Foi bonita a festa mas muito curta, pá…


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Não tenham medo, eles não mordem! TTIP, CETA, TISA

Pronto, Magnette cedeu, a Bélgica pode assinar o CETA. Mas Magnette saiu de cabeça levantada e merece os parabéns, mais a nossa gratidão.

– Primeiro, porque mostrou à comissão e ao conselho que não fazem o que lhes apraz por cima de tudo e todos (gracioso foi ver a ausência total de declarações pela tão eloquente comissária para o comércio, Malmström).

– Segundo, porque colocou em cima da mesa as preocupações que vinham sendo expressas pelo movimento europeu de protesto, dando-lhe voz e obrigando a uma divulgação do assunto pelos meios de comunicação, até mesmo em Portugal; muitos portugueses terão ouvido agora pela primeira vez falar deste tratado que Portugal já acha o máximo, e vai subscrever.

– Terceiro e o mais importante, porque, tanto quanto se sabe, conseguiu que o texto a acrescentar ao tratado contenha coisas fundamentais. Uma, em prol da sua valente mas tão pobre região: Caso, posteriormente, a Valónia verificar que o CETA é mau para os agricultores locais, poderá sair do tratado com um xauzinho; outra, e esta é uma verdadeira vitória para todos nós, os tribunais arbitrais privados que protegem os investidores colocando-os acima dos cidadãos não poderão entrar em vigor na fase de aplicação provisória do CETA e, a médio prazo, devem ser substituídos por um tribunal público. E conseguiu ainda reforçar a protecção dos serviços públicos e colocar uns pozinhos do princípio da precaução.

Parece pois que a coisa vai avançar; Interessante vai ser ver como reagirão os parlamentos regionais belgas, que ainda têm que dar o ok, bem como os outros estados-membros (não seria um sonho Portugal dizer que também vai sair se a coisa estiver a correr mal para os agricultores portugueses???) e por fim, veremos se Trudeau vai aceitar. Mas consta que sim, mesmo levando um puxão de orelhas lá dos investidores locais e dos americanos activos no Canadá.

Magnette: Valeu, de todo, a pena. O resto dos trabalhos de casa fica para os preguiçosos, nos parlamentos nacionais, começando pela condução de consultas à população durante ano e meio, como tu fizeste. Mas para isso têm que começar a estudar o tratado, que se calhar é complicado demais para as suas possibilidades…

Ah! Ocorre-me que a condução de consultas a sério era uma boa ideia para uma petição em Portugal! Digo eu, enquanto esperamos que se resolvam a colocar na agenda da AR o debate a que são obrigados por via da petição da Plataforma Não ao Tratado Transatlântico, em fila de espera desde o fim de Junho passado…

Comments

  1. Ricardo Ferreira Pinto says:

    Magnette cedeu.
    Ana, podias ter-te ficado pela primeira linha, Magnette cedeu. Para mim, que fui acompanhando os teus posts dobre o assunto, nada mais há a dizer.

    • Ana Moreno says:

      Achas Ricardo? Porque tudo está perdido? não está, ainda temos muito trabalho à nossa frente. Se é porque ando sempre a dar na mesma tecla, pois… é verdade. Any way, há no meio do texto novidades, os acrescentos do Magnette só foram conhecidos hoje…Ademais, quem sabe, talvez nem todos os leitores sejam tão assíduos como tu🙂

  2. Rui Silva says:

    …parece que as noticias sobre a minha morte eram manifestamente exageradas…

    Esperamos que o acordo seja assinado. Não queremos uma Europa governada por ditadura mas sim por democracia.

    Em Portugal sempre que o Ditador Salazar tomava uma decisão , essa era evidentemente anti-democrática. E isso pode ser traduzido em números : era uma decisão tomada por 0,0000001% da população. Neste caso uma decisão (não assinar acordo) seria uma decisão tomada por : 0,000000008% da população, ou seja bastante mais anti-democrática que as decisões do nosso regime Fascista.
    Mas nem tudo são rosas. Fico preocupado que tipo de benesses lhes vão ser oferecidas.
    Esta chantagem por parte dos Valões tinha como é óbvio obter vantagens para eles , que lhes serão concedidas ás custas dos outros cidadãos Europeus.

    Rui Silva

    • Tomar decisões ás escondidas dos cidadãos é que é democrático.

    • Ó Rui, às vezes fico na dúvida se escreve estas coisas por ignorância ou por má-fé. Vou assumir que é a primeira.
      Sabia que este acordo não foi votado nem no PE, nem nos parlamentos nacionais?
      Sabia que este acordo e o congénere TTIP está a ser negociado em secretismo, sem que os cidadãos saibam o que é que alguns eurocratas, sem mandato popular, estão para assinar?
      Pronto, agora já sabe.

      • Rui Silva says:

        Todas as medidas anti-comercio livre que são tomadas não são sujeitas a votação, são pura e simplesmente os resultado da pressão que os respectivos Lobbys exercem sobre os governos visando um proteccionismo que mais não faz que aumentar os preços e baixar a qualidade.
        Mas para anular algumas dessas medidas ( que lhes vou chamar anti-abundância) você acha que deviam ser sujeitas a votação… esse não é o meu entendimento de democracia.
        Eu penso que sou mais livre quando não é um politico qualquer que toma as minhas decisões.

        Rui Silva

    • Nascimento says:

      Lambe o chão cão. Rasteja.O teu dono alemão, aquele nazi que a bala infelizmente passou ao lado, já te mandou ladrar hoje? Ele ladrou. Disse que te portas-te muito bem nestes últimos anos.Rasteja-te bem meu lindo Vasconcelos.

  3. O Rui faz eco de toda uma campanha alienante dos media mainstream que querem fazer passar a ideia de que os Wallões, como são poucos, não se devem opor aos muitos milhões de europeus e canadianos que querem o CETA. Querem? Quem é que lhes perguntou se querem? Os políticos? Os burocratas de Bruxelas????
    O tratado foi negociado no maior secretismo, precisamente para que ninguém saiba de nada, até o acordo lhes cair em cima e ser um facto consumado. É este o conceito de democracia do Projecto Europeu que o Rui pretende subscrever. Mas as mais de 500 organizações de cidadãos, as mais 2000 autarquias e os mais 3,5 milhões de cidadãos que já se pronunciaram (entre muitos outros actores sociais e) que a UE se recusa a ouvir, já disseram um rotundo não a esta autoestrada para os lucros das grandes corporações, as únicas beneficiárias destes acordos.
    O Rui já optou por servir os interesses delas. Eu e muitos outros já optámos por colocar os cidadãos e a democracia e o ambiente acima dos lucros. São as escolhas que definem as pessoas.
    José Oliveira

  4. Tiago says:

    Criem lá essa petição! Serei dos primeiros a assiná-la🙂

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