Portugal, República em permanente transição. A Troika

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Em textos diferentes, tenho arguido que Portugal, como país, tem sido uma estrutura em permanente mudança. Mudanças que pretendo narrar en breves linhas desde o dia de hoje até à implantação da República. Para fazer do texto um ensaio leve, como as empresas de seguro, muito damos, pouco recebemos, digamos que é andar como o caranguejo, sempre para trás. [Read more…]

O 5 de Outubro à moda de Coimbra

Em Coimbra houve duas comemorações. A da República teve a representar o Município a sua vice-presidente, historiadora de profissão.

Aproveitando a data, um grupo excursionista de talassas veio comemorar o Tratado de Zamora, com que datam a fundação de Portugal (tolice pegada, ou consideramos a batalha de S. Mamede como a primeira tarde portuguesa ou o reconhecimento papal, afinal o suserano dos suseranos à luz do direito do tempo). A recebê-los, abrindo as portas da autarquia, esteve o presidente da Câmara, João Paulo Barbosa de Melo.

Estas coisas têm a sua lógica. Uma coligação PSD/CDS/PPM venceu as últimas eleições, numa lista encabeçada por Carlos Encarnação, que já cumprira dois mandatos. Decidiu entretanto reformar-se, e o segundo candidato herdou o seu lugar. Também podia acrescentar umas coisas sobre carreiras políticas feitas à sombra familiar, incluindo lugares em listas de deputados, mas nem vale a pena, está tudo explicado.

fotografia indecentemente expropriada a um amigo no facebook

O discurso do 5 de Outubro

As minhas desculpas. Afinal o discurso que antevi:

 

 

foi muuuuuuuiiiiito diferente:

 

Nem um único bla-bla-bla. Como é que me pude enganar tanto?

Num discurso perto de si…

 

… daqui a pouco, por uma certa pessoa.

o 5 de outubro aconteceu no 25 de abril…ou não

o 25 de abril

A Liberdade guiando ao Povo, de Eugène Delacroix, 1833.

A data do 25 de Abril de 1974, é o dia histórico de Portugal, ou assim parecia ser. Tínhamos a esperança de ter ganho a liberdade das diversas ditaduras que governaram o nosso País, ao longo de mil anos de escravidão de reis, conservadorismo, domínio de Espanha sopre a primeira Monarquia europeia a segui a dos Capeto, que acabaram guilhotinados em 1789, na revolução francesa. O nosso País nunca matara um monarca, mas sim se rebelaram contra eles ao longo de quase quatrocentos anos de domínio dos reis da Espanha que fizeram de Portugal mãos uma colónia Ibérica, recuperando, pensávamos, a liberdade em 1640, Aconteceu no dia 1 de Dezembro de 1640, a revolta que deu origem à Restauração da Independência, lutando contra a tentativa de anulação da independência do Reino de Portugal por parte da Dinastia Filipina de Espanha, e que vem a culminar com a instauração da Dinastia Portuguesa da casa de Bragança.

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5 de Outubro: além do mau nome, um desastre urbano!


“Mas há mais prédios assim nesta rua e é uma pena que só se olhe para este. A câmara não quer saber.”

É assim que os residentes da 5 de Outubro descrevem a situação que há longos anos é sofrida por aquela avenida. Já o Aventar aqui tinha avisado acerca de uma meia dúzia de prédios que ameaçavam ruína, mas dado o evidente conluio da Câmara Municipal de Lisboa com alguns interesses – os mesmos do costume -, nada se fez e pior ainda, nada se fará. Em poucos dias, para sempre desaparecerá um belo edifício, sintomaticamente vizinho de um outro que há uns meses aqui deixámos fotografado, como um péssimo exemplo. Situados diante dos especulativos terrenos da Feira Popular, será fácil calcular o que já se terá acordado em termo de “mais valias”.

