Golpe de Cavaco Silva e Passos Coelho – aniversário


Cumpre-se hoje o 6º aniversário do golpe palaciano engendrado por Cavaco Silva e levado a cabo por Passos Coelho, o chumbo do PEC IV, sem propor alternativa, contrariamente aos outros partidos, que levaria à demissão de José Sócrates e ao consequente pedido de “ajuda externa” consubstanciado no chamado “Memorando de Entendimento”, ou seja, a bancarrota e o resgate de Portugal, entregando a nossa soberania a uma “troika” internacional.

Cavaco-Cavaco_Silva-e-Passos_ Coelho
Até hoje Passos Coelho nunca esclareceu razões credíveis que justificassem a rejeição daquele programa, negociado e aceite por Angela Merkel e pela Comissão Europeia, uma vez que afirmava, à época, que nunca mexeria nem nos salários, nem nas pensões, posição que mudou passado poucos meses depois quando passa a defender ir para além do Memorando de Entendimento.
Cavaco Silva, no discurso de tomada de posse do seu 2º mandato a 9 de Março de 2011, deixa muito clara a sua visão sobre as finanças de Portugal, bem como o seu ódio pessoal a José Sócrates, o qual, como sabemos era correspondido pelo visado.

É certo que o governo de Sócrates não compreendeu a dimensão estrutural da crise bancária e financeira de 2008, continuando uma política sem restrições orçamentais que conseguissem conter a dívida soberana (mais de 90% do PIB) e segurar o défice que vem a atingir os 2 dígitos em 2010, mas ninguém queria mais um resgate a um país do euro, mormente Merkel, Durão Barroso, Olli Rehn e Jean-Claude Trichet, por temerem o contágio a Espanha e, por outro lado, querem evitar a intromissão do FMI na União Europeia.
A consciência da necessidade de outro programa de austeridade, devido ao descalabro financeiro já estava instalada desde o último trimestre do ano anterior, mas o que se pretendia evitar era a noção de perda de soberania através da figura de “default” e respectivo resgate, servindo para o efeito o PEC IV.

O que levou Passos Coelho a chumbar o PEC IV nada tem a ver com o seu conteúdo, nem com o facto de não ter tido conhecimento antecipado, mas sim, na minha interpretação dos factos conhecidos, com a vontade de Cavaco Silva em correr com Sócrates para fora do governo de qualquer forma, mesmo que isso implicasse atirar o país para a bancarrota e sujeitar-se à perda de soberania.
No livro que recentemente publicou, Cavaco Silva dedica-se a destilar o seu ódio a Sócrates, dando a desculpa de que mesmo com o PEC IV Portugal não se livraria de um resgate. Ora isso é o que ele não sabe, porque o provocou, pelo menos prematuramente, ao arrepio da vontade dos mais influentes actores da União Europeia! Aliás, ainda a 22 de Março, a Europa pressiona dizendo não aceitar nenhuma alteração às medidas apresentadas por Portugal aos Chefes de Estado ou de Governo dos países do euro do dia 11 desse mês de Março. De nada disto Cavaco Silva quis saber, “mandatando” Passos Coelho para cumprir a sua vontade de chumbar o PEC IV.

Assim aconteceu a 23 de Março de 2011! À excepção do PS, todos os partidos chumbaram o PEC IV, sendo que o único que não apresentou qualquer alternativa foi o PSD.

No mesmo dia, as agências de rating arrasam Portugal levando Teixeira dos Santos a informar Sócrates sobre a necessidade de um pedido de resgate.  Sócrates apresenta a demissão no final do dia.
No dia seguinte, a 24 de Março, Angela Merkel descompõe Passos Coelho manifestando-lhe que «Portugal tinha apresentado “um programa muito corajoso para os anos 2011, 2012 e 2013”, que considerava “apropriado”, pelo que lamentou “profundamente” que não tenha sido aprovado (na quarta-feira) pela Assembleia da República.”»
Nesse mesmo dia, curiosamente, surgia um outro poder na Europa, até então escondido, que pressiona Portugal a pedir um resgate, através de Jeroen Dijsselbloem e António Borges.

