Angola e Brasil: dois pesos, duas medidas

EDSLS

A crise política no Brasil prolongar-se-á durante semanas, vários meses talvez. Por motivos óbvios, a cobertura mediática e o ímpeto opinativo a que vimos assistindo no nosso país tenderá igualmente para se prolongar no tempo. Cá como lá, existem aqueles que alinham no discurso do golpe de Estado fabricado, orquestrado pela direita brasileira e pelos saudosistas do regime militar, descontentes com os avanços sociais operados no Brasil nos últimos anos, ao passo que outros procuram argumentar que os casos que envolvem Lula da Silva e outros altos dignatários do PT são o espelho de uma esquerda corrupta que deve ser imediatamente apeada do poder. O debate é intenso, gerador de ódios e ninguém é poupado. Ou não fosse a corrupção transversal à política brasileira.

Nos antípodas de todo este frenesim está o regime ditatorial que impera em Angola. Há décadas no poder, a corte de José Eduardo dos Santos dirige o país com mão de ferro, agrilhoa vozes dissonantes e usa os recursos petrolíferos em benefício das suas elites enquanto a maioria da população definha, sem acesso decente à saúde ou a condições de trabalho dignas. Curiosamente, o histerismo que rodeia o episódio do resgate de Lula da Silva por um expediente bizarro de Dilma Roussef não se faz nem nunca se fez sentir com os múltiplos atropelos à democracia e à dignidade humana levados a cabo pelo regime angolano. Porquê?

Os motivos por trás deste sistema de dois pesos e duas medidas parecem-me muito claros. Por um lado porque significativa parte da imprensa nacional é controlada por capitais angolanos, o que se estende a alguns blogues onde destacados opinadores portugueses optam pelo silêncio ou pela crítica tímida e de ocasião, opinadores esses que partilham os seus escritos entre esses blogues e jornais controlados pela ditadura angolana, que paga pela sua opinião e que, como seria de esperar, a pouco mais está autorizada do que a beliscar o regime dos Santos. Por outro porque o regime não deu o “mau exemplo” que os governos do PT deram ao mundo ao aplicar políticas sociais progressistas que permitiram tirar milhões da miséria. Em Angola não existem petrodólares para Saúde ou Educação. Apenas para generais, filhos e enteados da ditadura. E quem protesta leva sem que isso cause grande indignação, em particular nas opiniões à direita mas também à esquerda, com o caso do PCP à cabeça.

Gostava, sinceramente, de cá estar no dia em que as paixões exacerbadas que a crise brasileira desperta no nosso país apontassem a outras latitudes. Porque aquilo que vejo no regime angolano, quer em termos de corrupção ou controle autoritário do aparelho estatal, quer em termos de violência e medo, é incomparável com aquilo a que agora assistimos no Brasil. Existem até alguns angolanos importantes que têm o descaramento de puxar as orelhas às instituições portuguesas por estas tentarem, com o insucesso que lhes é conhecido, investigar os negócios sujos que visam outros angolanos importantes. E onde estão esses “liberais”, sempre tão destemidos quando o assunto é Putin, Lula ou Maduro? Em lado nenhum. Ou apenas a protestar com a delicadeza que caracteriza aqueles que têm os bolsos cheios de dinheiro manchado de sangue e exploração.

Foto@Rede Angola

Comments

  1. A.Silva says:

    Olha mais um sacana já a preparar uma próxima primavera africana em Angola.

    Um aldrabão que afirma que os angolanos controlam a imprensa nacional, quando ela é controlada pela direita ressabiada, que tem atacado Angola, embora o aldrabão do joão mendes nos queira fazer crer no contrário contra todas as evidências.

    Um aldrabão neocolonialista que se está a marimbar para o povo angolano.

    joão mendes, seu aldrabão, e os corruptos ladrões do cavaco, do portas, do coelho, do relvas, do dias loureiro, do jacinto leite capelo rego, não te fazem impressão.

    Vai-te catar, aldrabão reaccionário!

    • Manuel Santos says:

      Puxa, não havia necessidade. Os portugueses apenas precisam de saber porque estão de cócoras perante aquele regime cleptocrata (o presidente, os filhos do presidente, os generais) e que tem – não duvide – os bolsos cheios de dinheiro manchado de sangue. Tudo começa com o PCP e as relações de amizade, fidelidade, mais tarde serão fiduciárias, estabelecidas nas Casas dos Estudantes do Império – daí, na descolonização, aquela terra ter sido entregue de mão-beijada àquele movimento. Mais tarde, por volta 1992 – e é partir daqui que as relações com Angola se tornam promíscuas -, aparecem Cavaco Silva e o seu escudeiro Durão Barroso a legitimarem aquela ditadura. Porquê? Pois é isso que gostava de saber, embora desconfie.

