Prevenção, Preparação e Resposta

Realizado um estudo das condições locais em termos de probabilidades de ocorrência de um sismo, será possível equacionar e programar uma séria de medidas e acções, agrupadas em três categorias.

PREVENÇÃO

Nesta categoria incluem-se acções que contribuam para que os efeitos de um sismo sejam minorados através de um ordenamento do território/planeamento urbano que tenha em conta as áreas detectadas como de risco acrescido, que localize de forma estratégica os equipamentos e infra-estruturas com um papel decisivo na resposta ao sismo, ou que contribuam para a introdução de reforços estruturais nos edifícios existentes e assegurem um comportamento eficaz daqueles a construir de novo.

São no fundo acções de planeamento e de adequação dos regulamentos á possibilidade de ocorrência de um sismo.

No caso do tsunami, passa pela criação de sistema de detecção, colocado no mar, com o correspondente sistema de alerta em terra.

No caso da costa Algarvia este aspecto assume uma importância fundamental, já que se um tsunami se formar no seguimento de um sismo, haverá um período de cerca de 15 minutos entre a sua detecção e chegada das ondas às praias. O sistema de detecção e alerta poderá salvar milhares de vidas.

PREPARAÇÃO

A preparação prende-se com o apetrechamento de meios de resposta por parte das entidades integradas na protecção civil, como máquinas de desobstrução, hospitais de campanha, sistemas de comunicações, e outros, e com a organização e definição de procedimentos, como os planos de emergência, definição de locais de concentração, a realização de exercícios e simulacros, ou a informação e sensibilização da população para a forma como deverá reagir ao acontecimento.

RESPOSTA

A capacidade de resposta ao sismo por parte das estruturas de protecção civil dependerá fundamentalmente da sua intensidade, ou seja, quanto mais intenso for o sismo, mais elevado será o nível da estrutura capaz de lhe responder, desde municipal, distrital, nacional ou internacional.

Perguntei um dia ao coordenador da protecção civil do Algarve _ quem é afinal a protecção civil? A reposta foi _ somos todos nós.

É nesta perspectiva de que a resposta ao sismo começa no indivíduo, na sua capacidade de viver com o risco, de conhecer os meios e formas mais correctas de reagir, e de se organizar socialmente para lhe fazer face, que os efeitos de um acontecimento dessa natureza podem ser minimizados.

Ver mais artigos sobre este assunto em Sismos, discussão no Aventar.

Prever os efeitos do sismo

O texto que aqui se apresenta pretende dar a conhecer o estudo realizado para a cidade de Lagos denominado “Risco Sísmico no Centro Histórico de Lagos”, elaborado na sequência da assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Lagos e o Instituto de Ciências da Terra e do Espaço, ao qual se associaram o Centro Europeu de Riscos Urbanos, o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa e a Universidade de Lisboa.

A primeira fase do estudo, coordenado pelo professor Luís Mendes Victor, já se encontra publicada.

Tendo em conta que à data da sua realização, enquanto arquitecto da Câmara Municipal de Lagos, exercia funções na Autarquia como responsável pelo centro histórico da cidade de Lagos, coube-me acompanhar a sua elaboração e promover por diversas vezes a sua divulgação, não só em Lagos, como no âmbito de encontros de carácter nacional e internacional.

Este texto tem por objectivo divulgar o estudo através de uma linguagem acessível para o comum do cidadão, numa perspectiva pedagógica e de sensibilização para o problema, transmitindo a visão de um arquitecto sobre o mesmo, não tendo portanto um carácter de publicação científica.

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Sismo 1969 – a cor do medo

Madrugada de 28 de Fevereiro, duas e trinta, à volta disso, andava eu a fazer ronda no Quartel, ali na Av. de Berna onde hoje está uma faculdade de Sociologia. Do outro lado da Rua a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Como o pessoal era diligente e a ameaça pequena, estava a conversar na parada com dois soldados, já não me lembro sobre quê, mas naquela situação e com aquela idade devia ser sobre a guerra colonial que se mostrava cada vez mais aguerrida e cada vez mais próxima de quem vestia farda.

De repente, os camions ONIMOG, que tinham enormes pneus e eram grandes e pesados começam aos saltos ali a cinco metros de nós.  Ainda o meu cérebro não tinha descodificado os sinais e há uma espécie de “burburinho” a crescer do mais profundo, um ronco ameaçador, paralisante. A sensação é que não há saída, não se percebe, estamos cercados por algo que não vemos e não compreendemos. Imediatamente a seguir, os prédios onde estavam as camaratas com duas centenas de homens a dormir começam a abanar, estranhamente, o único som familiar são os vidros a partirem-se.