O senhor da foto, o espreitador de oportunidades para a coligação BES-Fundo Imobiliário/Departamento de Urbanismo da CML, deve estar radiante. Bem pode planear a construção de mais um mamarracho tão ao seu gosto e na “aprovada” linha do Sanismo militante e hoteleiro. Veremos…

Os únicos reis bons são os reis depostos

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”.

É tão simples como isto. Apenas em 1910 as crianças portuguesas alcançaram este direito natural. Contra os herdeiros de tronos, herdados da violência e da jurisprudência divina, de uma monarquia que, já agora, nunca foi referendada. Contra os privilegiados  que durante séculos nos governaram por direito de nascença.

Este puto é apenas mais um puto português. Valerá pelo que fizer da sua vida, o que não será fácil com o ridículo nome que lhe deram. Foi para isso que se fez o 5 de Outubro. Faltava muito para a democracia, mas este passo era fundamental. O resto é conversa de treta.

A Rotunda do 5 de Outubro


Até há uns poucos anos, a praça que ostenta o título atribuído a Sebastião José de Carvalho e Melo, era por todos conhecida por “Rotunda”. Nome que se pensava consagrado pelo simulacro de regime político saído da bernarda de 1910, a sua menção povoava logo qualquer cérebro com imagens de tiroteios, farta vinhaça verde e tinta que correu a rodos durante uns dias e que deu as cores à bandeira, umas mulas esbaforidas e um bravo que de espada nua, comandava os improváveis futuros vencedores daquele dia do Grande Nada.

Hoje todos conhecem essa praça por “Marquês de Pombal”, mas o nome resistiu mais umas tantas décadas, fazendo justiça a um certo estado de coisas que se foi eternizando de tal forma, que Portugal bem podia hoje chamar-se Estado De Coisas” e como tal, ocupar o seu assento na ONU, NATO, UE e CPLP.

As três Repúblicas saídas daquela Rotunda, foram por isso mesmo, rotundas. Rotundas nos erros, rotundas nas manias, rotundas nas brutalidades, rotundas na incompetência prepotente, rotundas no compadrio corruptor, rotundas na mentira fácil e na má fé. Foram rotundas nos enriquecimentos suspeitos e ainda mais rotundas se evidenciaram nas vigarices escandalosas que tornaram o tal “Estado De Coisas”, no verbo parisiense portugaliser. Ficou habitual entre os “estadocoiseses”, nós todos, o costume do calar e deixa andar, pois o poder rotundo, sabe como esvaziar os bolsos daqueles que são rotundos no sim e no não. O regime da Rotunda prefere o talvez, o assim-assim e o “maijoumenos” que dá escapatória rápida, saindo-se por qualquer álea que parta da citada Rotunda em que a nossa vida se tornou.

O principal problema, já nem sequer se coloca em termos de livre expressão da imaginação, do querer aquilo que se pode ou não se pode ter. O problema rotundo que hoje enfrentamos, é circular e incomensuravelmente mais vicioso, do que todos os outros já mencionados.

Graficamente, a Rotunda pode ser representada por um ó de dor, mas talvez com mais propriedade, por um Zero. O pior de tudo, é que esse Zero significa tão só aquela rotunda mais notória, despótica e aviltante: a Rotunda das panças que controlam os nossos acessos e saídas. Aí está o republicano problema.

Os dias do fim


Não, para já não me refiro a José Sócrates.
Acontece que, a partir de hoje, o Aventar vai acompanhar dia a dia o último ano da Monarquia. São os dias do fim de um regime que caiu em 5 de Outubro de 1910. Através da imprensa, iremos saber quais foram as notícias de há 100 anos e qual o estado de espírito do reino nas vésperas de uma revolução.
Aqui. No Aventar.

Centenário da República: a génese do movimento republicano

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Adiante explicarei porque comecei com o hino da «Maria da Fonte», interpretado pelo Vitorino, esta crónica, a primeira de uma série que, ao longo do ano, irei dedicando ao Centenário da proclamação da República em Portugal que, como sabemos, se celebra em 5 de Outubro. Sem a preocupação de ordenação cronológica, irei dedicando textos a momentos significativos no caminho para a queda do regime monárquico que vigorava desde a fundação do País. Hoje, falarei dos alvores do movimento republicano. [Read more…]

Senhores Autarcas!