      • A.Silva says:

        manuel dos santos, que estejas habituado a andar e a viver de cócoras, é um problema teu, agora não fales dos outros.

        E seu reaccionário, a relação do PCP com Angola vem dos tempos em que se lutava contra a ditadura fascista em Portugal e em Angola, é uma relação feita com as aspirações do povo angolano, uma relação feita na luta pela liberdade e independência, que tu e os teus antepassados políticos, gostariam de voltar a submeter à pata fascista.

      • Socorro ! says:

        aquela terra ter sido entregue de mão-beijada àquele movimento.

        NÃO ! Caro Sr. ! Aquela terra foi entregue aos proprietários após ter sido roubada uns séculos antes…
        Na Índia nunca fizeram o mesmo, porque levaram logo nas trombas…


    • António Silva,

      Quer explicar exactamente qual é a aldrabice? Então o grupo angolano Newshold não é accionista do Correio da Manha, do Destak, do Metro, do Jornal de Negócios e da Sábado? E, até há pouco tempo, do jornal I e do Sol?

      São gajos como tu que dão mau nome à esquerda. Não concordam com uma opinião e saem ao ataque a insultar quem não conhecem. Ainda por cima para defender uma ditadura como a angolana. A direita ressabiada? é a quem dedico a maior parte dos meus escritos no Aventar. Mas isso agora não interessa para nada não é? Vai lá combater a direita reaccionária e lamber o olho do cu ao regime de Angola, palerma!

  2. Antonio Santos says:

    João Mendes disse: «António Santos (…) Doravante, referir-me-ei a si como nazi. Sim, é estúpido. Mas talvez me compreenda se optar pelo seu esquema táctico. Assim, meu caro nazi, quero dizer-lhe que sou culpado por atacar o fascismo – vejo que isso o incomoda, o que me alegra – bem como o capitalismo sem freio».

    Sr. João Mendes, não me sinto nada incomodado pelos seus artigos, pelo contrário, até farto-me de rir com eles. E digo isto porque você é só mais um a opinar neste espaço que é a internet e a sua voz não chega aqueles que tomam decisões. Incomodado ficava se você fosse o António Costa ou Marcelo R. de Sousa. Sendo você tão somente um joão mendes estou tranquilo.
    Quanto a ser nazi, não gostei daquilo que o Hitler fez: prometeu acabar com os comunistas e fez um trabalho de merda.


    • Bem vindo de volta António Santos. Essa resposta não era para outro post? Ah, já percebi: foi para descontextualizar. Ou será que foi por ter cá visto um radical parecido consigo e decidiu juntar-se a ele? Vocês, os radicais, de esquerda ou de direita, são basicamente iguais.

      Eu até posso ser mais um a opinar e se calhar não chego a lado nenhum. Mas você insiste em passar por cá e dar-me audiência, já reparou? Mas aviso desde já que vou deixar de o aturar. Para aturar trolls já tenho o Rui Silva que é o meu preferido. Não tenho tempo para dois.

  3. Rui Silva says:

    Este post é muito interessante e recorrente na n/ esquerda caviar.
    Quando já não tem argumentos para defender aquilo que no seu intimo está mais que justificado , pois a prevaricação é apenas um meio para atingir um fim MAIOR, apresenta-se a ideia de uma visão equilibrada que é tão correcta, tão correcta, que até quase que concorda com a condenação dos prevaricadores brasileiros. Mas depois, sub – repticiamente e suavemente vira o foco para um outro assunto (que não tem nada a ver directamente com a questão em causa) , ficando assim com a sensação que os leitores deixarão de pensar naquilo que eles “determinam” que não interessa ser pensado.
    Ao mesmo tempo, justificam-se intelectualmente , pois existem outros “casos” muito piores ! que os casos que eles vem a apoiar há muitos anos, como imagem da perfeição, afinal se revelam, sem margem para dúvidas, serem aquilo que outros vem dizendo há muito tempo…

    cps

    Rui Silva


    • Troll Silva, eu não justifico ninguém. O meu primeiro texto sobre a crise política no Brasil fala por si. Vá lá procurar que você tem muito tempo livre e eu não!


  4. Angola é dos angolanos. E se alguma vez o não foi é porque foi esbulhada pelos colonialistas portugueses. Portanto, soberano em Angola é o seu povo. Portugal é um país estrangeiro, que nada tem a haver com aquela terra, no que respeita à sua governação. Portugal deve zelar pelo bom entendimento com Angola, no campo social, económico e cultural. A relação entre os dois países deve ser de excelência, mas sem intromissão nos respectivos assuntos internos.


