Conversas sem gravata

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Ouvi com interesse a emissão diferida do último debate da série Conversas sem gravata, uma audaz iniciativa do Sindicato de Jornalistas. Falava-se sobre os negócios passíveis de assegurar a sobrevivência do jornalismo – sendo certo que, ao menos nesse plano, há soluções, umas tentadas e outras ainda não. João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, disse coisas interessantes, que denotam um conhecimento profundo do tema e pensamento estruturado e prospectivo sobre as estratégias vindouras de financiamento do jornalismo.

No que respeita à maneira de encarar o mundo dos mercados da informação (deve ser assim que se chamam) pelos jornalistas portugueses, as coisas parecem-me ainda turvas. A Agência Lusa anda aos papéis – embora eu não perceba porquê. David Diniz está contente com o Observador – e também neste caso não percebo porquê, atendendo ao fraco jornalismo que por lá se faz.

Já Pedro Santos Guerreiro, deixou o Jornal de Negócios (onde se faz actualmente um jornalismo “analógico” no pior dos sentidos, aplicando à plataforma web os princípios obsoletos do papel) para ir fazer o Expresso Diário – online bem feito, cuja cadeia de valor assentará porventura e justamente no facto de não ser o resultado de uma transposição do papel para o online, dessa forma não transportando as lógicas e os procedimentos que vêm do papel.

E não posso deixar de pensar que está ainda por tentar um projecto jornalístico inovador de Língua portuguesa. Necessariamente online, pois o papel acabou. Competitivo e de qualidade  – sim, é possível, com investimento e jornalistas não-constrangidos por administrações que investem quase tudo em tecnologia e pouco ou nada em jornalistas preparados para o digital.

Notem que escrevi *jornalistas* e não técnicos de comunicação e de mais não-sei-o-quê-vagamente-aparentado-ao-jornalismo, produtores de conteúdos (ah, esta palavra que é um verdadeiro chapéu eufemístico para todo o entretenimento de encher – daí conteúdos, lá está – gerador de pageviews de metrologia duvidosa) e estagiários a 500as patacas.

Depois de Cavaco sinto que tudo é possível. Sou uma idealista, bem sei, bem sei.

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  1. […] como o concebo, tem muitas dificuldades em ter um lugar – não por causa da revolução digital, nem por causa dos novos modelos de negócio que neste momento se tentam para o jornalismo, mas, sobretudo, na minha opinião, por causa da dificuldade que o jornalismo tem em ser um […]

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