Arrastão fecha as portas

Como tudo na vida, também a vida de um blog tem um fim. Digo ‘adeus’ ao Arrastão com um ligeiro sentimento de nostalgia mas sem sentimentalismos. Já foi um blog imprenscindível da esquerda mas, ao longo dos últimos tempos, perdeu fulgor e estava a mirrar.

Há uns anos atrás, frequentava-o com aguma frequência. Não diária mas pontual. Não lia tudo, mas alguma coisa. Não concordava com tudo, aliás discordava de muita coisa, mas era importante para perceber argumentos de alguma esquerda no debate de temas relevantes da sociedade portuguesa.

Agora o Arrastão fecha as portas. Até ao próximo.

Arrastando

Sabiam que o o nosso colega “republicano de extrema-esquerda” Daniel Oliveira, faz parte do Conselho Editorial da Guimarães Editores, propriedade de Paulo Teixeira Pinto, o Presidente da Causa Real? Há coisas giras, não há?

E hoje também é dia de mentiras

Passam cinco anos sobre um dos maiores embustes da história do jornalismo nacional. Inventou-se um arrastão à brasileira, aterrorizou-se um país, vendeu-se a peçonha racista do costume. Desmontado peça a peça neste documentário, não tem sexo, mas tem mentiras e vídeo.
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Diana Andringa: Era uma vez um arrastão

Posts históricos da blogosfera: Bruno Reis no «Barnabé»

Hoje, nas cartas ao Director do «Público» (tantas cartas ao director que escrevi na minha adolescência!), o ex-Simplex Bruno Reis dá conta de que nunca foi condicionado no blogue de apoio ao Governo, nem nunca tentaram infuenciar qualquer uma das suas opiniões.

Imagina-se, pois, que se ele tivesse começado a defender o PSD, não haveria qualquer problema por parte de Galamba e companhia.

Ao invés, diz Bruno Reis, foi muito condicionado e pressionado no histórico blogue «Barnabé», que nas suas palavras era um blogue plural de Esquerda com muita gente ligada ao Bloco.
Confesso que acho estranho que, num blogue de apoio ao Governo, uma das condições prévias não fosse precisamente apoiar o Governo. Se calhar pela mesma razão que não se contrata um motorista perguntando-lhe se ele tem carta de condução. Aquela gente é realmente muito democrática!
Pelo meio, Bruno Reis atira-se ao ex-aventador Carlos Santos por causa da polémica dos mails, dizendo que ninguém achou mal agora, mas na altura todos criticaram os mails do «Público» dados à estampa no «Diário de Notícias». Supõe-se, então, que Bruno Reis também achou mal na altura.
Porque tem interesse neste contexto, fui ao «velhinho» Barnabé buscar um «post» do Bruno Reis, que se seguiu ao «post» de despedida de Daniel Oliveira. O actual Arrastão deixou de se rever num blogue onde Bruno Reis começara a assumir posições claramente de Direita e anunciou que saía.  Bruno Reis anunciou que ficava, ao estilo de «daqui nao saio, daqui ninguém me tira, convidaram-me, saem por causa de mim, mas isso agora não interessa nada»….

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Quem fala assim não é gago…

Eu sobre a posta radical do Arrastão já aqui escrevi mas hoje, ao ler o Insurgente, deparei com esta de antologia e que passo a citar:

João Pereira Coutinho sobre Daniel Oliveira, a 6 de Junho de 2003:

UM ESCLARECIMENTO AO SR. DANIEL OLIVEIRA: O sr. Daniel Oliveira, que eu tenho o desprazer de conhecer, resolveu publicar um post no Blog de Esquerda onde me enfia caridosamente na extrema-direita. Não vou, obviamente, comentar o facto: o sr. Daniel Oliveira é radicalmente analfabeto e julga que todos aqueles que não partilham o seu mau-carácter estão necessariamente à direita dele e do atoleiro ideológico onde ele vive e sobrevive. Um atoleiro que, convém esclarecer, o sr. Daniel não gosta de alardear em público – e recordo, a própósito deste facto, a forma trémula como a criatura, na primeira sessão do afamado «É a Cultura, Estúpido!», me implorou para não fazer qualquer referência à sua embaraçosa militância no Bloco de Esquerda, esse belo grupelho cuja constituição heterogénea o Daniel manifestamente despreza. Respeitei o pedido porque acreditei que lidava com um cavalheiro leal. Puro engano. O cavalheiro não é leal e a sua manifesta personalidade de verme impede qualquer discurso civilizado. A partir de hoje, as minhas conversas com o sr. Daniel Oliveira terminaram. E agradeço que a organização do «É a Cultura, Estúpido!» tenha a caridade de enxotar a criatura da minha presença. Caso contrário, boa noite e até à próxima.

