Wikileaks,  Panama Papers e a lista de mortos de Pedrógão Grande: dois casos de censura e um de excesso de informação no Expresso


Wikileaks,  Panama Papers e a lista de mortos de Pedrógão Grande

Muito se tem recordado, e bem, o caso Panama Papers. Mas é de lembrar  que há precedente, no Expresso também, nomeadamente quanto à divulgação dos textos WikiLeaks. Onde está a publicação integral dos cables que o Expresso censurou? Não existe, apesar da promessa de Ricardo Costa:

“No site vamos publicar na integra todos os telegramas. Quem quiser pode ler tudo. No jornal, enquadramos, editamos e corrigimos.
Achamos que temos, neste caso, uma dupla obrigação:
– divulgar a informação relevante, apenas e só depois de a termos trabalhado;
– disponibilizar aos leitores os telegramas que utilizámos.
Com este processo estamos a ser transparente e podemos ser facilmente escrutinados” [Ricardo Costa, Expresso, 01/03/2011; A publicação original no Expresso já não existe, mas está disponível no Aventar ]

Se nestes dois casos a censura de informação foi a marca dominante, já contenção foi coisa que não existiu quando o Expresso resolveu publicar o nome dos 64 mortos no incêndio de Pedrógão Grande. Zero de relevância jornalística, já que a notícia teria o mesmo valor sem esses nomes chapados, sem pudor, nas páginas de um jornal. E o mesmo se poderia dizer da PGR, que acabou por ceder à pressão política por parte do PSD e do CDS, apesar disso ser tema para outras conversas.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Caro Jorge

    Antes de mais, a minha confissão de interesses. Assino o Expresso. Os meus pais já o compravam desde o seu início, talvez um ano antes do 25 de Abril de 1974. Tenho pelo menos essa vaga ideia.
    Passemos aos factos. Concordo com o seu texto. É verdade, que o jornal não se portou lá muito bem, em ambos os casos.
    O Expresso é o jornal do “politicamente correcto”. Não no sentido literal do termo, mas naquela versão muito Portuguesa, “uma no cravo, outra na ferradura”. Sempre foi assim, e morrerá assim. Mas tem no geral, bons colunistas. Mesmo na chamada ala direita.
    Como dizia há umas décadas Manuel Alegre, que era um dos colunistas do semanário, nessa época, “nunca sabemos onde o Expresso começa, mas também nunca sabemos onde ele acaba”.
    O Expresso teve vários diretores, uns mais à esquerda, outros maus à direita. Até conseguiu ter a dirigi-lo durante mais de dez anos, essa enormidade intelectual, chamada José António Saraiva. O qual se viraria contra o próprio Balsemão. Só mesmo no EXPRESSO! O que demonstra a versatilidade conturcionista de Francisco Balsemão.
    É assim, Jorge! Há sempre um “parto que deveria ter sido abortado”, mas aquela crença na Vida faz-nos por vezes acreditar que um feto mal formado, ainda pode ser recuperado. Foi o caso do Saraiva.
    Afinal, percebe-se agora que não pode!
    É só por isso que o jornal semanário EXPRESSO tem interesse.
    Os tempos não estão fáceis para o EXPRESSO, hoje. E quem compra jornais, na generalidade, são os pagantes do costume.
    Os outros já os mandaram às malvas, há muito tempo. Eu ainda resisto. Porque acredito que o EXPRSSO faz falta.
    Até quando, não sei ?

    • Está difícil para todos os jornais. Mas só os conteúdos de qualidade (informativos, isentos e balanceamento na componente opinativa) pode fazer a diferença entre um jornal e um blog ou uma página do facebook. Caso contrário, para quê comprar o que se pode aceder sem custo?

      Pessoalmente, fui cliente do Público desde o início até há uns anos, quando deixou de existir razão para o comprar. Lembro-me bem dos bons suplementos de informática e de economia, por exemplo, das boas crónicas, das reportagens, … Havia sempre um motivo para ser um bom dia para comprar o jornal. Isso acabou. É culpa da Internet? Não. Para mim é, simplesmente, porque a edição impressa (ou online) nada tem que não encontre noutro lado.

      É um erro pensar-se que a publicidade online alguma vez pagará um jornal. Os leitores pagantes têm que ser, quanto a mim, a fonte de financiamento. Mas, para isso, é preciso qualidade.

  2. Paulo Só says:

    Eu deixei de ler o Público por causa do João Miguel Tavares, essa espécie de papagaio de pirata pago para defender todas as ideias de bom senso mais em voga, surdo a qualquer manifestação de empenho do Estado para tirar o país do subdesenvolvimento, e da distribuição renda africana. Por causa do editorialista de economia e de alguns outros carecas que vieram com este novo diretor de redação; toda essa gente que diz apenas banalidades e passa a vida a opinar e não se informa. Um país pequeno e dependente como Portugal precisa de correspondentes no exterior bem informados, quando os nossos jornais apenas nos oferecem as colunas omnipresentes dos Senhores doutores que têm o poder em Lisboa. O discurso das elites de sempre pré e pós 25 de abril. Porque são de graça? Claro, os gajos pagariam para aparecer. 10 bons correspondentes no exterior não custariam mais caro que 50% da redação, que repete apenas o que o Expresso, o DN etc já nos dizem. É em Bruxelas, Paris, Berlim, Londres Washington, que se definem as grandes opções da política portuguesa. Agora leio apenas o títulos da imprensa portuguesa, blogues nacionais e estrangeiros, e a imprensa estrangeira, basicamente NYT, Guardian, Monde, Mediapart, Spiegel, El Pais, La Reppublica, Le Temps, dependendo da atualidade.

  3. anti pafioso. says:

    Muito gostava a DIREITALHA PAFIOSA de ver escarrapachado nos jornais as fotos e os nomes dos mortos no incendio de Pedrogam sem respeito pelos familiares . VERGONHOSO .

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