As comemorações do 5 de Outubro, estão quase a acabar. Os dias têm passado sem darmos por isso. Há os que escrevem, os que prepararam textos para  sua vida de estudo, os que fazem férias, os que ficam em casa a ver televisão. Os  programas entretêm as pessoas que não passam estes dias cinzentos a ler, porque não sabem. Não sabem por nunca terem ido à escola, ou porque não entendem os Dickens, os Zweig, os Lobo Antunes, autores interessantes que romancean a história ou  a psicanalisam.

O bom povo português não entende essa fantasia de Saramago e a sua Jangada de Pedra, história que materializa em palavras esse antigo desejo de Portugal: o pequeno canto ibérico se descole de Espanha e navegue para longe do Estado proprietário da nossa telefonia, das casas da Avenida da Liberdade em Lisboa, em breve do TAG,  uma fugida em jangada de pedra sem se afundar. As jangadas, esses paus  juntos uns aos outros, em forma de estrado, para flutuar na água. Se são de pedra, não podem navegar. Saramago deve estar a mentir, o livro não presta…. Mais interessante para o povo português é a obra Os Maias de Eça de Queirós, fala de amores…e de amores pecaminosos…. que interessante! Ou as dos amores  impossíveis,  bem descritos pelo também, pecaminoso, Camilo Castelo Branco nas suas  interminaveis histórias de amor, como essa da  Morgadinha dos Canavais e o seu impossivel amor pelo primo, quase um jornaleiro, um ser impossível para namorar… sem dinheiro, sem terra dele: será amor ou interesse  de cifrões? Os Maias, ainda se entendem: é um amor entre pessoas iguais… com um grande segredo que faz correr sangue… livro criminoso, melhor ainda! A culpa é dela por nunca revelar o segredo dos seus amores proibidos pela lei e pelos cristãos vizinhos….

Mas, é 5 de Outubro. O dia está chuvoso. O melhor é passar a tarde com a tia Júlia e as queixas das senhoras por ela entrevistadas: essas bruxarias que me tiram o apetite, de certa maldição de um vizinho que me quer mal, ou a filha da Maria que gosta de bater no meu mais novo, porque é gorda e tem força e o meu menino não se sabe defender. Dia de férias que vai passando enquanto espero pelo jogo do Benfica, que anda sempre a perder. Pelos menos o Sporting ontem jogou bem e deu-nos o melhor jogador do mundo, O Cristiano que de fé, apenas o nome… tanta rapariga que anda trás dele e comigo…. apenas a tia Júlia e as suas bruxas. Espero que comece o jogo enquanto vou lendo a fragillidade do nosso Presidente e o silêncio que ele guarda das escutas telefónicas.

Férias com chuva, o mais detestavel no país do sol….andar a tremer na semana seguir de ainda andar na praia.

Senhores autarcas, não queiram sítios com carro e motorista nas melhores casas do Concelho enquanto o povo não sabe como se entreter. A herança de Portugal é pesada. Nem escolas havia até 1974. As que existiam, sempre foram mal geridas por governantes que pouco sabiam do que é a educação. Entrou para a autarquia como vereador para servir o povo, para ganhar apoio de cidadãos que nos pagam os favores que fazemos, para usar o saco azul e investir dinheiro do Concelho ou pelo ordenado? Será que os socialistas democratas são assim, ou apenas os descendentes do Estado Novo? Senhor Autarca, já falou com o Provedor da Televisão, José Manuel Paquete de Oliveira, para que as tias Júlias nunca mais apareçam na televisão, mas sim os programas como A Praça da Alegria, que nos conta Portugal,  ou os de História de José Hermano Saraiva, ou os de Paula Moura Pinheiro e as suas Câmaras Claras.

