Mãos ao alto, esta merda é um assalto!


Nós não vamos pagar o Novo Banco, Dr. Teixeira dos Santos. Nós já estamos a pagar o Novo Banco desde que o regime da falcatrua rebentou com ele, sôtor. Já o pagávamos antes, com perdões fiscais e cenas dessas, agora pagamos mais um “bocadinho”, nada a que não estejamos já habituados. Ou não estivéssemos nós ainda a pagar aquele outro banco que o senhor conhece tão bem, aquele dos amigos de um certo presidente que um dia nos garantiu a todos que podíamos confiar no BES, pouco antes de se transformar neste Novo Banco. E era preciso nascer duas vezes para perceber mais de bancos que esse antigo presidente. Viram como ele tinha razão? Ninguém dá o devido valor ao Cavaco. Cambada de ingratos.

Nós pagamos tudo, senhor ex-ministro das Finanças. O Novo Banco, os velhos bancos, os bancos que não são bancos e as coisas financeiras que brincam aos bancos. Às vezes pagamos reformas em bancos, de tipos que saltam de cadeira em cadeira e acabam num conselho de administração de qualquer uma das above mentioned species, outras vezes pagamos principescamente a um talhante para os tentar vender, outras ainda em que pagamos porque pagamos, não se sabe muito bem porquê. Mas pagamos sempre, e a culpa é do vizinho, da bola, do refugiado ou do salafrário do RSI. Do PREC, do LGBT, do TC e da CGTP. Tudo comunas, tudo esquerdalhos, uma grande epidemia que se propaga tão sinistramente como as spin-offs do Big Brother. O da TV, com carne, grunhisse e substâncias inflamáveis, não o do livro, que para isso já temos trumps que cheguem.

No fundo, caro Teixeira dos Santos, aquilo que nós fazemos como ninguém é pagar. Pagar bancos, pagar tachos, pagar avenças e ajustes directos, pagar obras com orçamentos inflacionados, de maneira a sobrar sempre algum para forrar o fundo da mesa, mesmo ao lado do compartimento onde se guardam as luvas, pagar campanhas eleitorais e inaugurações eleitoralistas, opinião fabricada e factos alternativos. E impostos. Impostos que nem todos pagam, é certo, que um tipo que foge para um paraíso fiscal é uma tragédia. Um milhão que não tem como fugir é uma estatística.

Cartoon via The Telegraph

Comments

  1. anti pafioso. says:

    srº João Mendes. Felicitações pelas palavras sábias escritas no texto . Que nunca lhe doam os dedos .

  2. Luís says:

    Que marca de queijo é que este sem vergonha está a comer?
    Ainda me lembro de ver este tipo na TV a dizer que os portugueses não iriam pagar os roubos do BPN.
    Oito dias depois dá-se a nacionalização e vejo o Cavaco a avisar, muito excitado, que já tinha promulgado o documento e que o “risco sistémico” tinha sido evitado.
    Depois viu-se o “risco sistémico” do Banif, BCP, Finibanco, CGD, Bes …( o tal que nada tinha a ver com o GES) a ser evitado com o nosso dinheiro.
    Pagamos mas não nos livramos de sermos ameaçados e insultados todos os dias com o “vivemos acima das nossas possibilidades” por sermos calaceiros.
    Ao mesmo tempo esta escumalha informava-nos que o problema de Portugal era diferente da Espanha e Irlanda porque estes tinham graves problemas na banca e a nossa banca era sólida.
    À medida que o tempo passa não podemos deixar de nos sentir com uma enorme raiva contra esta gente ordinária e sem escrúpulos que se governou com uma ganância desmedida à custa de famílias destroçadas pelo desemprego e emigração.

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