou bem claro que esse bloco central não existiria. Traição é permitir que uma minoria chegue a comandar a maioria.

Comments

  1. Edgar says:

    Estranho, muito estranho mesmo. é ver-se militantes do PS a preferirem a continuação do governo da direita a um governo do PS.

  2. Nightwish says:

    Não, mas estavam à espera de eleger a direita em 2011 só pelo partido, não pelas promessas que nunca foram cumpridas.

  3. Hugo says:

    Então porque não cumprir a vontade manifestada pelo eleitorado e empossar um governo PSD-CDS com maioria relativa no parlamento?

    • j. manuel cordeiro says:

      Exacto. E aproveita-se para fazer de conta que 38% dos votos são a vontade do eleitorado e a tal estabilidade com que Cavaco encheu a boca.

      • Hugo says:

        Era a primeira vez que um partido com 30 e tal % dos votos era chamado a formar governo? Por essa ordem de ideias nunca havia governos minoritários, porque a maioria tinha votado noutros. Além do mais, as últimas declarações de PC e BE dão a entender que não vai haver aliança para a legislatura, mas sim análise projecto de lei a projecto de lei. Por outras palavras, lá se vai a estabilidade e o PS está tão sozinho no parlamento como a PàF, mas há quem ache que 32,3 > 38,4.

        O facto incontornável é que nas últimas eleições 38,4% quis um governo de maioria relativa no parlamento. 50,7% quis três (duas, vá) coisas diferentes, entre a manutenção ou não de um espírito europeísta e o cumprimento ou recusa dos compromissos internacionais. Foi isto que foi a votos.

        Se o eleitorado quisesse estabilidade tinha dado maioria absoluta a uma das forças políticas que foi a votos. Não o fez, é porque não o quer. Cumpra-se a sua vontade, com as consequências que daí possam advir.

        • j. manuel cordeiro says:

          Concordo. Tudo depende do que os 3 partidos da esquerda conseguirem. Como entendimento. Se PCP e BE não forem também para o governo não existirá estabilidade à esquerda.

          Mas a linha do post é outra: é sobre a argumentação usada para contrariar uma eventual maioria de esquerda.

Trackbacks


  1. […] Fonte: Traições eleitorais […]