O Orçamento de Estado visto por um leigo

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Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, tenho muitas dificuldades em perceber as linhas com que se cose um orçamento de Estado. Recebo informação através da imprensa, dos actores políticos e dos vários grupos de interesses que gravitam em torno dos cofres do Estado, dos funcionários públicos às clientelas partidárias, e tento juntar as peças. E a primeira conclusão a que chego é que nós, portugueses, nos encontramos numa posição perto da irrelevância no que toca a esta matéria. A nossa soberania está hoje nas mãos de Bruxelas e a tendência, tanto quanto me é dado a entender, é para piorar. Claro que, perante o poder do regime europeu, existem duas abordagens possíveis: a abordagem Pedro Passos Coelho, que consiste em aceitar toda e qualquer imposição sem contestação, e a abordagem que defino como patriótica, que consiste em negociar e defender o interesse nacional, que me parece ter sido aquilo que António Costa fez. Manuela Ferreira Leite defendeu mesmo que o governo saiu vitorioso da negociação. Estes sociais-democratas… [Read more…]

Postal de Valência #3

‘respirar naturalment’ l’olor de les taronges de València…

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… que é como quem diz, Paula que as laranjeiras de Valência estão já em flor. É verdade que enchem o ar de um perfume avassalador que, naturalmente, respiramos. Há muitas laranjeiras em Valencia e há até uma avenida das laranjeiras, onde crescem as faculdades da gigantesca (mais de 46 000 alunos) Universidade.
Levanto-me cedo. Desço para tomar o pequeno-almoço na cafetaria. Jovens em roupão e em pijama. Homens de fato e gravata. Senhoras bem maquilhadas. Tudo se mistura naturalmente no Colégio Mayor antes das 10 da manhã. Arrumo as coisas na mala e saio para a primavera valenciana. Vou passeando e tirando fotografias. Visito o mercado central, passo na pracinha onde antes de ontem o taxista me disse que se comiam os melhores bolos de abóbora, mas a loja está fechada e há-de estar também fechada quando passo novamente por ali, no regresso, depois das quatro da tarde para ir recolher a mala.
Chego à Praça da Virgem, mas antes encontro a Pujada del Toledà e lembro-me do Mário me ter falado no restaurante português… subo as escadinhas no princípio da ruela e encontro o restaurante imediatamente. Falo um bom bocado com a Maria, uma conversa um pouco triste, que não vos vou contar. Mas a Maria parece simpática, apesar da tristeza. Deixo-a uns bons três quartos de hora depois e atravesso a Praça da Virgem onde já passei tantas vezes, nesta e nas outras visitas. Vou encontrar-me com o Pep, ‘mi primo de Valência’ que é agora assessor do Presidente das Cortes Valencianas, que também conhecerei.

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A namorada difícil

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© Felizardo

Merkel elogiou Passos Coelho numa conferência de imprensa conjunta com António Costa. Antes, quando se encontrou com Passos Coelho pela primeira vez, Merkel elogiara Sócrates. Suspeita-se que a Bundeskanzlerin é como as namoradas difíceis, que só dizem bem do anterior namorado.  (O crédito da piada vai para Pedro Mexia,  no último programa Governo Sombra).

Luz e sombra (0)

arcadas

Fotografia: Paulo Abrantes

São de fato uma pechincha

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© David Rogers/Getty Images (http://bit.ly/1UXLZh3)

Depois de um fim-de-semana extremamente agradável e tranquilo, eis o caldo entornado quer no sítio do costume,

dre822016

quer alhures.

de fato uma pechincha

Desejo-vos uma óptima semana, sem estrangulamentos e sem constrangimentos.

Postal de Valência #2

‘Res del que passa és comparable a tu’*

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Em Valencia continua a primavera e estou mais viva que nunca. Levanto-me cedo e tomo o pequeno almoço na cafetaria do Colegio Mayor. Há sol no pátio e muita gente jovem que bebe sumos e cafés e conversa por aqui e por ali, em conversas que apanho no ar e a que não presto muita atenção. Ao meio-dia, depois do taxista se ter perdido e me ter querido deixar a 10 minutos a pé da Faculdade de Ciências Sociais e de ter havido uma discussão, que ganhei bem entendido (‘mira, cuando llamas un taxi es para que te lleve de un punto al otro. A mi me dejas en la puerta, vale?’), chego finalmente à porta da faculdade. Entrego uns papeis, encontro os outros membros do tribunal e vamos à tese. A tese da Marina. Muito bem escrita, muito bem estruturada. Como alguém disse: uma tese de verdade. Excelente, portanto, estamos todos de acordo. A defesa demora algumas horas, duas ou três, a partir de uma certa altura perdemos a conta. É muito bom discutir um trabalho (mesmo se como eu, em ‘portunhol’) muito bom, feito com alma, se quiserem, que nestas coisas, sim, também é preciso que a tenhamos. A seguir vamos almoçar. Comemos uma paella fenomenal e quando acabamos são seis e um quarto da tarde. Estamos em Espanha. Não é surpreendente que seja assim, mas penso ‘en mi primo de Valencia’, o Pep, com quem tinha combinado às seis e quarenta e cinco para ‘tomar una copa’ e comer alguma coisa e mando-lhe um sms a dizer que às nove.

Tomo o autocarro de regresso, com a Imaculada. o autocarro não se perde como o taxi e passados poucos minutos deixa-me na Plaza de la Reina. Avanço até à Plaza de la Virgen, como ontem à noite. E meto pelas ruelas que me hão-de levar ao Colegio Mayor. Descanso um bocado, vejo os emails. Realizo que tenho saudades de uma pessoa, de repente. Que é como uma espécie de primavera na minha vida, nestes últimos meses, apesar de tudo o que sei sobre mim – e sobre ela. Uma espécie de primavera. Não tenho jeito para me apaixonar, ou melhor, tenho sim, muito. Não tenho é muito jeito – desde há alguns anos e por razões precisas que eu conheço muito bem, mas que aos outros serão – suponho eu – difíceis de entender – para o que vem a seguir, passada a primavera. E a primavera, como a paixão, é uma estação voraz. Apesar de tudo isto, sinto subitamente saudades dessa pessoa, embora fale com ela muitas vezes por dia. Mas não é o mesmo. A primavera é uma estação voraz, acabei de o dizer.

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Liberdade para decidir

O direito à vida é inviolável, mas não uma obrigação ou fatalidade e muito menos provação ou vontade divina. Viver ou decidir morrer faz parte da liberdade individual, devendo ser respeitada a vontade de qualquer pessoa que solicite uma morte medicamente assistida, desde que na posse das suas faculdades. Vou mais longe, nem deveria ser um caso aplicável apenas a doentes terminais, mas a todos os que incapazes de se suicidarem o solicitassem. Dito isto, admito que os médicos possam ser objectores de consciência e que o acto médico deve ser cobrado ao requerente e não pago por todos os cidadãos. Ao que parece várias figuras publicas pretendem introduzir a discussão da eutanásia na sociedade portuguesa. Seja por via do referendo ou aprovação parlamentar, estarei a favor.