Parque Expo, CDS-PP e o branqueamento do compadrio

NGPMS

Sobre o caso dos ajustes directos da Parque Expo a altos dignatários do CDS-PP, cometi um erro ao afirmar, numa publicação da passada Quinta-feira, que o ex-ministro Mota Soares seria um dos proprietários do escritório Nobre Guedes, Mota Soares, Sociedade de Advogados, RL, isto apesar Pedro Mota Soares integrar, tal como outros destacados militantes do CDS-PP, os quadros do referido escritório.

Mas já que volto a este assunto, e porque a rede de amigos e convivas politico-partidários que mediatizou este caso não deixou de existir, não posso deixar de comentar o direito de resposta enviado pelo escritório Nobre Guedes, Mota Soares, Sociedade de Advogados, RL para o Observador, que procura branquear a ligação do ex-ministro de Passos Coelho àquele escritório, afirmando, no ponto 4, que Pedro Mota Soares “não é, nem nunca foi, sócio da sociedade de advogados Nobre Guedes Mota Soares e Associados“. Quem lá isto por alto pensa que foi aqui cometida uma grande injustiça mas não foi. Pedro Mota Soares não é sócio mas é associado, logo integra os quadros do escritório e o conflito de interesses não se dissipa.

O comunicado procura também branquear os negócios entre o escritório e a gestão da Parque Expo, afirmando, no ponto 5, que “é falso que a Parque Expo tenha “pago 100.000 euros ao escritório de Nobre Guedes e Mota Soares” como é noticiado“, afirmando mais à frente que terão sido facturados apenas 66 mil euros à empresa pública. Se isto foi mesmo assim ou se o negócio foi alterado a meio para dar menos nas vistas, será algo difícil de confirmar. A informação disponível na plataforma Base.gov era muito clara e os contratos referiam valores de 48 mil euros e 50 mil. Foram estes os valores que a empresa pública gerida pelo colega centrista se disponibilizou inicialmente a pagar.

Mas o grande branqueamento que se tentou com este direito de resposta, a meu ver, foi o de tirar os holofotes da aparente rede de compadrio presente nestas negociatas. Long story short: uma ministra do CDS-PP nomeou um dos seus principais apoiantes na campanha para as Legislativas de 2011 para gerir a Parque Expo, encarregando-o de liquidar a empresa até ao final de 2013, algo que não só não aconteceu como se manteve no rumo do despesismo, assinando ajustes directos milionários com um escritório de advogados propriedade de altos quadros do CDS-PP. Se isto não é compadrio, não sei o que será.

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  1. […] possível que se trate de uma perturbação mental momentânea. As saudades do Querido Líder, as trapalhadas por resolver no Parque Expo, a perda da confiança dos portugueses que remeteram o seu partido para o fundo da tabela […]

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