Foi a primeira vez que o PSD, até então conhecido como o partido mais genuinamente português desde Sá Carneiro, coloca em causa a soberania nacional, ouvindo-se, a partir desse momento, muitas vozes de gáudio por virem estrangeiros colocar o país na ordem!
Passos Coelho entrou nesse registo, fiel cumpridor do que os estrangeiros querem fazer de Portugal, e ainda hoje não se habituou à ideia de que, mesmo que precisemos deles, devemos fazer tudo para tentarmos, por nós, resolver os nossos problemas de acordo com os nossos interesses.

Consciente de que o que escrevi é uma interpretação dos factos, deixo dois links para o Público onde constam os factos cronológica, para sustentarem outras interpretações, ( link 1, link 2 ).

Comments

  1. Konigvs says:

    O FMI veio porque o BE e o PCP andaram a ver quem era o campeão das moções de censura, e porque, à data, não se quiseram coligar com o PS, escancarando a porta para um governo de extrema-direita.
    Deram a mão à palmatória 5 anos depois. Tudo o resto é gincana política por forma a cada partido tirar o máximo de dividendos possíveis: “que se fôdam os portugueses, o que nos interessa é garantir o nosso tacho”.

    • Paulo Marques says:

      Como se houvesse diferença entre o PEC IV, V, VI, VII, VII, IX, X, XI ad eternum e a troika.
      Quando o PS quando tiver que escolher novamente entre a zona euro e os portugueses se preferir defender o protectorado voltará a estar sozinho.

  2. Não houve nenhum golpe de estado houve sim um cerco bem planeado pelo PSD/CDS mancomunados com Cavaco. A estratégia de desgaste dos Pecs, dando assim corda a um governo que bolinava a olhos vistos funcionou em pleno. Claro que a esquerda não poderia de manheira nenhuma embarcar nessa barca de Caronte. Tudo começou com a abstenção do PSD/CDS nos PECs 1,2 e 3 que apenas serviram para cirurgicamente enterrar ainda mais o PS com as suas erráticas políticas. Eles (PSD/CDS) só tiraram o tapete ao PS votando contra no Pec4 quando viram que o PS estava completamente atolado nas suas contradições. Sócrates se fosse sério e patriota não teria que se demitir tinha era que apresentar na AR um governo credível mas, num acto de pura cobardia política aproveitou a oportunidade para chamar a troika, fugir do governo e do país e ir estudar para Paris.
    O reinado dos PECs suportados apenas pela direita, foram um pesadelo para o país e só poderiam dar no que deram instalando o caos no país para gáudio de uma direita que fingia nada ter a ver com eles tomando assim conta de um governo que lhe caiu no colo por falta de comparência do anterior. É falaciosa aquele argumento de que os partidos à esquerda devem a qualquer preço segurar o PS no governo sob pena de ao não o fazerem abrem caminho à direita. Era o que faltava. Em última análise a culpa é dos eleitores.Os partidos à esquerda não podem nem devem ser muletas dum PS que renega reiteradamente os seus princípios programáticos metendo-os na gaveta e deitando fora a chave. Um partido que dá uma no cravo e outra na ferradura, sem substrato politico e cheio de contradições e que está na génese dos tempos complicado que vivemos. Já suficientes maiorias absolutas onde teve oportunidade de fazer o país avançar para um verdadeiro desenvolvimento, sem amos nem senhores. Pura e simplesmente claudicou. Aliás não é só em Portugal. Na Europa os partidos socialistas foram já amplamente maioritários hoje foram varridos da cena politica ao aplicarem politicas contrárias aos seus princípios programáticos lançaram o caos e a desconfiança nas populações empurrando-as para os partidos de extrema direita sendo hoje a base social destas formações que mais cedo do que tarde, para a desgraça ser completa, acabarão por chegar ao poder.