    • Soberania e exploração não são a mesma coisa. Se Angola é dos angolanos, porque raio existem tantos na miséria e uma elite multimilionária em Luanda, essencialmente homens de mão e família do José Eduardo dos Santos?


      • Exploração é na Europa e imitantes;
        Mais ou menos 50% do que é produzido pelas pequenas e médias empresas, e também pelos trabalhadores em geral, é acumulado em “cofres” e entregue aos bancários que todos os anos “emprestam” (ou compram dívida soberana, ou acções do tesouro, ou etc..) para sustentar hospitais onde se propagam infecções e se atribuem tratamentos “mata-velhos” e sustentam escolas onde se ensina que a melhor coisa do mundo é o sistema e o regime da “velha Europa” e que Deus não existe e outras aspas.. Enfim… Aqui sim somos explorados. Em Angola sinto-me livre embora tenha que ter respeito ao chefe de família e não posso mandar caralhadas nem meter os pés em cima da mesinha da sala às três pancadas.
        Os “governantes” governam-se com petrodolares que recebem de “micha” (comissão para quem não conhece o termo) dos americanos, franceses e ingleses pelo facto de negociarem contratos e estabelecerem tratados para inglês ver e apaziguar as ONUs, FMIs etc com constituições imitantes…
        Meus governantes na decrépita Europa governam-se com 50% ou 60% do meu trabalho (IVA, IMI, IRS, IRC, IUC, SS, etc).
        Lá vão-se governando com a percentagem da venda dos barris que os “super justos do mundo” lhes pagam pelo facto de imitarem leis, tradições, culturas self-righteous, arrogantes e hipócritas.
        Eu fico muito feliz por em Angola poder negociar, comprar e vender sem as patas do Estado dos NIFs, ASAE, instituto de regulação de sei lá o quê, licença de não sei que mais etc etc etc
        Ai quando é que os Africanos Sub-saharian vão acordar para voltar à grandeza, dignidade e humildade maravilhosa de há 3 000 com Rei David na Terra Prometida.
        Esqueçam estes incircuncisos arrogantes, ignorantes gentios e acordem África. Chega de adorar a decrépita Europa e suas concupiscências, luxos e luxúrias.
        Riqueza não é pecado.. Mas hipocrisia, avareza e arrogância são falhas graves…
        Preguiça e sono também.

        Bem haja

  5. joão lopes says:

    é verdade que parte da imprensa portuguesa é controlada por angolanos,é verdade que os portugueses vivem de cocoras para os angolanos(machete por exemplo ou portas),e é verdade que os opinadores são hipocritas.os mesmos que criticam Lula,nem sequer abrem o bico com a belinha santos e seu pai.


  6. Exploração é na Europa e imitantes;
    Mais ou menos 50% do que é produzido pelas pequenas e médias empresas, e também pelos trabalhadores em geral, é acumulado em “cofres” e entregue aos bancários que todos os anos “emprestam” (ou compram dívida soberana, ou acções do tesouro, ou etc..) para sustentar hospitais onde se propagam infecções e se atribuem tratamentos “mata-velhos” e sustentam escolas onde se ensina que a melhor coisa do mundo é o sistema e o regime da “velha Europa” e que Deus não existe e outras aspas.. Enfim… Aqui sim somos explorados. Em Angola sinto-me livre embora tenha que ter respeito ao chefe de família e não posso mandar caralhadas nem meter os pés em cima da mesinha da sala às três pancadas.
    Os “governantes” governam-se com petrodolares que recebem de “micha” (comissão para quem não conhece o termo) dos americanos, franceses e ingleses pelo facto de negociarem contratos e estabelecerem tratados para inglês ver e apaziguar as ONUs, FMIs etc com constituições imitantes…
    Meus governantes na decrépita Europa governam-se com 50% ou 60% do meu trabalho (IVA, IMI, IRS, IRC, IUC, SS, etc).
    Lá vão-se governando com a percentagem da venda dos barris que os “super justos do mundo” lhes pagam pelo facto de imitarem leis, tradições, culturas self-righteous, arrogantes e hipócritas.
    Eu fico muito feliz por em Angola poder negociar, comprar e vender sem as patas do Estado dos NIFs, ASAE, instituto de regulação de sei lá o quê, licença de não sei que mais etc etc etc
    Ai quando é que os Africanos Sub-saharian vão acordar para voltar à grandeza, dignidade e humildade maravilhosa de há 3 000 com Rei David na Terra Prometida.
    Esqueçam estes incircuncisos arrogantes, ignorantes gentios e acordem África. Chega de adorar a decrépita Europa e suas concupiscências, luxos e luxúrias.
    Riqueza não é pecado.. Mas hipocrisia, avareza e arrogância são falhas graves…
    Preguiça e sono também.

    Bem haja