A Izilda Pegado ainda me faz mudar de opinião

Os movimentos que lutaram contra o aborto já estão em campo, o que é uma péssima notícia para quem, estando contra, não vê nesta questão uma cruzada contra seja quem for. Com a discussão tento perceber e dar a perceber.

 

Mas a discussão vai no adro, e o Bispo D. Jorge Ortiga foi taxativo: "determinadas concepções de igualdade pretendem sublinhar a diferença natural entre o homem e a mulher como irrelevante e propõem a uniformidade de todos os indivíduos como se fossem sexualmente indeferenciados, com a consequência inevitável de considerar os comportamentos e orientações sexuais equivalentes."

 

Aqui, o Bispo coloca a tónica na diferença entre relações homossexuais e heterossexuais e deduz-se que as segundas são naturais e as primeiras não. Julgo que esta discussão está ultrapassada, as relações são as que cada um pode ter e não há mais nada a fazer do que aceitar as preferências dos outros.

 

Entretanto, foi criada a Plataforma Cidadania e Casamento, que já ouviu vários constitucionalistas e que vai lutar pelo referendo, que visa impedir a aprovação do casamento entre homosexuais.

 

Izilda Pegado diz que a Plataforma "não é contra a homossexualidade mas contra o casamento entre eles" e que a seguir vem "a adopção por casais do mesmo sexo".

 

O MEP – Movimento Esperança Portugal tambem vai tomar posição contra.

 

O Presidente da ILGA diz que "o referendo não faz sentido nenhum, não é mais que uma táctica para atrasar o casamento e atrasar a igualdade e que esta questão "não poderá ser referendada já que se trata de uma maioria a decidir sobre os direitos de uma minoria" o que em democracia é uma afirmação assaz estranha, já que a decisão da maioria é um princípio basilar democrático.

 

Mas aqui no Aventar todos temos direito às nossas razões e aqui ficam argumentos de um lado e outro para melhor discutirmos.

 

Sem preconceitos de nenhum dos lados, claro está! 

Antropologicamente o casamento gay…

Não sei o que é que isso quer dizer e quem o disse também não, mas foi a maneira de ficarmos a saber que o PSD quer uma "uma união de facto registada" em vez do termo casamento".

 

Assim, os gays gozariam de todas as benesses, sociais, jurídicas e patrimoniais que o casamento dá, mas sem a designação "casamento".

 

Com o BE a coisa fia mais fino, "não podemos dar aos gays um registo mitigado  de casamento, algo entre este e as uniões de facto", porque somos todos iguais perante a Lei.

 

E somos, a prova disso é que os heteros continuam a casar-se porque são de sexos diferentes, enquanto os gays passariam a casar por serem gays. É como dizer a um negro "eh, pá, você pode casar por ser negro", nada disso, ele pode casar porque é um homem que vai juntar-se a uma mulher, segundo um contrato que se chama casamento!

 

A ser como os gays querem, a desigualdade seria manifesta, eles poderiam casar por serem gays, não por serem homem ou mulher.

 

A verdade, é que o argumento "mas tu ficarias prejudicado se um homem casar com um homem?" é falacioso, é como perguntar, se um dia destes um gajo qualquer se lembra de casar com a filha. Tambem não me prejudica, mas porra, já não há, antropologicamente falando, moral?

 

O grande equívoco é pensar-se que "o casamento" não passa de um papel, não tem qualquer valor, fogo à peça e fé em Deus. Ora, pensar assim é um tremendo erro porque há muita gente (a maioria?) para quem o casamento é uma instituição de grande significado, toda a vida viveram de e para o casamento. Estão errados? É com eles, não podem é ser desapossados de uma referência social, familiar e moral com a qual viveram toda a vida.

 

E torno a perguntar, os gays querem ser iguais aos heteros? Não seria bom estarmos em campos devidamente definidos "orgulho gay"?

 

Casamento gay – a verdade da mentira

" Só interessa o amor. O casamento não passa de um papel!"

 

Este foi o grande argumento para apoucar o casamento entre duas pessoas de sexo diferente. Não tinha interesse nenhum só os parvos e quem acredita nessas tontices da procriação e da família é que ía nisso do casamento.

 

Agora, como determinaram que é moda casar os gays, os mesmos que vomitavam aquela frase, usam-na em sentido contrário. "quem se ama não se pode casar"!

 

Mas trata-se só de um papel, o amor é que une as pessoas, é a única coisa que interessa, para quê o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo?

 

Os gays não apresentam nenhuma razão sólida para terminarem com a instituição casamento tal qual a conhecemos. nem uma !

 

Mas não parece que proteger o casamento, a família e a procriação seja coisa de somenos, bem pelo contrário, trata-se de um alicerce fundamental da sociedade em que vivemos. O contrato casamento é um contrato entre duas pessoas de sexo diferente e assim deve continuar. As uniões de facto já protegem juridicamente os contraentes do mesmo sexo que queiram viver juntos.

 

As instituições fundamentais da nossa sociedade não podem estar à mercê de modas!

Podia viver sem mulheres? Podia, mas não era a mesma coisa

Pergunta a Carla Romualdo se os homens podem viver sem mulheres.

Pois claro que podem. No meu caso pessoal, podia perfeitamente. Não era a mesma coisa, mas podia. Já vivi dois anos fora e desenrasquei-me perfeitamente.

Já sem a minha mulher, acho que não podia viver. Ou melhor, podia, mas facilmente me perderia no louco mundo do sexo e do álcool. Está ali a base, a base que me protege de mim próprio. Acredito que não sou o único.

Podem os homens viver sem as mulheres?

 Recentemente ouvi um desabafo que não me saiu mais da cabeça.  Um homem contava, aparentemente sem drama nem cinismo, que, após um divórcio mais ou menos civilizado, havia desistido das mulheres. Ou melhor, desistira de relacionamentos com alguma profundidade.

