99 ANOS DEPOIS

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MUDARAM A BANDEIRA, MUDARAM TUDO. FOI PARA MELHOR OU PARA PIOR?
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Há noventa e nove anos, a Monarquia caiu.
Nesse dia, muitos dos nossos antepassados, alguns, muito poucos, ainda vivos, julgaram que os tempos maus tinham acabado. Julgaram que dias de prosperidade, de saúde, de beleza, de muitas coisas boas, aí viriam. Para trás tinha ficado a miséria, a corrupção e o atraso.
Meu avô, Republicano que andou metido nas lutas e atentados anteriores à implantação da República, disse, antes de morrer (1966), que dos ideais que tinha, poucos ou nenhuns tinham sido satisfeitos. Felizmente para ele, faleceu antes do 25 de Abril, ou, se lhe tivesse sobrevivido, alguns anos depois, teria tido mais uma grande desilusão.
A 5 de Outubro de 1910, a nossa bandeira deixou de ser azul e branca para passar a ser vermelha e verde. Na altura, felizmente, não tiveram coragem de mudar o centro da bandeira. No entanto, nessa altura, a maioria dos Portugueses quis, sem sombra de dúvida, o fim da Monarquia e a implantação da República. Há vinte anos que o ideal Republicano vinha crescendo, e a nova bandeira, feita artesanalmente andava, às escondidas ,a circular de mão em mão.
Todos os anos, por esta altura, o Presidente em exercício faz a sua alocução ao País. Hoje, não foi diferente e o sr dr Cavaco Silva, lá esteve, no jardim da cascata, a cerca de sete quilómetros do local onde foi implantada a República (para não interferir nas eleições autárquicas) exortando o povo para se unir em torno dos grandes ideais republicanos. Não sei bem para quê, já que parece que ninguém em Portugal acredita ainda nesses ideais. O discurso do Presidente, foi curto, directo e sem escutas (ou seria com pouca gente a escutá-lo?). O sr dr Cavaco Silva não esteve presente nas comemorações do 5 de Outubro.
Por seu lado, o nosso Primeiro, discursou na Câmara Municipal de Lisboa, porque gosta das coisas feitas no seu sítio tradicional.
No próximo ano será comemorado o centenário desta implantação. Será que nessa altura, já a nossa Constituição vai permitir que exista, se o povo o quiser, a Monarquia em Portugal, ou vai continuar a ser proibido?

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JM
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Comments

  1. Nuno Castelo Branco says:

    Qualquer iniciativa política que não implique morceladas, torresmos, sandecas de coirato ou carrascão acompanhado por cantorias, está de antemão condenada ao mais rotundo fracasso. Contrastando violentamente com as arruadas de uma campanha eleitoral de um carnaval tardio, as comemorações republicanas do 5 de Outubro, foram hoje, como se de uma liturgia fúnebre se tratasse. A praça do município lisboeta completamente vazia de populares. Um acossado presidente que fugiu para a protecção dos muros do seu palácio e pior que tudo, a total indiferença de um país que adivinha esta república como coisa morta e a enterrar. Dada a conotação deste sistema de todas as torpezas com o regime republicano, quase todos compreendem o que esta significa e as duas últimas semanas muito fizeram para essa certeza que há muito se vinha avolumando. Detestada pelas forças armadas, desprezada pela polícia, desfeito o feitiço de mais de um século, a república não passa de uma mortalha envolvente do corpo putrefacto em que a nação se transformou. Ontem, em Lisboa fez-se uma muita cívica desobediência civil. O vexado sr. Costa da Câmara Municipal, abusivamente fez apear há uns tempos a bandeira nacional hasteada na RAL. Pois ontem, batida a meia noite, lá voltou ao seu mastro velho de sessenta anos. Só a violência a fará dali sair. Esta manhã e fatalmente divididos, os partidos institucionais comemoraram o seu poder, uns na CML e outros, no palácio de Belém. O povo, fomos nós, ontem, às centenas e na rua. E fomos muito mais que aquelas dúzias de aguadeiros que há 99 anos, foram arrebanhados à pressa para ouvir a voz do milionário Relvas que da varanda há semanas esconjurada, anunciou a Portugal um século de infâmias.

  2. maria monteiro says:

    Viva a República porque… o povo SOMOS nós ontem, hoje e assim continuaremos a ser no futuro

  3. Luis Moreira says:

    Nuno, coloca este comentário como poste. Está óptimo.

  4. Nuno Castelo Branco says:

    ehehehhehee, ena pá, ó Luís, o comentário é mera propaganda. Ando a imitar a dupla Louçã-Portas (júnior). Não ligues!

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