Abaixo a estabilidade governativa!

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Miguel A.Lopes,EPA

É evidente que não basta que os nossos defeitos sejam iguais aos dos outros para que sejamos melhores. Ser igual a outro que padeça dos mesmos vícios deveria ser fraco consolo, especialmente se o outro for agressivo, desonesto ou mesmo portista.

Ainda assim, não deixa de ser divertido assistir ao triste espectáculo de ouvir e ver gente como Passos Coelho e Paulo Portas a acusar outros de falta de seriedade e de desonestidade e de golpadas. É importante não esquecer, por exemplo, que Passos Coelho ganhou eleições com base em mentiras.: não ia aumentar impostos, não ia cortar salários, não ia sobrecarregar a classe média.

É igualmente tocante a enorme preocupação de Cavaco com a solidez das propostas de António Costa, já que, apesar de ser Presidente da República, conseguiu desprezar a Constituição de que deveria ser o primeiro garante, explicando que não há nada mais importante que o Orçamento de Estado. Além disso, manteve em funções um primeiro-ministro que fez exactamente o contrário do que prometeu e não tem um comentário a fazer ao facto de esse mesmo primeiro-ministro, sem surpresas, ter anunciado, antes das eleições, que devolveria 35% da sobretaxa de IRS cobrada em 2015, devolução essa reduzida a zero menos de dois meses depois.

Quer dizer que estou confiante na aliança mais ou menos de esquerda que liga o PS aos outros partidos? Nem por isso, mas olho para o futuro da governação de modo muito descontraído, porque há valores que, de tão erodidos, deixaram de fazer sentido.

Um desses valores é o da estabilidade governativa. Os políticos usam essa expressão como se tivessem na boca o Santo Graal.

Infelizmente, há demandas que só interessam à literatura. Em oito dos últimos dez anos, tivemos duas maiorias absolutas, o que equivale, já se sabe, a ‘estabilidade governativa’. Resultado: a maior parte dos problemas económicos manteve-se ou agravou-se, a emigração desesperada aumentou, a vida das pessoas, apesar de pouco importante, piorou.

Voltando, ao princípio, e sem prejuízo de vir a pensar mais a sério sobre o assunto, fico-me, por enquanto, pelo fraco consolo de saber que quem fala dos defeitos daqueles em quem votei não merece credibilidade, para além de já ter tido oportunidades suficientes para (se) governar. Venha de lá um governo instável que seja obrigado a preocupar-se com as pessoas, mesmo contra vontade, só porque não está em maioria.

Comments

  1. joão lopes says:

    o passos que se preocupe a serio com a estabilidade “governativa” …dentro do PSD,porque depois da votação da IVG ,quem parece Fracturado(as tais causas fracturantes) é mesmo o PSD(fora a bem lembrada devolução da sobretaxa,que como toda a gente sabe era uma promessa-mais uma-para não ser cumprida)