“Crematório“, de Vasco Gargalo

Cartoon de Vasco Gargalo

Quando em 2020 Vasco Gargalo desenhou este cartoon, alertando para a limpeza étnica e para o apartheid que Israel impõe nas prisões a céu aberto que se chamam Territórios Palestinianos Ocupados (TPO), logo foi colocado no sítio por quem de direito.

Recebeu ameaças de morte, perdeu o emprego na revista Courrier International, uma das publicações com as quais trabalhava e foi-lhe retirado o ‘Prémio Plumes Libres’ que a publicação lhe atribuiu. Na altura, afirmou à revista Sábado: “É mais um sinal de que a comunidade judaica não pode ser criticada. Cada vez que isso acontece [é-se] logo acusado de antissemita. É uma perseguição para aniquilar o meu trabalho”.

Mas não foi o único a ver os seus trabalhos anti-apartheid serem censurados. Também Onofre Varela, cartunista, viu um seu trabalho ser retirado da Bienal Internacional de Arte, depois de pressões da Comunidade Israelita de Lisboa, assunto que foi aventado.  [Read more…]

Ah, António!…

Anda alguma gente incomodada com o Tribunal Constitucional por causa daquela intransigência institucional de não deixar violar a Constituição. Ó meus amigos, mas isso é fácil: mudem a Constituição. Ah, pois, mas precisam de 2/3 dos votos do Parlamento, não é? Pois é, que chatice… Isto da democracia é uma porra. Razão tinha a Manuela: suspendia-se a democracia por uns meses, punha-se tudo (e, já agora, também todos) na ordem e depois, sim, voltava-se à democracia. Ou não se voltava, porque se é sem democracia que se resolve depressa os problemas, o melhor era ficar-se sempre de piquete. Ah, António…

Anabela – final capítulo 2

casamento anabela1

Trazida ao mundo pela mãe, cuidada no mundo pelo pai. Anabela é também a feitura de duas situações diferentes. Situações das quais temos falado os antropólogos, por carinho e por pesquisa (Iturra 1990a), Reis 1991), e por intimidade amistosa. Por acolhimento. António é resultado de uma mãe que aí chega a Vila Ruiva do alto céu (Genealogia 8), conhece a Virgílio Lopes, que casa, faz o filho e a abandona. Com a desculpa de emigrar a Argentina. A procurar dinheiro. Lá fica com os irmãos que lá já estavam. Como também lá morre Virgílio no ano 82.

Sem ter visto ao lindo homem sedutor, que tinha feito. Um Virgílio sem terras, que precisa do dinheiro, como todos, para comprar de outro sistema senhorial que perde a propriedade. Como é também a aristocracia portuguesa morgada, descendente dos cálculos liberais de 1830, aristocracia mantida pelo ditador português do século 20. Essa ditadura que exporta força de trabalho que havia a mais nos campos lusitanos. Faz da exportação, uma indústria lucrativa para Bancos, comércios, [Read more…]

António José Seguro, deputado de Braga

O lado B através do Miguel. Bem visto!

Vazio

Vazio (mais um conto do meu filho Marcos Cruz; peço desculpa pelo abuso)

António era um bife. Mal passado, passava mal. Mas tinha a resistência suficiente para lutar contra os que o queriam passar bem, pois sabia que “uma vez bem passado, bem passado para sempre”. Passava mal no presente, mais precisamente, já que o seu passado fora até bem passado, ou, como todos os passados, bem e mal passado. Em parte, era com isso que ele se passava: se, por um lado, “uma vez bem passado, bem passado para sempre” e, por outro, o seu passado havia sido bem e mal passado, ou seja, em parte, bem passado, porque não estaria ele bem passado no presente? Talvez, sem o ter presente, estivesse. Mas então por que razão passava mal? [Read more…]