A escola ioiô

IoioUm dia, num futuro muito distante, haverá um ministro da Educação que, entre outras coisas, saberá, finalmente, o que é um ano lectivo. Trata-se de um conceito aparentemente de fácil apreensão, excepto se se for ministro da Educação.

Esse ministro ainda ideal, se tivesse tomado posse, por exemplo, em Novembro de 2015, iria ter o cuidado de não alterar o calendário de provas já estabelecido, dando início à preparação do ano lectivo seguinte, procurando demonstrar as razões que poderiam levar à manutenção ou à supressão de provas finais.

Um ministro prudente, desses que o futuro nos há-de trazer, não iria, para cúmulo, impor a realização de provas de aferição depois de o ano lectivo (ó expressão irritante!) já estar a decorrer. É claro que esse mesmo ministro, necessariamente sensato, depois de impor provas de aferição, não poderia, passados alguns meses, anunciar que, afinal, as provas anteriormente impostas passariam a ser facultativas durante o ano lectivo em curso. Por outro lado, esse ministro por vir não obrigaria as escolas a explicar por que razões optariam por não realizar provas cuja realização era exactamente facultativa, ao mesmo tempo que não lhe passaria pela cabeça declarar que, apesar de serem facultativas, preferiria que se realizassem.

Nesse mesmo futuro, no entanto, as escolas não deixariam de aproveitar a oportunidade para afastar a instabilidade provocada por ministros desconhecedores: isso implicaria que, por exemplo, optassem em massa por não realizar provas facultativas que, pelo facto de estarem a ser introduzidas a meio do ano, seriam geradoras de confusão e, também por isso, inúteis como instrumento de aferição.

Num futuro melhor, em que ministros, directores e professores usem o tempo para pensar e conversar, as escolas deixarão se ser este ioiô enjoativo. Talvez seja difícil, mas não pode ser tão difícil como é.

Comments


  1. Salvo melhor entendimento da questão, parece-me estar-se a fazer uma tempestade num copo de água. Provas de aferição não são exames; são mais um teste, que é preciso desmistificar. Se toda a instabilidade do sistema educativo for esta, não creio que seja de a recear.

    • francisco Pereira says:

      que bom seria ter um ministro da educação que fosse mais que o pau mandado da Fenprof. O rapazinho “chico esperto” não percebe nada de ensino e muito menos de educação!…


  2. Mudanças no ano lectivo seguinte e só de necessidade urgente é apenas sinal de sensatez. Mas parece estar em falta.

Trackbacks


  1. […] A invenção das provas de aferição como alternativa modernaça aos exames alegadamente salazarentos é um disparate que resulta de um marketing vazio e da velha desconfiança relativamente aos professores (os especialistas em ensino que são incapazes de aferir o que está mal com os alunos com quem convivem ao longo de um ano lectivo) e que tem como consequência atrapalhar a vida das escolas, tendo em conta que mobilizam demasiados recursos humanos numa altura em que há, já por si, uma acumulação de tarefas decorrentes do final de ano. Toda esta confusão, contudo, é compreensível, porque, no fundo, o principal objectivo do Ministério da Educação é atrapalhar a vida das escolas e para se ser ministro é fundamental não se saber sequer o que é um ano lectivo. Diria mais: é preciso não fazer a mínima ideia do que é um ano lectivo. […]

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