O fel


Os visados acusaram o toque. E, no entanto, o relatado sobre o bando que empesta as redes sociais é um facto, tendo um deles sido bem detalhado no Aventar. Incomoda-os que alguém não seja mais uma ovelha no rebanho. Habituem-se.

(…) é muito interessante ver aquilo que são os bas-fonds da nossa direita radical, entre comentários, blogues e twitter. (…) estou a falar de apoiantes do PSD e do CDS, do extinto PAF, muitos “jotas”, mas também gente adulta que enfileirou nos últimos cinco anos do “ajustamento”, vindas de alguns think tanks e amadores da manipulação comunicacional que se formaram nestes anos. São também alguns colunistas no Observador, no Sol, no extinto Diário Económico e nos sites que estes jornais patrocinam com colaboração gratuita para formar uma rede de opinião que funciona para pressionar os órgãos de comunicação que, muitas vezes, de forma muito irresponsável, a ampliam em “informação” como oriunda das “redes sociais”. Não são um grupo muito numeroso, mas escrevem todos os dias e em quantidade, parecem estar de patrulha nas caixas de comentários e no twitter e são muito agressivos. Não se coíbem em usar citações falsas ou manipuladas, boatos, calúnias e insultos (Costa é o “monhé” e o “chamuça”, por exemplo). É na vida política portuguesa um fenómeno novo e não adianta dizer que o mesmo existe à esquerda, porque não é verdade.

Não estou a falar de um obscuro subproduto das proclamações mais comedidas de partidos como o PSD (embora raras) ou do CDS, mas de uma realidade mais profunda e espelhar visto que o tom e o mote são dados por colunistas e “pensadores” de direita mais elaborados. Para eles, Portugal é socialista desde o 25 de Abril, com excepção dos anos do governo Passos-Portas, e é governado por uma “oligarquia” de políticos e sindicatos ao serviço do tamanho do estado, como garantia dos seus proventos. Este conceito de oligarquia é interessante porque inclui os funcionários públicos, o aparelho sindical, todos os que fazem greve em empresas públicas, e todos os políticos que são apresentados como o braço armado dessa oligarquia. A oligarquia muito curiosamente não inclui os grandes empresários, os homens da finança, os lóbis junto do poder político, como os escritórios de advogados de negócios, e os donos dos offshores. Bagão Félix faz parte da oligarquia, junto com Carvalho da Silva, Boaventura Sousa Santos, e Ana Avoila, mas Eduardo Catroga, Carrapatoso, Ferraz da Costa, Bruno Bobone e Paulo Portas não. [Pacheco Pereira, Público, 30/04/2016]

sheep

Comments

  1. anónimo says:

    não tinha lido o texto do pacheco apenas o do insurgente, agora percebo.
    acertou na mouche!

  2. J.Pinto says:

    ‘Para eles, Portugal é socialista desde o 25 de abril, com excepção do governo de Passos e Portas’.

    Não é que o Homem andou lá perto… Portugal é socialista desde o 25 de abril, incluindo no governo de Passos e Portas. Aliás, a própria Constituição define Portugal como uma sociedade socialista. É necessario escrever aqui o trecho da Constituição que diz isso?

    Quanto ao autor, todos sabemos as suas origens. Começou por fundar um Partido Comunista…

    • Falso.
      A Constituição de 76, em rigor, não define Portugal como socialista. O que está escrito é: “..abrir caminho para uma sociedade socialista, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.” No fundo, tem o mesmo sentido que o famoso “pursuit of hapiness” na Constituição Americana. Repare na diferença! A Constituição Americana não define o Estado Americano como sendo feliz. Do mesmo modo, quando se diz “abrir caminho para” alguma coisa na Constituição, o que é que isso significa?
      1) que o Estado não é de facto ainda socialista, porque então para quê abrir caminho para uma coisa que já existe? É uma questão de lógica.
      2) quando os autores da CRP se referem ao socialismo como horizonte indefinido no tempo, acaba por ter o mesmo valor que Fraternidade ou Paz por exemplo, ou seja, não vincula nenhum programa de governo a uma conduta específica. Infelizmente, e em si mesma, essa referência num nível de horizonte meramente ideal, como “justiça social” ou a já referida “felicidade americana”, permite que qualquer governo faça dessa ideia expressa o que bem quiser.

      Portanto, é de facto delirante, mas aprecio esse seu lado de humorista, dizer que até Passos foi socialista porque supostamente está na Constituição (documento que ele tanto desprezou, aliás) e todos os anteriores governos foram socialistas também. Este é um país de esquerdalha sem concerto..

      • J.Pinto says:

        Não gosto muito de jogos de palavras. Quando não se tem forma de contrariar o que está escrito na constituicao, fala se na interpretação do que querem dizer aquelas palavras… Por esse caminho não vale a pena discutir. O Fernando continuará a ter a sua opinião é eu a minha.

        Por que motivo é que a constituição refere o socialismo? Também considerei interessante comparar a fraternidade e a paz das outras constituições ao socialismo…era mesmo para levar a sério ou era uma piada?

