Cáritas de Lisboa apenas envia 16% dos fundos recolhidos para apoio aos pobres


É o que ouvi há pouco na reportagem da RTP3. Muito bem esteve Anselmo Borges, padre, ao comentar a reportagem, mostrando-se perplexo com a situação e afirmando que, se este número for verdade, então há que investigar o que é que se passa. E que o dinheiro tem que ir para o fim para o qual foi recolhido. Que isto assim não pode ser. Que o dinheiro tem que ser entregue imediatamente.

16% apenas! Tostões para os pobres, fortuna para os empreendedores da caridade, pomposamente pertencentes a uma tal economia social, mas que, na verdade, é um negócio que foi potenciado durante o mandato do anterior governo, como se ilustra a seguir em alguns recortes.

 

Fonte: ICP

Com Welcome Drink. Mas que bem.

 

Fonte: PSD

 

Fonte: CDS-PP

A direita fomentou o negócio, nomeadamente com um forte apoio às IPSS e com nova legislação, vista como um reforço ao assistencialismo (ver, por exemplo, a lei que estabelece as bases gerais do regime jurídico da economia social e o decreto-lei que estabelece os princípios orientadores e o enquadramento a que deve obedecer a cooperação entre o Estado e as entidades do sector social e solidário). Mas PS, PCP e BE embarcaram na onda, em contextos distintos, mas evidenciando que o conceito introduzido pela direita ganhou raízes nos diversos sectores da sociedade.

 

 

Esta “economia” – será mais correcto chamar-lhe actividade – representa entre 5 e 7 % do PIB e coloca-se a questão se deve ou não gerar lucro. A postura da Cáritas, já se percebeu, é gerar enorme lucro, como se constata pelos depósitos milionários que não foram usados para ajudar quem precisasse.

Entidades de cariz privado, receptoras de dinheiro público, vindo da Segurança Social, não devem estar sujeitas a menor fiscalização do que os correspondentes organismos estatais. E os fundos vindos de peditórios e doações deveriam ter igual fiscalização, como forma de evitar devaneios como o que agora se descobriu.

Comments

  1. Konigvs says:

    Além do empreendedorismo, em que somos especialmente bons, como profissionais da caridade, acho é que se deveria, também, de incentivar e financiar mais milagres.
    Quer dizer, no fundo, além da invenção de Fátima, que mais sítios é que temos a dar muito dinheiro? Com o turismo religioso, tal como as fundações e a caridade, a gerar milhões e milhões de euros (sem pagar impostos) deveríamos era, se dúvida, incentivar o empreendedorismo do milagre. Cem anos depois, está claro, que continuam a vir charters de idiotas para dar o seu ouro e o seu dinheiro à santinha do pau oco, como forma de alívio da consciência pesada, até porque, como se sabe, quem tem dinheiro não entra no reino dos céus.

    • Paulo Só says:

      Até andam a fazer não sei quantos caminhos para os peregrinos a Fátima, para incentivar o turismo religioso, e querem o aeroporto lá…..A gente até pode entender o interesse, mas que dá nojo dá. Pensar que foi para isso que fizeram o 25 de Abril! Qualquer dia ainda vou a Fátima ou qualquer outro santuário, Sameiro, Bom Jesus, Santa Luzia, São Gonçalo de Amarante, para ver se me cai algum dinheiro do céu aos trambolhões. Será que temos de ir de joelhos? Não sei o que é pior se a PIDE, se isto. Como dizem os franceses: chassez le naturel, il revient au galop. Venham, aleijões do mundo inteiro!

  2. Paulo Só says:

    E o nosso seráfico Cardeal Patriarca tem alguma coisa a dizer? Ainda hoje passei diante de uma casa para idosos do Montepio ali na Parede e me perguntei quanto custa, custou e custará? E a Santa Casa com seu palácio no Lumiar para os velhinhos que lá trabalham? Para Santo podem começar com o Lopes, que até já è Santana. Na Santa Casa ninguém mete o nariz. E é melhor não meter mesmo porque o dor não deve ser dos melhores.

  3. Rui Mateus says:

    O pão nosso de cada dia de um sistema sob os auspícios da caridade.

  4. Se há boçais mesmo boçais, estes são os que dão dinheiro a este tipo de máfia da caridade faz-de-conta.

  5. Paulo Só says:

    Para eles CARITAS não se conjuga no dativo, só no ablativo.

  6. É bom que se perceba que esta inusitada atracção pelas IPSS por parte do governo PSD/CDS não era afinal inocente.

  7. Luís says:

    A verdade é que as IPSS´s passaram a ser instituições de “solidariedade” obrigatória com preços para os utentes a subirem, vertiginosamente, de ano para ano.
    Se a isso somarmos as contribuições do Estado e os donativos que recebem, não admira que algumas delas possuam contas bancárias de milhões.

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