O velho regime vai ter que esperar


Got

Adoro ver os ressabiados a estrebuchar nos seus blogues e jornais financiados pelas elites. Eles precisam – é também para isso que lhes pagam – a todo o custo, que o acordo à esquerda se desfaça, nem que isso custe o aprofundar da ruína pelo qual os seus caciques tanto lutaram durante mais de quatro anos. Afinal de contas, só assim poderão voltar a sonhar com as suas avenças e luvas, com os seus tachos em ministérios e secretarias de Estado e com as suas viagens em comitivas governamentais, aproveitando os recursos do Estado para potenciar os seus negócios enquanto se indignam em longas crónicas contra a heresia da intervenção estatal. Não são hipócritas. É apenas malta que acredita na exploração da maioria por uma minoria privilegiada, pela qual tantos ânus lamberam e continuam a lamber.

Posto isto, todos os dias há um terramoto, uma machadada final, uma zanga, alguém que tira o tapete a Costa, enfim, o fim que se aproxima para o frágil acordo que a esquerda parlamentar conseguiu engendrar. A cruzada tem muita força e um imenso espaço mediático mas, para mal deles e para o bem da estabilidade do país, tem surtido pouco efeito. As sondagens que o digam. E o acordo lá vai resistindo, com desentendimentos pontuais, negociação e cedências mas, até à data, sem golpes, crises políticas relevantes ou demissões oportunistas. Faz alguma diferença.

Entretanto, tornou-se um lugar-comum dizer que o governo e o PS estão reféns do BE e do PCP. O objectivo por trás da propagação desta ideia, um mero instrumento de propaganda, tem óbvias origens partidárias mas essa até nem é a parte mais relevante. Porque, como em qualquer coligação em que um partido maior depende de um outro mais pequeno para governar, o primeiro terá sempre que fazer cedências ao segundo. Neste caso ao segundo e ao terceiro. Significará isto que o PS é refém dos seus parceiros parlamentares?

Não me parece. Se assim fosse, o PSD passou mais de quatro anos refém do CDS-PP. Aliás, bem vistas as coisas, o episódio da demissão de Paulo Portas, que terminou com a promoção do novo consultor da Mota-Engil e com um ministério adicional nas mãos do seu partido seria, porventura, a maior demonstração de tal condição na história da política portuguesa. E o fim esteve próximo, por muito que uns quantos profetas da seita tenham tentado transformar o golpe de Portas numa demonstração de patriotismo. Se um governo fragilizado e, recorrendo à novilíngua da oposição, refém de um pequeno partido, sobrevive a uma manobra destas, não vejo motivo para que este governo caia por pequenas divergências decorrentes do normal funcionamento da democracia. O velho regime vai ter que esperar.

Comments

  1. A ilusão é pensar que para uma elite “esquerda” ou “direita” tenham qualquer significado. Duas bandeiras que representam o nada.

  2. Anti-pafioso says:

    25 de ABRIL SEMPRE , Fascismo nunca mais.

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