Foi disto que nos livramos. Uma lista para a posteridade


XX GOV

Ainda o novo governo não tinha sido empossado e já alguns representantes da ala ressabiada à direita nas redes sociais disparavam contra os escolhidos por António Costa, essencialmente por existirem, e iniciavam um processo de difamação dos mesmos, ao bom velho estilo Maria Luz. Apeados do poder e privados do monopólio do tacho, elites, colaboracionistas e respectivo rebanho da ressabia estão e fúria e o espectáculo está a ser bonito de ser ver. É sempre interessante ver o que está por trás da máscara dos falsos democratas.

Os melhores argumentos até ao momento são que um é filho do Mário Soares, outro é advogado do Sócrates, uma não sabe escrever e um outro foi mesmo ministro do infame nº44. 

Inspirado por esta onda de indignação, elaborei uma lista alternativa à lista das virgens ofendidas da direita. Ofendidas e sempre dispostas a proteger os seus traficantes de influências, gestores danosos, boys e quejandos.  Ora vamos lá:

  1. Pedro Passos Coelho (primeiro-ministro cessante): figura central no caso Tecnoforma, sob investigação do Organismo Europeu de Luta Antifraude. Fuga ao fisco. Violação do estatuto de deputado em regime de exclusividade;
  2. Paulo Portas (vice-primeiro-ministro cessante): Caso Moderna. Dossier Submarinos. No dia da sua demissão irrevogável, a bolsa portuguesa registou perdas de 2,3 mil milhões de euros e os juros da dívida subiram para a casa dos 8%. Recuou após ser promovido;
  3. Rui Machete (ministro dos Negócios Estrangeiro cessante): ex-presidente do conselho superior da SLN, dona do BPN, facto que omitiu do seu CV quando chegou ao governo. Envergonhou o país quando pediu desculpa ao regime ditatorial angolano por uma investigação legal em curso;
  4. Maria Luís Albuquerque (ministra das Finanças cessante): responsável pela execução e aprovação de vários swaps altamente danosos para o erário público enquanto directora financeira da Refer e dirigente do IGCP, contribuindo para a ruína financeira destas empresas públicas;
  5. José Pedro Aguiar-Branco (ministro da Defesa cessante): negócios pessoais com funções governativas parecem misturar-se. Nomeou ex-assessores para funções chave em empresas públicas que posteriormente transitaram para empresas privadas habitualmente incluídas em comitivas do ministério por si tutelado;
  6. João Calvão da Silva (quase ministro da Administração Interna): autor do parecer que procurou provar à justiça portuguesa que uma “prenda” de 14 milhões de euros, oferecida por um empresário a Ricardo Salgado, é algo normal;
  7. Carlos Costa Neves (quase ministro dos Assuntos Parlamentares): um dos ministros que, a poucos dias das Legislativas de 2015, colocou a sua assinatura no despacho para o abate ilegal de sobreiros, central no Caso Portucale;
  8. Fernando Leal da Costa (quase ministro da Saúde): no auge da tragédia do Inverno passado nas urgências portuguesas, enquanto secretário de Estado da Saúde, afirmou que as urgências estavam muito bem e que informações que contrariassem as suas palavras tinham origem em agendas comunistas;
  9. Pedro Mota Soares (ministro da Solidariedade, Trabalho e Segurança Social): se João Soares, ex-vereador da Cultura da CM de Lisboa, não tem habilitações para ministro da Cultura, que dizer deste centrista que foi parar à pasta da Solidariedade, Trabalho e Segurança Social com experiência zero, para tutelar o ministério recordista na distribuição de tachos?

Mas este foi apenas o governo mais curto da história e antes desse tivemos 4 anos de PSD e CDS-PP. Olhemos para os ilustres ausentes da primeira lista:

  1. Miguel Macedo (ex-ministro da Administração Interna): acusado recentemente pelo Ministério Público da prática de 3 crimes de prevaricação e 1 de tráfico de influências. Implicado no caso Vistos Gold;
  2. Paula Teixeira da Cruz (ex-ministra da Justiça): durante o seu mandato, a justiça atravessou momentos críticos com destaque para o crash na plataforma Citius. Tentou passar as responsabilidades para terceiros, sem sucesso. Usou recursos do estado em favor da campanha eleitoral da coligação e mentiu deliberadamente aos portugueses;
  3. Miguel Relvas (ex-ministro dos Assuntos Parlamentares): Tecnoforma/Programa Foral. Caso Lusófona (o célebre turbo curso de Miguel Relvas que tantos e bons memes deu ao país). Falsificação de morada com vista à obtenção de incrementos salariais no Parlamento.
  4. Nuno Crato (ex-ministro da Educação): deixou o ensino de rastos, permitiu que sobre ele incidissem grande parte dos cortes no sector público, foi responsável pelo caos na abertura dos anos lectivos e cultivou a discórdia entre os diferentes agentes do sector.