        • Então mas foi você que usou jogo de palavras ao dizer que todos os governos em Portugal são ou foram socialistas porque este é um regime socialista, segundo a Constituição! Eu considerei isso um malabarismo de palavras espantoso! A CRP já sofreu várias revisões mas ainda mantém aquela única expressão (completamente inócua, diga-se) que lhe dá tanta comichão e lhe tira, pelos vistos, o sono – “sociedade socialista” – apesar de não surgir, de modo nenhum, como designação do regime, e sim como mera enunciação de princípio (tal como “construir sociedade mais justa” e etc). É o que está lá! Até hoje todas as constituições de regimes socialista de tipo marxista se identificaram sempre de forma incomparavelmente mais clara que a nossa (inclusivamente em praticamente todos eles, mudando o nome do próprio país para incorporar termos como República Popular ou República Democrática). Ora, você através de uma leitura apressada e superficial, comum a uma certa Direita nostálgica, disse que este era um regime socialista há 40 anos, e que todos os governos neste país são por isso socialistas.

          Portanto se você acha que está a viver, sei lá, num país tipo Coreia do Norte, e eu é que não estou a ser sério, tudo bem..

  3. Mouraz says:

    Concordo em absoluto! São manipuladores de massas ao serviço (vendidos) a interesses obscuros. Bem-haja quem os denuncie.

  4. Afonso Valverde says:

    Quanto à propaganda do PSD tenho a dizer que me parece trauliteira, porque ao “insultar” Pacheco Pereira e ao adotar este tipo de “guerrilha” regressa ao Processo Revolucionário em Curso (PREC.). do qual diz fugir a sete pés.
    Quanto a alguns comentários nota-se acidez com o desconforto dos textos políticos de Pacheco Pereira e mau viver com a ideia de se colocar a nu algumas posições de alguns políticos e ideólogos do PSD (ainda é social democrata?).
    Nota-se também muita ignorância campo privilegiado para angariar “carneirada” para as hostes.

  5. Faltou ao Pacheco Pereira dizer que são muito bem pagos para isso. Para dizer mal. Para enxovalhar as pessoas e as ideias diferentes.

    Atente-se a um dos mais proeminentes autores do Insurgente, André Azevedo Alves, que diz ser Professor de Ciências Políticas na Universidade Católica. No entanto não se coíbe de chamar Geringonça ao Governo do país onde vive.

    Nas últimas semanas só têm destilado FEL.

  6. Linquei o texto o Pacheco Pereira no Reddit, o padrão descrito no artigo repete-se.

    Há perguntas que me parecem óbvias:

    • Se esta gente quer tirar a social democracia do PSD, porque motivo não criam um partido próprio?
    • As bases do PSD vão aceitar destruir o partido? Ou não têm voto na matéria?

    Tenho curiosidade…

  7. JgMenos says:

    A esquerda é povoada de príncipes da palavra e aristocratas das boas maneiras!
    Só quem não conhece a ralé dialéctica da direita é que pode descrer do que digo.
    A geringonça é um mero acidente histórico resultante de a coligação de direita ter ganho as eleições, mas isso são factos que o materialismo histórico justifica de uma penada e em modo cantado.

  8. anónima says:

    “O orçamento devia ser recusado porque precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade económica, de mais espírito empresarial. Sem mais “crise” (das que falava Schumpeter) e sem mais “boa” insegurança, não somos capazes de mudar. O estado tudo faz para nos poupar a essa insegurança, e, como toda a Europa, afundamo-nos, pouco a pouco, na manutenção, geracionalmente egoísta, de um modelo social insustentável a prazo e que nos condena a definhar. É verdade que duvido que hoje alguém consiga ganhar uma eleição propondo o fim do conforto providencial, mas isso remete para a perda de margem de manobra democrática, face ao crescendo demagógico. E nem sequer vale a pena apelar á racionalidade, porque ela, a não ser para meia dúzia de iluminados normalmente sem fome e com emprego certo, aconselha a ter a pomba na mão a troca-la pelas duas que estão a voar. Estamos de facto, um pouco tramados, mas se calhar foi sempre assim na história.”
    http://abrupto.blogspot.pt/2005/10/coisas-da-sbado-oramento-e-oposio-o-psd.html

    Este texto do Pacheco Pereira, que corre na Internet, é verdadeiro?

    • A ilusão é uma coisa lixada. Por mais que dê voltas à cabecinha, ela retorna sempre ao início.

      Assim é realmente difícil questionar os próprios dogmas. Um dos quais é a ideia liberal que mentir e esconder é bom, desde que seja em prol de um objectivo ulterior. Um qualquer desígnio sagrado cristão e liberal. A boa educação que lhe deram na Católica, não é sinónimo de sagacidade. Para isso precisa relacionar, intuir, pensar.

    • Nightwish says:

      Pode ser como pode não ser, mas o Pacheco de 2016 sabe bem quem são os subsídio-dependentes, e não são os reformados nem os desempregados, nem tão pouco os que recebem RSI.

  9. Caro Pacheco Pereira, no jornal onde escreve também há pasquineiros a elogiar o anterior governo de extrema direita.
    Sabe quem são os poderosos donos dos grupos de comunicação social, não sabe?
    Mostre a sua aparente coragem e faça uma crónica sobre essa gente, mas, chame os bois pelo nome.
    ah, já agora pode dizer-nos quem são os convidados para a próxima Conferência Bilderberg?

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