Postcards from Wageningen #3 (2016)


Just another ordinary day at the ‘office’

2016-10-20-14-08-09
Já ontem disse que os holandeses são um povo organizado. Contam o tempo das intervenções e das reuniões ao minuto e andamos todos num virote o dia inteiro. Foi mais um dia em que me levantei extraordinariamente cedo. Às sete da manhã mais concretamente. É uma violência para uma noctívaga como eu, convenhamos.
 
O dia de trabalho – embora andemos num virote – corre bem. As apresentações dos investigadores são geralmente boas e estão já bem encaminhadas. As reuniões são rápidas e sucedem-se (um virote, pois, já disse). As sessões e reuniões de hoje são no campus da WUR – Wageningen University and Research. O campus é muito bonito. Menos que o da Universidade de Aveiro (mas eu sou suspeita, obviamente) mas ainda assim bonito. Muito verde, salpicado de vermelho e de castanho aqui e ali. É outono. Absolutamente outono em Wageningen. Um outono que equivale a um inverno em Portugal. Está frio e chove de vez em quando. O costume, portanto.

 
Não sabemos que temos saudades dos sítios, muitas vezes, até regressarmos aos sítios. É o caso deste regresso. Embora tenha estado aqui há mais ou menos um ano. Mas também aí reconheci as saudades. Ali está a estação dos autocarros. Ali está o supermercado Albert Heijn, ali está a lavandaria, o cinema, o bloco de apartamentos onde morei, durante 3 meses, há 6 anos. Wageningen está na mesma. A mesma cidade pacata, que vive da Universidade e de pouco mais que isso. Na verdade, é como se Wageningen inteira fosse o campus da Universidade. E igualmente verde. E geométrico. Ainda hoje comentei com o Luís, no autocarro de volta para o hotel no meio do bosque, que em 2009 (embora já tivesse estado aqui em 2007, para um congresso de 3 ou 4 dias), quando cheguei e saí para a rua, me perdi, quando tentei voltar para casa. E pior que isso, não havia ninguém na rua, às 9 e meia da noite, a quem pudesse perguntar direções.

 
Wageningen é também – como quase todas as cidades holandesas que já visitei (e foram algumas) – uma cidade silenciosa. Uma parte desse silêncio deve-se às bicicletas… ou ao facto de se circular principalmente de bicicleta. Outra parte deve-se à boa educação. As pessoas falam geralmente baixo em toda a parte. E são geralmente muito simpáticas e educadas… cumprimentam-se na rua, como se estivessemos numa aldeia. Ajudam-te. Ou fazem simplesmente gestos inesperadamente simpáticos. Como hoje, na estação dos autocarros, ao mudarmos, eu e o Luís, para o autocarro que nos levaria dali até ao hotel, o motorista não me cobrou bilhete. Só o Luís pagou. Não sei porquê, talvez porque me tivesse visto a remexer na carteira à procura de dinheiro trocado. Assim, sem mais nem ontem. Uma coisa absolutamente impensável em Portugal. Ou pelo menos difícil de acontecer.
 
Também disto tinha saudades. Desta simpatia, educação e cuidado. Embora se mantenham as distâncias. Gosto disto, confesso. E tinha também saudades do Diogo. Ele vai ficar chateado ao ler isto, possivelmente. Mas eu não quero saber. Tinha saudades do Diogo e é giro encontrá-lo aqui, em Wageningen, tão longe do ‘gabinete Figueiredo’. A trabalhar tão bem e, sim, (agora vai chatear-se mesmo a sério, mas continuo sem querer saber) a encher-me de orgulho. Acho que o trabalho também é isto, muito embora isto não seja apenas trabalho.

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