Fiquei pelos ministros, de outra forma estaria horas nisto. Quero, contudo, deixar algumas menções honrosas para Marco António Costa e “seus homens de mãoAgostinho Branquinho Virgílio Macedo, para Franquelim Alves, outro que tal como Rui Machete viu apagada do seu CV a passagem pelo BPN, Carlos Moedas, o tal que o conselho de administração do BES queria pôr a funcionar, Paulo Núncio, actor central no embuste da devolução da sobretaxa e alegadamente implicado no caso dos Vistos Gold, Paulo Braga Lino, o ex-administrador da catastrófica Metro do Porto que usou o carro e o motorista da secretaria de Estado para actividades profissionais paralelas, João Almeida, o tal que revelou aos portugueses aquilo que todos sabíamos, que mentir aos eleitores é prática comum para políticos do seu calibre, Sérgio Monteiro, o rei das privatizações em saldos que mal saiu do governo foi contratado a peso de ouro pelo Banco de Portugal (ganha o dobro do salário de Carlos Costa) para tratar da venda do Novo Banco e mais uns quantos boys e amigos do regime democraticamente afastado da governação do país.

Para finalizar, a pergunta que na minha opinião se impõe: que moral têm estas pessoas para falar de qualquer governante que seja, depois de mais de 4 anos em silêncio perante tudo isto?

Já era tempo de nos livrarmos disto. Quanto aos que agora iniciam funções, cá estaremos para dizer de nossa justiça quando a hora chegar. Ao contrário de outros blogues, cuja acção se pauta pelo colaboracionismo com determinadas forças políticas, o Aventar não serve clientelas.

Imagem: Lusa@DN

Comments

  1. É caso para dizer: “Quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras”.

  2. Imagino o que os Papás destes gajos devem ter dito do 25/04/1974…
    Não há duvidas, o Salazar em 50 anos armadilhou o país por mais 100 .

  3. ZE LOPES says:

    A melhor análise que conheci acerca deste governo pertence a Paulo Futre: caíu devido a um problema no motor de arranque!

    • Helder P. says:

      Fica sempre bem lembrar Eça de Queiroz nestas situações:
      “O governo não cai porque não é um edifício, sai com benzina porque é uma nódoa!”

      • ZE LOPES says:

        Lá está! A benzina limpa – ou melhor, dissolve – mas dá cabo dos motores de arranque! E depois é um produto muito volátil que, inalado, até pode causar embriaguês. Estão explicadas as últimas declarações públicas de Marco António e de Portas…

      • Sempre actual o Eça!

  4. Tristao.dasilva@hotmail.com says:

    Com estes tipos por mais uns anos a governar deixavam o País só com velhos, 110 mil jovens em 2014 e 485 mil em 2015 a fugir para o estrangeiro (refugiados)?!? Ficavam cá só os velhos. Será que mesmo aqueles que votam na direita concordam com estes resultados..??

  5. Muitos apoiantes da direita, quando se lhes fala sobre a corrupção, desligam e dizem que não é bem assim. Talvez não seja tanto assim, pode haver um caso ou outro suspeito.Um cego não vê, mas eles são piores que cegos, não querem ver.

  6. Nascimento says:

    Por agora sim.Mas não tenho assim tanta certeza num futuro próximo. Há pessoas que querem tudo e já.Rapidamente. Se há coisa que a história nos ensina ?Claro que há. A direita tem Tempo….. ou seja,os filhos/as da puta tipo Helena, Manuel Fernandes etc, espreitam e ladram . E sabem uma coisa? ladram na TV Publica!!!

  7. Um factor a considerar: estamos fartos!
    Tal como em 2011 estávamos fartos do governo que perdeu eleições.
    A ciência política e comentadores vários esquecem esta coisa objectiva e também subjectiva e intuitiva: as pessoas fartam-se!

