conselho de Escolas para quê?

IMG_1644Maria de Lurdes Rodrigues não teve qualquer problema em o assumir – o Conselho de Escolas foi um instrumento criado para compensar a dificuldade negocial que, à época, encontrava junto dos sindicatos de professores.

O Conselho de Escolas é um órgão consultivo do Ministério da Educação onde estão representados Directores de Escolas. Segundo a sua página oficial, a sua missão será representar, “junto do MEC, os estabelecimentos de educação da rede pública no tocante à definição das políticas pertinentes para a educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário“.

Ora, depois do que foi revelado pela ex-Ministra da Educação, qualquer capacidade de representação desta gente caiu por terra – tenho imensas dúvidas sobre se representam os seus pares, quanto mais as escolas. Estarão, não tenho disso dúvidas, mais perto de representar os partidos que, em muitos casos os colocam à frente das respectivas Escolas.

E, até por isso, não me surpreendeu o silêncio desta não-existência durante o miserável reinado cratiano. Assistiram, quase em silêncio, à destruição da alma da Escola Pública e isso, não pode passar em branco. Se queriam ter o direito a representar as escolas, era nessa altura que a vossa voz fazia algum sentido.

Agora, o Vosso ruído, mais não é do eco para um pasquim como o observador, nada mais. E, a dureza das palavras escolhidas para este post vão mesmo na Direcção dos Directores que se demitem de o ser, preferindo o caminho fácil da incompetência. Percebo, que no Vosso caso, seja mais fácil culpar os professores e as famílias pelo insucesso que cresceu nos últimos anos. E, para isso, nada melhor que um exame. Chegam as notas, apontam o dedo e limpam as mãos, como qualquer Direcção de um clube que despede um treinador.

Fazem médias, obrigam os professores a perder horas a fio em burocracias sem fim para justificar as vossas incompetências e demissões. Querem um plano de melhoria para a Vossa Escola? Podem começar por incorporar um capítulo para a Vossa própria função, não?

Ou então, pedir à concelhia local, que vos colocou aí no cadeirão onde podem fugir às aulas, para tratar de melhorar as aprendizagens.

Porque, este é de facto, o tempo de dizer BASTA! Tivesse a Educação Pública a possibilidade legal de ser verdadeiramente democrática e o Vosso destino estaria traçado. Mas, ironia das ironias, se calhar é melhor assim- estragam menos no gabinete do que na sala de aula.

Pela primeira vez em muitos anos, surge um Ministro que vem colocar as aprendizagens dos alunos no centro do debate e aparecem Vossas Excelências a defender a centralidade da matemática e do português e a lamentar o fim do exame do sexto ano. Só faltou dizer que também queriam o do quarto, mas tiveram vergonha, não foi?

Se calhar não gostaram muito do facto de perderem o rebuçado da BCE, mas a vida é feita de vitórias e de derrotas. Com Nuno Crato faziam de conta que podiam escolher os amigos. Agora, terão que se guiar por regras claras e transparentes. Temos pena! É a vida!

Só lamento que o silêncio PAFento não tenha continuado. Mas, agora, a situação é mais clara e o Vosso lado, a direito, ainda mais evidente. Mas, não vão ficar a ser apenas a bandeira do observador – aqui no Aventar, vamos tratar de denunciar as vossas maldades para com a Escola Pública e os alunos.

 

 

 

Comments

  1. Fernanda says:

    CNE e CE não percebem nada do que se passa nas escolas. Daí as suas propostas, estudos e conselhos serem para esquecer. Ouvir, por exemplo, David Justino a falar sobre escolas e educação é pior do que ouvir um Donald Trump nas primárias americanas.

    Os originais são sempre melhores do que as cópias. Por muito surrealistas que sejam.


    • O justino foi um péssimo ministro…nunca negociou com ninguém e agora anda armado em gata borralheira…enxergue-se…

  2. Maria says:

    Sou diretora e concordo com tudo o que é dito neste post!

  3. José Meireles Graça says:

    “…dificuldade negocial que, há época, encontrava…” Mensagem do corrector automático: …dificuldade negocial que, á época, encontrava…

  4. Ademar says:

    Viva Paulo! Finalmente um sindicalista dá uma marretada na Pedreira do Galinha. Aguardo as tuas opiniões quanto ao estado jurássico em que se encontram, quer a Escola quer o Sindicalismo. Abraço

  5. Paulo says:

    Bravo João Paulo!!!
    Pois os senhores Directores quado foi a implantação dos exmes nem pio, pelo menos quanto ao do 4º ano que pelo vistos estavam contra


  6. Representar os seus pares? Mas as escolas publicas são dos seus pares? assim a descarada. Claro que isso é significativo para se perceber a frase . Em defesa da escola publica “nossa”. Que os mais interessados , as familias, não tenham capacidade de resposta, percebe-se; mas que o estado considere isso como gestão em roda livre é uma vergonha que se tem prolongado, e pelos visto vai continuar enquanto houver eleições e seja a chantagem dos 300 mil votos a definir a educação em Portugal. Agora percebo quem tem saudades do Salazar.


    • Confesso que não percebi o comentário. Eu questionei o facto do CE não ter legitimidade para representar os seus para, isto é os diretores. Dois a par te do roda livre… 300 mil?