Lembro-me bem, que este som familiar, que eu conhecia, foi uma espécie de conforto, era algo que fazia parte da matriz e que me permitiu comparar, situar, estabilizar, compreender…

As paredes rachavam com um som cavo o que me levou a pensar na situação dos homens que lá estavam dentro. Mandei os dois soldados que permaneciam ao meu lado, um para cada camarata, acordar o pessoal que já encontramos a meio caminho na fuga generalizada. Há conversas cruzadas e sem nexo, interrompidas pelo badalar lúgubre dos sinos da Igreja defronte, resultado dos abanões que o edificio da Igreja  sofrera. Irrompe um silêncio sepulcral…

A natureza descansa para novo ímpeto, desta vez definitivo ou esgotada ? É uma interrogação que só obtem resposta com novos abanões agora mais ténues, sem os silêncios aterradores do primeiro, o que paradoxalmente traz alguma paz aos corações em tumulto. Devagar a natureza volta à vida, com os sons de que não damos conta mas que estão presentes no dia a dia, sem os quais não reconhecemos a matriz por onde nos guiamos. Começamos a voltar “à vidinha…” que tanto criticamos…

Nos meses seguintes houve muitas receitas de calmantes e antidepressivos…

Quem é que aqui escreveu sobre felicidade?

Ver mais artigos sobre este assunto em Sismos, discussão no Aventar

O que se diz por aí

No Haiti, a ajuda humanitária passou a ser a grande preocupação, com com corpos empilhados nas ruas, urge assegurar a saúde pública. De Portugal vai seguir a AMI, e um pouco por todo o mundo seguem auxílios. Mas é já mais do que tempo de começar a ouvir os especialistas para evitar mais catástrofes no futuro. A ciência humana deve ser de todos e para todos.
Por cá o mau tempo continua a fazer das suas e são já dez distritos em alerta, tudo a norte e centro do país. Pelo menos em em Gaia já fez das suas. A malta aguenta…
Também é notícia que em Palmela um café foi assaltado à mão armada e levaram tabaco e a máquina registadora. Vamos lá ver: à mão armada tinha de ser, pois não iam conseguir os seus intentos doutra maneira pois as pessoas ainda não se habituaram a serem assaltadas. Se nós colaborássemos, tudo seria mais pacífico.
Entretanto o Governo vai começar a negociar com a Oposição a viabilização do Orçamento do Estado. Sabemos que estas coisas resolvem-se por telefone, em “encontros informais” e conversas de corredor, mas protocolo é protocolo.

O Haiti ainda existe?

Foram 7 graus na escala de Richter. Em 30 segundos. Meio minuto. Talvez 100 mil, segundo uns, talvez 500 mil, segundo outros. Mortos. E feridos. Muitos milhares, talvez milhões de desalojados. Não sei. A informação é escassa. Só os próximos dias poderão transmitir a dimensão da tragédia. E é de uma tragédia que aqui falamos.

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O Haiti não é um país fácil. Nunca foi. Primeiro colónia de Espanha, a Hispaniola, assim baptizada por Colombo. Depois ocupada pelos franceses, por ‘concessão’ de Espanha. Foram várias as revoltas que o povo da ilha liderou. Contra a escravatura, contra o domínio dos colonizadores. Apesar da independência no início do século XIX, a ilha acabou dividida, criando-se a República Dominicana e o Haiti, sob possessão gaulesa.

Em 150 anos houve líderes depostos, muitos assassinados, convulsões políticas, golpes de estado, ditadores vários, terror, anos de terror, por fim alguma paz. Ligeira, passeando em cima de uma corda bamba, cheia de momentos de medo.

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O que se diz por aí

Dia terrível este, com o início da avaliação das consequência do sismo no Haiti, que terá afectado 3 milhões de pessoas. Também haverá portugueses afectados, incluindo funcionários da ONU e da UE.
Apesar da força transformadora do Homem, é nestes momentos que se vê o quanto somos tragicamente frágeis face às forças da natrureza.
Entretanto a actualização da informação é constante, sendo quase de hora a hora.
É interessante ver como as redes sociais são já um instrumento de ajuda humanitária.
Por cá, o PS já admite mudar acerca da adopção por casais homossexuais se o Tribunal Constitucional entender que a norma proibitiva no diploma aprovado for inconstitucional. É caso para dizer: Que remédio!…
Mais um problema num avião que partiu da Holanda, desta vez com destino a Arruba. Foi desviado para a Irlanda sob ameaça de bomba por um passageiro. A continuar assim, ainda se cria um novo adágio popular: da Holanda, nem bons vôos nem bons passageiros…

Haiti, mais terror. Desta vez natural

Haiti-1301

Paciência dos pobres, quem te conseguirá esgotar algum dia?

François Mauriac

O sismo

Data(TU) Lat. Lon. Prof. Mag. Ref.
2009-12-17 01:37 36,50 -9,97 31 6,0 SW Cabo S.Vicente

Ah, foi isso que fez barulho à bocado. Podiam ter logo dito. Pensei que fosse outra coisa. Nem digo o quê que os tremores de terra acontecem mais vezes, e também não se fazem anunciar.

exposure

Este deve ter sido o primeiro sismo twitter em Portugal, e ainda bem,  é sinal que as telecomunicações estão a funcionar, este só matou peixes.

Vamos passar o dia a falar do que caiu das estantes, com aquele tom de pequeno susto e de medo pelo grande. Somos simples locatários do planeta, o senhorio pode abanar-nos,  isso tememos, mas nos outros dias fazemos por esquecer que andamos a destruir a residência terra e às vezes merecíamos mesmo um despejo violento para outro planeta.

Sente-te lá pequenino por um instante que isso passa.