    Especialmente quando sabem que estão a ser enganadas e humilhadas, diariamente.

    Nota: O muito aparecido e solicitado João Miguel Tavares está antecipadamente farto e incrédulo com a comunicação social porque há ministros do governo de A Costa que estiveram no governo de Sócrates e …A. Guterres.

    Até o conservador Pedro Mexia, mais cordato e muito mais inteligente, respondeu-lhe bem ontem no Governo Sombra.

  8. PORTUGA NUNCA ESTAIS BEM….DAQUI A UNS MESES ESTAIS A DIZER O MESMO DOS QUE ESTÃO LÁ AGORA….PARAI DE LAMENTAR…TENHAM MAIS ATITUDES…

  9. Isaac Abrão says:

    Este é o tal governo cheio de responsabilidade que nos arruinou. Jaula era pouco, e como eu também não sirvo colectividades, tenho a dizer que não fiquei nada contente com a nomeação de João Soares, e o advogado do Sócrates. Não esqueço o tráfego de diamantes, nem do que o Sócrates e restante escumalhada do anterior governo PS fez ao país, à linha do Tua, etc etc. E quem defende essa gente não pode ser boa gente. Espero estar enganado, e espero que a extrema esquerda tenha mão suficiente no PS, e vice-verça. Tenho também a dizer que algumas nomeações aparentam ser boas apostas. Nomeadamente o cientista que estava emigrado. Tem outra visão das coisas. Um voto de muita boa sorte ao novo governo, e ao governo cessante só peço que o Paulinho das Feiras se demita de vez da vida política, seguido do Presidente da República. O país não precisa de figuras dessas.
    Parabéns pelo artigo, e pela pesquisa envolvente. De vez em quando também me ponho a pesquisar o passado de algumas figuras cessantes, e pesco algumas notas interessantes igualmente. O google ajuda sempre.

  10. Não foram estes FEIOS PORCOS E MAUS os causadores da banca ROTA? È claro que a quadrilha é maior ,mas para amostra não está mal.

  11. Mário Marinho says:

    Ainda vou dar gargalhadas com o goes no poleiro vai ser pior que o 44

  12. Martinho Marques says:

    A lista está muito bem elaborada, embora pecando, aqui e ali, por escassez nos currículos mais brilhantes…
    Por outro lado, acho que não vale a pena exagerar, porque alguns(a) apresentam um bom aspeto fotogénico, de alegria, que convidava o País a ter confiança no futuro (de cada um, claro…)

  13. Ao fim de 42 anos de 25 de Abril de 1974, continuamos piores em termos económicos, com uma ditadura económica que nos prende à décadas.

  14. E o chefe da orquestra, esqueceram-se dele. Sim, aquele que consentiu toda esta bandalheira, o tal cidadao mais honesto que todos os outros, que protegeu um mentiroso compulsivo que, nao tendo cumprido com o programa com o qual foi eleito, nem uma repreensao teve ? Sim, a tal esfinge que tivemos de suportar durante anos ?

  15. Martinhopm says:

    Poiares vem do popular ‘poia’? Então, está tudo dito! De merda não se pode fazer marmelada, n’é?

Trackbacks

  1. […] P.S.II: Por falar em Paulo Portas, “excessiva proximidade” entre o poder político e económico? A sério? Onde terá andado o doutor Poiares Maduro nos últimos quatro anos? Quer uma lista? […]

  2. […] de Miguel Macedo no caso dos Vistos Gold? E a Tecnoforma de Passos Coelho e Miguel Relvas? A lista é longa. Será que Leitão Amaro também dá lições de moral aos seus companheiros de bancada, […]

  3. […] que estavam a ser pressionados por falarem demais? Nunca mais saímos daqui. Em todo o caso, deixo aqui uma lista que elaborei há um ano, plena de histórias onde a variável comum, regra ger…. Será que Passos quer mesmo falar sobre […]

  4. […] o anterior governo, de Paula Teixeira da Cruz a Miguel Relvas, tanto que até deu para compilar esta lista. Mas era de valor se Assunção Cristas nos poupasse a todos destes momentos de falso moralismo, […]

  5. […] Costa Neves, que foi quase ministro daquele segundo governo Passos/Portas que morreu à nascença, foi o escolhido para comentar a entrevista de Azeredo Lopes, no que ao caso Tancos diz […]

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