Pela Liberdade…de todos mesmo quanto alguns se baldam.

Obviamente, eu compreendo a posição dos blogues do situacionismo. Nem deles, em coerência, se podia esperar outra coisa.

Obviamente, eu entendo o alinhar sem reservas do Aventar – um blogue onde convivem pessoas de diferentes ideologias, múltiplas proveniências e diversas experiências de vida só se podia esperar uma decisão em prol da Liberdade.

Obviamente, eu não compreendo a posição da esmagadora maioria dos membros do Arrastão. E menos a entendo quando leio a primeira das razões apontadas. Por me custar ver este tipo de sectarismo, quando no referendo sobre o IVG vi o Daniel ao lado do CAA sem que os parentes de um e de outro caíssem na lama. Não compreendo. Deve ser problema meu.

Obviamente, razões que a razão desconhece. E sim, sim estamos todos a falar do mesmo: LIBERDADE!

Arrastão de Carácter:

O Daniel Oliveira ficou muito irritado com o CAA por algo absolutamente simples: o Carlos denunciou uma verdade, a encenação a que genialmente Alberto Gonçalves chamou de “O Casamento Postiço”, hoje na Sábado.

Claro que o motivo apresentado pelo Daniel Oliveira para tanta indignação contra o CAA não foi ESSE mas na verdade ESTE post. Uma boa técnica de disfarce. Aquilo que CAA escreveu e que muitos repararam é simples: o defensor da família conservadora, o paladino dos usos e costumes sociais de certa direita retrógrada preferiu esconder-se na última fila da sua bancada em vez de, com coragem e determinação, defender as suas convicções. E não, caro Daniel, nada disso significa uma opção de vida nem ingerência na sua esfera privada. Aliás, a reacção de Daniel Oliveira e de outras virgens ofendidas de certa esquerda caviar é que nos leva para caminhos de ingerência na vida privada de Paulo Portas.

Que eu saiba, não existem dois Paulo Portas, o Portas do Independente e o Paulo do CDS. Eles são uma e a mesma pessoa. O Portas do Independente era um liberal nos costumes representando uma direita diferente, para melhor. Já o Paulo do CDS e pós PP prefere seguir um caminho conservador, escondendo-se em falsos moralismos. Mas não deixa de ser o Paulo Portas, apenas utiliza uma personagem diferente por diferentes serem as circunstâncias. Claro que prefiro o primeiro.

Pertenço a uma direita que abomina o conservadorismo nos costumes, uma direita que defendeu e defende a liberdade de opção das mulheres no aborto, que não se opõe ao casamento entre pessoas do mesmo sexo ou seja, a mesma direita do CAA.

Provavelmente, por isso mesmo, somos mais duros quando confrontados com estas hipocrisias da direita dita conservadora. E o facto de o CAA ter escrito DESTA forma, a qual subscrevo palavra por palavra, desencadear semelhante ataque de carácter por parte de Daniel Oliveira cheira-me a, como costumo dizer ironicamente, a “rabo escondido com o gato de fora”.

Verdadeiramente, o que irritou Daniel Oliveira foi ESTA posta e irritou-o por um motivo muito simples, mesmo que não queira assumir, por lhe reconhecer toda a razão. Eu que defendi aqui no Aventar esta lei, ao ponto de ter irritado alguns leitores e chocado um ou outro amigo de direita, fico envergonhado com a estupidez da encenação, do folclore a que alguns se prestam na defesa de certos direitos – que são tão óbvios que nem deveriam, num país civilizado, necessitar de tanto alarido. Foi, como escreveu hoje Alberto Gonçalves, uma forma de achincalhar não apenas o casamento entre pessoas do mesmo sexo como, igualmente, todos aqueles que defenderam a decisão do Parlamento.

O ataque de carácter a CAA só demonstra, isso sim, a falta de carácter de certa esquerda que prefere matar o mensageiro a condenar quem anda entretido em paródias vexatórias como essas.

Boas Leituras #1:

Mentalfetaminas – ESTE

A Devida Comédia – ESTE

Delito de Opinião – ESTE

Blasfémias – ESTE

Arrastão – ESTE

Jugular – ESTE

…e continuação de Boas Leituras!