Eco gigante

umberto_eco_ Tullio Pericoli

© Tullio Pericoli  

Marco Faria

Depois dos padres morrerem, todos vão à missa. E agora todos vão dizer que Umberto Eco era o maior. Claro que era, e ainda antes de escrever o seu “best seller” de 1980, “O nome da Rosa”. Sempre temi que Eco morresse sem receber o Prémio Nobel da Literatura. Não é que precisasse de um reconhecimento de dinamite de Oslo/Estocolmo, mas já que o Nobel elege os melhores entre os melhores, então deveria tê-lo recebido. Agora, já não interessa nada esse “deveria-ser”. Os melhores textos pensados sobre a Europa contemporânea são de Eco. As melhores opiniões sobre o nosso tempo são de Eco. Era uma delícia ouvi-lo ou lê-lo. Eco perdera com o tempo a fé no divino, mas possivelmente nunca nos homens, de quem ironizava nas entrevistas ou nos romances. Agora dizem que a Cultura está de luto, e não será assim. A Cultura só tem de sentir-se honrada, porque um dos seus maiores continuará presente: nas estantes privadas, nas bibliotecas públicas, nas salas de aula, até no lixo omnipresente da Internet, de onde será possível extrair um farol para guiarmo-nos num mundo “desbussolado”. Morto o filósofo, o pensador, o semiólogo, o escritor, o crítico, o professor, resta a obra gigante daquele que se insurgiu contra a vulgaridade de espírito e a escravidão da norma(lidade) intelectual. Foi um homem livre.

Comments

  1. Escatota Biribó says:

    Adeus Umberto, boa viagem
    Da minha parte comprometo-me a ler finalmente O Pêndulo de Foucault
    Paz à tua alma

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