Vereadores, e os programas da infância para esclarecer à hora do lanche ideias de biologia, animais e outras ervas? Porquê, Senhor Vereador as crianças regressam  a casa pelas 18 horas, depois de um dia de aulas que começou às 9, e com trabalhos para realizar no lar? Não era mais conveniente das 9 às 15, com almoço na escola, que dinamiza a solidariedade, pagos pela Câmara e a seguir em casa juntas com a família, com os animais de estimação, com Avôs e Avós para tomarem conta delas ou licença, por turno, para os pais lerem com os mais novos os irmãos Grimm, livros de história romanceada e abandonar, na companhia dos seus adultos, os livros  escritos pelos doutores, esses resultados das sua pesquisas que aborrecem a criança e o adolescente, mas que devem ser estudados conforme manda  a Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação. Quem toma conta das escolas e do sistema educativo na Sede do seu Concelho? Há tanta história nas pedras da rua que as aulas, como tenho experimentado, podem-se realizar ao ar livre.

Autarcas, Portugal é o País das férias dos Europeus. As suas crianças aparecem com eles porque o ano está dividido em quatro trimesres, com três tempos de férias para filhos e pais. Portugal não pode ser as férias das nossas crianças: é o país que as prepara para entenderem, lembrarem e saberem optar. Como em toda a União Europeia, Autarcas, as Câmaras dos Concelhos são as que se ocupam da educação. Não desiludam a nossa soberania!

Raúl Iturra

lautaro@netcabo.pt

99 ANOS DEPOIS

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MUDARAM A BANDEIRA, MUDARAM TUDO. FOI PARA MELHOR OU PARA PIOR?
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Há noventa e nove anos, a Monarquia caiu.
Nesse dia, muitos dos nossos antepassados, alguns, muito poucos, ainda vivos, julgaram que os tempos maus tinham acabado. Julgaram que dias de prosperidade, de saúde, de beleza, de muitas coisas boas, aí viriam. Para trás tinha ficado a miséria, a corrupção e o atraso.
Meu avô, Republicano que andou metido nas lutas e atentados anteriores à implantação da República, disse, antes de morrer (1966), que dos ideais que tinha, poucos ou nenhuns tinham sido satisfeitos. Felizmente para ele, faleceu antes do 25 de Abril, ou, se lhe tivesse sobrevivido, alguns anos depois, teria tido mais uma grande desilusão.
A 5 de Outubro de 1910, a nossa bandeira deixou de ser azul e branca para passar a ser vermelha e verde. Na altura, felizmente, não tiveram coragem de mudar o centro da bandeira. No entanto, nessa altura, a maioria dos Portugueses quis, sem sombra de dúvida, o fim da Monarquia e a implantação da República. Há vinte anos que o ideal Republicano vinha crescendo, e a nova bandeira, feita artesanalmente andava, às escondidas ,a circular de mão em mão.
Todos os anos, por esta altura, o Presidente em exercício faz a sua alocução ao País. Hoje, não foi diferente e o sr dr Cavaco Silva, lá esteve, no jardim da cascata, a cerca de sete quilómetros do local onde foi implantada a República (para não interferir nas eleições autárquicas) exortando o povo para se unir em torno dos grandes ideais republicanos. Não sei bem para quê, já que parece que ninguém em Portugal acredita ainda nesses ideais. O discurso do Presidente, foi curto, directo e sem escutas (ou seria com pouca gente a escutá-lo?). O sr dr Cavaco Silva não esteve presente nas comemorações do 5 de Outubro.
Por seu lado, o nosso Primeiro, discursou na Câmara Municipal de Lisboa, porque gosta das coisas feitas no seu sítio tradicional.
No próximo ano será comemorado o centenário desta implantação. Será que nessa altura, já a nossa Constituição vai permitir que exista, se o povo o quiser, a Monarquia em Portugal, ou vai continuar a ser proibido?

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JM
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