Uma pergunta certeira


daniel-oliveira

“Estes acordos fazem escolhas. Não servem apenas para abrir as fronteiras. Servem para as abrir garantido total proteção a quem investe e nenhuma a todos nós. Na globalização somos todos atirados para alto mar. O que estes acordos fazem é distribuir coletes salva-vidas a meia dúzia, garantindo que a democracia nunca interfere nos seus negócios. O que faz é pôr na lei a lei do mais forte, anulando a função moderadora da democracia. O que faz é proteger uns dos imprevistos enquanto deixa a larga maioria entregue a si mesma.” 

Isto sim, é uma óptima e tão necessária análise, num país em que apenas uma minoria ouviu falar do CETA e suas consequências. A premissa de que temos de ser nós cidadãos a pagar pelas perdas reais ou futuras dos investidores é delatora da verdadeira finalidade destes acordos. Canadá e os membros da UE são estados de direito, não necessitam de tribunais arbitrais; e, on top, somos nós que vamos ter que pagar a instalação do próprio mecanismo de protecção aos investidores. É tudo tão óbvio. Mas, com o xarope do suposto emprego e um ridículo aumento de PIB, a maioria das pessoas engole toda esta mentira.

 

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A sociedade actual caracteriza-se por uma perfeita confusão de conceitos que leva a não querer aquilo que se escolhe e a querer o que se não escolhe
    É evidente que a escolha destes acordos é uma escolha política. E os políticos são aqueles que lá colocamos mediante eleições a que pomos o epíteto de democráticas.
    Isto é uma grande balela, porque o sistema que vivemos não é democrático. É um sistema caracterizado pela intoxicação constante dos meios ditos de comunicação social que têm nos “merdia” o veículo.
    Um grande número de pessoas faz a sua escolha baseada nas indicações do partido – os dados de saída são sempre válidos, ainda que contraditórios no tempo, mas isso parece não ter importância – e outra parte das pessoas não sendo filiados, são bombardeados diariamente com notícias saídas dos “canais de informação” que dirigem as pessoas a aceitar as escolhas prévias daquele grupo de pessoas que detem, de facto, o poder.
    Muito poucos portugueses conseguem manter-se à parte das escolhas ditadas pelas grandes linhas políticas ou político/editoriais, o mesmo é dizer, muito poucos portugueses pensam pela sua cabeça.
    E compreende-se. É que pensar pela sua cabeça dá trabalho e esta sociedade foi angelicalmente pensada de forma a “poupar” as pessoas, pelo menos desse trabalho.
    Pessoalmente, não entendo esta discussão dos tratados e da globalização e explico porquê.
    Passamos o tempo a eleger políticos (com a alternância característica do tolo no meio da ponte) que defendem justamente estes princípios da globalização e do comércio livre, não filtramos a informação saída dos conteúdos da SIC, TVI, RTP, onde o contraditório é sistematicamente afastado e depois vem a choradeira das escolhas que são feitas.
    Quando os partidos políticos europeus estão reféns da política económico-financeira americana, quando os próprios ditos socialistas esgrimem todos os argumentos do capitalismo selvagem, quando os meios de informação repetem à exaustão os mesmos argumentos, ficamos à espera de quê?
    E concluo: As decisões “democráticas” são mesmo democráticas, porque são tomadas por pessoas que a maioria elegeu.
    A Europa vem a ser engolida desde 1946 por forças das quais se não soube ou não quis libertar. E nos últimos 20 anos, foi completamente digerida pelas forças que os Europeus não querem, mas elegem…
    Triste sina.

  2. Rui Silva says:

    A resposta certeira é o Marxismo. Sim o Marxismo e seus derivados serão os que tem mais a perder.
    Quanto mais se promova a Liberdade mais para trás ficará essa ideologia, que precisa desesperadamente de pobres (ou pessoas dependentes de subsídios melhor dizendo) para ter razão de existir.
    O Marxismo não tolera que o individuo pense pela sua própria cabeça. Alias considera o individuo uma ameaça.

