Coimbra, 17 de Abril de 1969. E tudo mudou para todos nós

 Humor na luta:

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TAP (memória)

1969 Amália Rodrigues[4]

1969: Amália Rodrigues embarcando num Boeing 727-282 da TAP – Transportes Aéreos Portugueses

Coimbra,1969, os fascistas


28 de Maio: “Assembleia Magna que decidiu a greve. Votação “contra” – 190 votos.” Onde estão?

Imagem Secção Fotográfica da AAC.

Menos um


José Hermano Saraiva (1919-2012).

Fotografia de Abril de 1969

Que Notas São Estas?

O terramoto de 1969

Em 1969 foi uma espécie de pesadelo. Acordei mas a minha irmã continuou a dormir.
Os meus pais e a minha avó apareceram no quarto e sossegaram-me … também eles tinham sentido “o pesadelo”. No outro dia, já no colégio, não se falava noutra coisa e aí sim com as notícias a espalharem-se percebi o quão grave tinha sido o nosso “pesadelo”.
O meu professor de geografia comparou o sismo/a morte/o pânico/o terror… com os “sismos humanos” que nós estávamos a provocar nas colónias. Nesse dia jurámos que faríamos tudo para acabar com a guerra e que ajudaríamos os colegas para não irem combater.
Em 1969 tinha 16 anos.

MARIA MONTEIRO

Sismo 1969 – a cor do medo

Madrugada de 28 de Fevereiro, duas e trinta, à volta disso, andava eu a fazer ronda no Quartel, ali na Av. de Berna onde hoje está uma faculdade de Sociologia. Do outro lado da Rua a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Como o pessoal era diligente e a ameaça pequena, estava a conversar na parada com dois soldados, já não me lembro sobre quê, mas naquela situação e com aquela idade devia ser sobre a guerra colonial que se mostrava cada vez mais aguerrida e cada vez mais próxima de quem vestia farda.

De repente, os camions ONIMOG, que tinham enormes pneus e eram grandes e pesados começam aos saltos ali a cinco metros de nós.  Ainda o meu cérebro não tinha descodificado os sinais e há uma espécie de “burburinho” a crescer do mais profundo, um ronco ameaçador, paralisante. A sensação é que não há saída, não se percebe, estamos cercados por algo que não vemos e não compreendemos. Imediatamente a seguir, os prédios onde estavam as camaratas com duas centenas de homens a dormir começam a abanar, estranhamente, o único som familiar são os vidros a partirem-se.

Lembro-me bem, que este som familiar, que eu conhecia, foi uma espécie de conforto, era algo que fazia parte da matriz e que me permitiu comparar, situar, estabilizar, compreender…

As paredes rachavam com um som cavo o que me levou a pensar na situação dos homens que lá estavam dentro. Mandei os dois soldados que permaneciam ao meu lado, um para cada camarata, acordar o pessoal que já encontramos a meio caminho na fuga generalizada. Há conversas cruzadas e sem nexo, interrompidas pelo badalar lúgubre dos sinos da Igreja defronte, resultado dos abanões que o edificio da Igreja  sofrera. Irrompe um silêncio sepulcral…

A natureza descansa para novo ímpeto, desta vez definitivo ou esgotada ? É uma interrogação que só obtem resposta com novos abanões agora mais ténues, sem os silêncios aterradores do primeiro, o que paradoxalmente traz alguma paz aos corações em tumulto. Devagar a natureza volta à vida, com os sons de que não damos conta mas que estão presentes no dia a dia, sem os quais não reconhecemos a matriz por onde nos guiamos. Começamos a voltar “à vidinha…” que tanto criticamos…

Nos meses seguintes houve muitas receitas de calmantes e antidepressivos…

Quem é que aqui escreveu sobre felicidade?

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