  3. Não houve nenhum golpe de estado houve sim, um cerco bem planeado pelo PSD/CDS mancomunados com Cavaco. A estratégia de desgaste dos Pecs, dando assim corda a um governo que bolinava a olhos vistos, funcionou em pleno. Claro que a esquerda não poderia de manheira nenhuma embarcar nessa barca de Caronte. Tudo começou com a abstenção do PSD/CDS nos PECs 1,2 e 3 que apenas serviram para cirurgicamente enterrar ainda mais o PS com as suas erráticas políticas. Eles (PSD/CDS) só tiraram o tapete ao PS, votando contra no Pec4, quando viram que o PS estava completamente atolado nas suas contradições. Sócrates se fosse sério e patriota não teria que se demitir tinha era que apresentar na AR um governo credível mas, num acto de pura cobardia política aproveitou a oportunidade para chamar a troika, fugir do governo e do país e ir estudar para Paris.
    O reinado dos PECs suportados apenas pela direita, foram um pesadelo, e só poderiam dar no que deram, instalando o caos no país para gáudio de uma direita que fingia nada ter a ver com eles tomando assim conta de um governo que lhe caiu no colo por falta de comparência do anterior. É falaciosa aquele argumento de que os partidos à esquerda devem a qualquer preço segurar o PS no governo sob pena de, ao não o fazerem, abrirem caminho à direita. Era o que faltava. Em última análise a culpa será dos eleitores. Os partidos à esquerda, têm programas políticos próprios e não podem nem devem ser muletas dum PS que renega reiteradamente os seus princípios programáticos metendo-os na gaveta e deitando fora a chave. Um partido, sem substrato político, que dá uma no cravo e outra na ferradura, cheio de contradições e que tem fortes responsabilidades nos tempos complicado que vivemos. Já obteve em diferentes ocasiões suficientes maiorias absolutas onde teve oportunidade de fazer o país avançar para um verdadeiro desenvolvimento, sem amos nem senhores. Os resultados estão à vista. Pura e simplesmente claudicou. Aliás não é só em Portugal. Na Europa os partidos socialistas foram já amplamente maioritários hoje foram varridos da cena politica ao aplicarem politicas suicidas e contrárias aos seus princípios programáticos lançaram o caos e a desconfiança nas populações empurrando-as para os partidos de extrema-direita sendo hoje a base social destas formações que mais cedo do que tarde, para a desgraça ser completa, acabarão por chegar ao poder.

  4. Antonio Luis Coelho says:

    Isto é uma interpretação cheia de veneno e mal contada.

    • António Luís Coelho seja coerente e aponte onde está o veneno. Aponto factos e consequências. Não se limite a escrever vacuidades. Conteste mas com argumentos.

  5. CAVACO terá sido o mestre (com o poder ultraconservador oculto a manipula-lo) de toda a desgraça que ocorreu a partir de 2011 a Portugal e aos portugueses, e terá ele próprio ficado muito surpreendido com a rápida atuação das empresas de rating a porem Portugal no lixo!
    Esta atuação de Cavaco manipulada pelos “donos internacionais disto tudo” (os quais usavam e usam os seus marionetes bem colocados nas empresas de rating, no FMI, na UE …) , já vem da macaquice do “golpe de Belém” das escutas.
    O objetivo desses “donos disto tudo” era enfraquecer ao máximo o PS, e com o apoio do rating subserviente e ás ordens, FMI/MERKEL, sacarem os recursos económicos estratégicos do país, e esmagarem os direitos e os salários dos trabalhadores e reformados!
    É esse o filme de Portugal, do Brasil, da Grécia, da Venezuela … e só não resultou na Venezuela (ainda).
    Claro que nos países produtores de petrólio sem tradfições democráticas os “donos internacionais disto tudo” se não obedecidos, utilizam os EUA/NATO para arrasarem com esses países, substituírem os detentores “legítimos” do poder por “testas de ferro” e se apoderarem do petrólio!
    Passos neste contexto revelou-se um “yes man” e aliou-se totalmente a esses donos internacionais disto tudo, para seguir fielmente as suas orientações (através dos seus “conselheiros” António Borges, Durão Barroso ) os quais já tinham a encomenda feita pelos seus patrões principais (Goldeman Sacks e companhia).
    E Passos continua nessa estratégia de “pau mandado” desses donos internacionais disto tudo (é ainda o TEMER português) á espera que o PS tropece, para esburacar Portugal outra vez e claro para dar cabo do canastro aos reformados e trabalhadores!

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