    Rui SIlva

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      O Rui Silva acabou de descobrir que o Donald Trump e o Viktor Órban (não esquecendo o nosso Cavaco que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas) são três perigosos marxistas !!!
      Quem o lê lembra-se de imediato da Liberdade Salazarista. O discurso é rigorosamente o mesmo
      Valha-o Deus… A cegueira é uma verdadeira profissão de fé…

      • Rui Silva says:

        Caro Ernesto Martins,
        Admitindo que você não sofre de cegueira, como eu, diga-me lá países onde tenha sido implantado um regime Marxista/Socialista e a coisa não tenha acabado na mais absoluta miséria.

        cumps

        Rui SIlva

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Admite muito bem.
          Por definição qualquer regime socialista tem bases e linhas marxistas. O nosso socialismo, tal como o Europeu virou-se para outro lado, depois de ter aberto uma gaveta e colocado no seu interior as ditas linhas e bases. Mas sobre isto, não me pronuncio.
          Mas a questão de fundo que lhe dirigi, não tem nada a ver com o que agora o caro Rui Silva traz a terreiro.
          Parafraseio, com respeito a sua opinião escrita ” (…) O Marxismo não tolera que o individuo pense pela sua própria cabeça. Alias considera o individuo uma ameaça (…).
          O que eu referi a seguir são algumas personalidades pertencentes ao tal mundo de Liberdade que o Rui Silva terá todo o direito em defender e que se aproximam perigosamente da definição de marxismo que exprimiu.
          Se quiser ler o que eles dizem, o que promovem e o atentado que são para a Humanidade, faça o favor de o fazer e tire depois as suas conclusões. O resto, acredite é meia de cegueira, meia de profissão de fé.
          Cumprimentos

          • Nascimento says:

            ò ruizinho meu anormal invertebrado, fica a saber que estaríamos muito melhor se estivéssemos num regime marxista- e se este grande homem que se dá pelo nome de Daniel Oliveira fosse o líder podes ter a certeza que isto is pra frente. não é com democracias que este país vai sair da lama. Quem és tu cretino de merda que ousas discordar do Ernesto Martinho ?

          • Rui Silva says:

            O seu erro está em considerar que eu concordo ou apoio de alguma forma os citados indivíduos.
            Uma técnica muito usada pelos apoiantes destas teorias consiste em dizer que se não concorda com o Marxismo, é porque é apoiante de ditaduras de direita, fazendo acreditar aos mais incautos que não existe mais nenhuma possibilidade.
            No seu caso fico na dúvida se a usa intencionalmente se por crença.

            Rui Silva

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Caro Rui Silva:
            O meu caro confrade do Aventar canta bem mas não me alegra. Então eu é que o colo à direita e o Senhor acaba de me colar ao marxismo!!! Grande pirueta !!!
            Este é um não assunto, pois o tema do post não tem nada a ver com o marxismo. O Senhor é que o trouxe o tema a terreiro culpando o marxismo de todas as doenças. Sabe, eu com 67 anos de idade, ouvi durante muitos anos esse discurso. Note que isto é apenas um paralelo e não a intenção de o atacar.
            Note que escrevo “(…) O que eu referi a seguir são algumas personalidades pertencentes ao tal mundo de Liberdade que o Rui Silva terá todo o direito em defender (…)” ou seja, falo em termos de suposição, não o colando a nada. Não sei se o caro Rui Silva gosta ou não dos personagens. Apenas referi o “mundo ao contrário” (que também existe).
            Neste contexto, terá que ficar com as dúvidas que entender, porque também não faço esforço para lhas tirar, uma vez que ou não compreendeu ou deturpa o que escrevi.

            Uma palavra para o caro Nascimento.
            Peço-lhe o favor de utilizar uma linguagem que não seja ofensiva. O facto de não estarmos de acordo, não quer dizer que se passe ao insulto. Sei bem que não foi comigo, mas sinceramente, não gostei do seu comentário dirigido ao Rui Silva. E como foi escrito sobre algo que eu escrevi, apresso-me a pedir-lhe esse favor. As ideias, discutem-se e quando os termos passam a ser duros, corta-se. E é pena, porque todas ideias deveriam ser respeitadas de forma a que a discussão seja sã. Obrigado.

  3. Anónimo says:

    No filme BenHur, no alto mar quem tem os coletes de salvação é o gajo do tambor, que marca o ritmo, e o gajo do chicote, que dá nos escravos.
    Os escravos é que fazem a coisa navegar, mas quando o barco vai ao fundo, são os escravos, que lhe estão acorrentados, que também vão ao fundo.

  4. Splash says:

    “O que faz é pôr na lei a lei do mais forte” Eu diria a lei do mais podre, porque fortes somos nós que arcamos com esta podridão todos os dias.

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s