O poder é um cobertor quentinho num Inverno rigoroso

Não se quer largar, quando o conforto cria calo. Especialmente se com ele já se contava para mais uma temporada. É isto que me ocorreu quando ouvi o reaparecido Marco António Costa, vindo da sua travessia no deserto eleitoral, dizer que uma moção de rejeição não tem que levar, necessariamente, à queda governo.

Ora, como é que tal seria possível? Basta que Cavaco decida manter o governo em gestão, ligado à máquina dos duodécimos, em vez de dar posse à alternativa de esquerda. Lá está, o poder que não se quer largar.

Neste movimento de spin, MAC revelou, ainda, o que será o programa do novo governo PSD/CDS, quando afirmou que o programa eleitoral socialista “tem muitos pontos de contacto” com o da PAF. Vislumbra-se a táctica de clonar o programa do PS para ganhar um argumento quando a esquerda o chumbar. Que se lixem as afirmações de campanha sobre irresponsabilidade socialista. Um cobertor quentinho dá jeito e o Inverno da oposição está à porta.

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Comments

  1. Maria says:

    A PaF comporta se como os gatos teimosos que vão dormir para a cama dos donos e que depois de instalados só saem se forem postos de lá para fora e a porta do quarto fechada. Só que os bichanos têm infinitamente mais graça que esta gente, não mentem (só de repente estou a lembrar me dos 35 % vs 9% da sobretaxa) e sabem respeitar a mão que os alimenta.
    Por outro lado, tenho eu ideia de que em 2011 durante a campanha electoral CDS e PSD também concorreram a solo, coligando se a seguir às eleições, por via da tradução dos resultados eleitorais em mandatos na Assembleia da República e legitimando – como deve constitutional/ ser – aquilo que à data foi a maior expressão do eleitorado que votou em casa um dois 2 partidos . Repugna me e preocupa me que neste discurso da PaF, do PR e de tanta gente agarrada ao cobertor do poder, se trate como portugueses de segunda categoria todos os que não quiseram votar na PaF, em desrespeito pelos princípios democráticos. A ser assim, corremos sérios riscos de deixar entrar a raiz dessa erva daninha do totalitarismo…
    Repugna a falta de coerência desta gente, que sabe fazer o salto para um passado de governos minoritários nos idos de 80 e 90 do século passado mas recusa se a recuar só a 2011…