SubvençõesVitalícias.pt por José Magalhães


José Magalhães poderia ter escrito uma obra sobre como lutar pelas subvenções vitalícias. Foi um entre os 30 deputados do PS e do PSD que pediram ao  Tribunal Constitucional para travar a norma que acabava com as subvenções vitalícias dos deputados com rendimento de outras fontes, superior a 2 mil euros por mês. Relembro que os eleitos depois de 2005 já não têm direito a essas subvenções. Mas não, Magalhães decide brindar-nos com um livro moralista sobre remunerações de eleitos como se não fosse nada com ele, como se não tivesse beneficiado e bem (as subvenções vitalícias são um exemplo escandaloso) durante 30 anos de parlamento daquilo que agora alega denunciar. É giro denunciar depois de beneficiarmos. É extremamente credível…

Mas esta obra tem mais um ponto interessante, que é o associar automaticamente um estatuto de político profissional aos eleitos. Ora, numa democracia, no nosso parlamento, há professores, investigadores, estudantes, advogados, médicos, etc., que são eleitos por 4 anos e depois desses 4 anos muitos deles voltam à sua vidinha anterior. Mas, José Magalhães fala por ele, como se todos fossem passar 30 anos da sua vida na Assembleia da República. Designa-os em bloco como políticos (leia-se profissionais). Na realidade, ele próprio conseguiu construir uma carreira como se fosse efetivamente um político profissional aproveitando os buracos no sistema de uma legislação imatura de uma jovem democracia, antes da qual, durante os 40 anos de ditadura, havia efetivamente políticos profissionais, vitalícios, com subvenções vitalícias. É todo um léxico que se denuncia a si próprio. Não é novidade, basta ouvir Medina Carreira, outro que tal, que acumula benesses pelo curto tempo em que deu cabo das finanças do país quando foi ministro.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A destruição da Democracia far-se-á lenta e inexoravelmente com a actividade “revolucionária” destes “democratas”. Verdadeiros sanguessugas, gente sem um pingo de vergonha, criaram uma bola dentro da qual vivem enquanto observam os mortais contribuintes, que lhes permitem todos os dislates e até os recompensam, votando neles vezes sem conta.
    José Magalhães é um daqueles políticos de carreira da fornada “xuxa” que vai tendo tempo para escrever uns livros onde se esquece da atitude mais simples que qualquer mortal pode ter e que num político é fundamental: a capacidade de se ver ao espelho.
    O problema está no estatuto de deputado que se compara àqueles autarcas (incluo os “modelos”) que fizeram toda uma carreira na política e que, só há poucos anos, deixaram de poder continuar a “mamar” (este é o termo exacto).
    Um deputado deveria ter direito a estar no Parlamento durante duas legislaturas. Depois, deveria dar o lugar a sangue fresco, até para evitar “contaminações”. O problema é que vemos aqueles seres entrarem jovens e sair sob a forma de “peste grisalha” ou sem cabelo, mas muito mais confortáveis do ponto de vista financeiro.
    Este é o estado do nosso país: Portugal tem três classes intocáveis: a dos políticos, a dos bancários e a dos futebolistas, os novos deuses dos rebanhos.
    E quando é assim …

  2. Paulo Só says:

    O que eu queria saber é o seguinte: quantos operários ou trabalhadores agrícolas, ou filhos destes, sejamos generosos, existem entre os deputados do PS, PSD e CDS? De contrário para mim renda vitalícia só para doentes incuráveis. Ora todos sabemos que os políticos são incuráveis, mas de uma vitalidade de fazer inveja.

  3. Os chulos da Democracia.

  4. Rui Naldinho says:

    Choca-me menos o político profissional de carreira, como o José Magalhães, do que aqueles que se dizem não profissionais e andam 22 anos a ocupar os mais altos cargos na hierarquia do Estado. E ainda optam por receber as pensões cumulativamente dos vários cargos públicos que ocuparam, em detrimento da último cargo de Estado que ocuparam.
    Vi muitos militares antes e depois do 25 de Abril a ocuparem cargos diretivos na administração pública e na política e quando se reformaram levaram a pensão correspondente à sua patente militar, e nada mais. Mas isso é outra casta.
    Ou aqueles cuja passagem na política é efêmera e depois disso aterram numa daquelas empresas PSI 20, que tutelaram enquanto governantes, e à qual não há quem lhes faça concorrência por terem o monopólio que lhes foi garantido pelo tal político não profissional.
    Sou contra as subvenções vitalícias, uma vez que um político têm direito como qualquer prestador de serviço público, direito a uma reforma condigna em função do tempo que dedicou à coisa pública.
    O exemplo do político que mudou a lei das subvenções vitalícias, que não quis nada do Estado, e se dedicou a vender plasma, é aquele mocinho, que me parece vai ser acusado de corrupção.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      E qual é a diferença?

      • Rui Naldinho says:

        Ha alguma. Jose Magalhães parece-me uma pessoa idónea. Não lhe conheço casos.
        O que não falta por ai são políticos que entram nesta vida da política de “raspão” com um único objectivo. Conseguir criar condições de monopólio ou vantagem a quem lhe dará emprego a seguir. Só isso!

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Assisti a imensas contradições do seu discurso – defender isto e o seu contrário – ao longo dos muitos anos de vida política que leva. Esta gente tem o dom da palavra e pouco mais e é apenas, mais um do sistema que se regala, nomeadamente, com a mudança de cor e do símbolo da bandeira do seu partido.
          Sabe, Rui, é gente que se “adapta” com muita facilidade…
          À minha “missa”, não vai aliás, como qualquer político da nossa Praça. Ando há 42 anos a assistir a piruetas e tinha já 25 anos quando se deu o 25 de Abril. Portugal mudou muito desde essa altura e para melhor, mas do ponto de vista da política – refiro-me à honestidade, transparência e verticalidade – tem vindo a perder muito terreno. Aliás, como toda a Europa.
          Cumprimentos.

          • Rui Naldinho says:

            Visto dessa maneira, até sou capaz de concordar. Ele até começou no PCP e acabou no PS. Nada a que não estejamos habituados.
            Cumprimentos

  5. Manuel Torres da Silva says:

    E preciso contar tudo, sff.
    A lei que eles criaram em benefício próprio “eterniza” as benesses até à geração seguinte, que pode requerer a subvenção, a todo o tempo, se forem menores ou cônjuge sobrevivo.
    “Morra eu tarde, que sempre me pagam, mas, mesmo que morra tarde ou mesmo que morra cedo, ficam cá os meus para continuar a sugar três quartas partes do que me pagavam.”
    Eh pá, eles sabem muito.
    Nem coragem há para legislar e fixar um prazo de caducidade para este “direito”, sim, direito, na interpretação mais recente do Tribunal Constitucional.
    Sendo assim, Sócrates já tem como viver outra vez à conta e outros se lhe seguirão, como, por exemplo, Miguel Macedo, que não recebe (pois não pode, por enquanto), António José Seguro e António Lobo Xavier, os dois últimos quando quiserem requerer, porque já reuniam condições em 2005.
    Porra, isto não acaba nunca mais!
    E eu a vê-los passar.

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