 

Admitia encontros esporádicos, sem compromisso, desde que estivessem claras e fossem aceites por ambas as partes as condições em que os encontros decorreriam. Em síntese, seriam encontros sexuais com a garantia de que nunca se tornariam em algo mais do que isso. Se elas estivessem dispostas, claro. E aproveitou o embalo para fazer um elogio do celibato, garantindo que agora se sentia mais livre, mais autónomo, capaz de decidir sem amarras e sem cedências à vontade alheia.

 

Lembrei-me de uma velha canção do Tom Waits, “Better off without a wife”, um elogio à amizade entre homens e às vantagens de poder dormir até ao meio dia, sair quando se entende, ir de pescaria ou ficar a uivar à lua sem nunca ter de prestar contas a nenhuma mulher. Tudo isto com a ironia de Waits, ou não tivesse ele acabado por casar não muito depois de ter gravado essa canção. 

 

Para os homens da geração do meu pai, e salvo meritórias excepções, viver sem mulher comportava problemas logísticos de tal ordem que não seria exactamente uma opção. Quem cozinharia, quem trataria da casa, quem se ocuparia dos filhos? Quando, ao fim de décadas, se encontravam sozinhos, por divórcio ou viuvez, deparavam-se com um caos difícil de superar, constatavam a sua inépcia para resolver aquilo que sempre lhes parecera fácil, ou no qual simplesmente nem haviam reparado.

 

Actualmente podemos acreditar, com algum optimismo, que as mulheres já não são vistas unicamente como donas de casa ou mães, as relações entre homens e mulheres já não têm como um dos alicerces essa complementação de papéis: homem ganha-pão, mulher mãe/dona-de-casa, e já se pode ponderar se os relacionamentos, com as exigências que pressupõem, valem a pena. Os jogos de sedução iniciais, as cedências, os almoços com a família dela, os aniversários para recordar, os raspanetes pelas tarefas por cumprir, as exigências permanentes do romantismo, tudo isso desaparece num ápice e fica apenas a agenda telefónica.

 

Haverá quem diga que o que fica, nessas condições, é a solidão, o vazio pela ausência de laços afectivos sólidos com outro ser humano, mas também isso corresponde a um modelo de vida de que nem todos partilham. Este homem de que vos falava no início não se manifestava contra as mulheres, não proferiu nenhuma crítica, nenhum queixume. Tendo experimentado as alegrias e as amarguras do relacionamento conjugal, chegou à conclusão de que estava melhor sem ele.

 

Dizia Waits nessa canção: “sou egoísta no que respeita à minha privacidade, mas enquanto puder estar comigo damo-nos tão bem que eu nem acredito”.

Desculpem tanto tempo às voltas com este tema, mas confesso que, tal como imagino que deva acontecer com outras mulheres, a ideia de que eles possam e queiram viver sem nós parece-me estranhíssima.

 

Mas, tal como aceito que possa existir um clube de fãs do Fernando Rocha, ou vida fora do planeta Terra, também tenho de abrir espaço nas minhas crenças pessoais para essa possibilidade fantástica. A de que haja, entre o género masculino, quem esteja convencido de que não precisa das mulheres.

 

O casamento homossexual

O Aventador Prof. Dr. Raúl Iturra junta história e argumentos para defender o casamento homossexual.

 

Como comentário a esse texto o nosso leitor  Felício J, defende que a procriação em si mesma é factor distintivo e suficiente para manter o casamento restrito a duas pessoas de sexo diferente.

 

Conseguida a "união de facto" que assegura, em termos jurídicos, todos os previlégios face aos direitos de propriedade, não se percebe porque querem os homossexuais casarem. Afastando a brincadeira óbvia, que assim ficam mais perto do divórcio, não vejo razões suficientemente fortes para reduzir o significado da instituição casamento.

 

O casamento tal qual o conhecemos é um dos pilares da sociedade, e não se esgotando na procriação, é na procriação que encontra a sua razão de ser mais nobre.

 

E não posso deixar de me interrogar o que levará aqueles e aquelas que mais lutaram contra o casamento o quererem agora para si e para os seus.

 

A ideia é mesmo tirar-lhe o significado social e familiar que ainda carrega?

Uma esposa na volta do correio

“Histórias Verdadeiras de Noivas por Correspondência na Fronteira” (“Hearts West: True Stores of Mail-Order Brides on the Frontier”) é o título de um livro lançado em 2005, nos Estados  Unidos, da autoria de Chris Enss. Não o li, nem sequer estive com ele nas mãos, mas descobri-o por acaso na internet e fiquei com vontade de encomendá-lo.  Acontece que estou numa cura de desintoxicação da compra compulsiva de livros, pelo que terei de limitar-me a imaginá-lo. A resenha que li interessou-me: histórias reais de casamentos acordados por correspondência no velho Oeste americano. E, ao que parece, há lá de tudo: casamentos felizes que duraram décadas e desilusões que levaram a moça a regressar ao fim de uma hora com o seu prometido. Imaginem-se, caros leitores masculinos, algures no selvagem Oeste, garimpeiros sujos e solitários, à espera do golpe de sorte que vos vai fazer descobrir o Eldorado. Quando regressam para o vosso pardieiro, já noite escura, encontram quatro paredes frias e manchadas pelo fumo do tabaco, uma caçarola suja, ainda com a crosta da refeição anterior, uma cama gelada na qual nem as ceroulas de lã vos impedirão de tiritar.  E para quê tanto esforço árduo se, ainda que venham a fazer fortuna, não terão com quem partilhá-la? Que fariam, amigos leitores, num cenário destes?

Sentavam-se à luz de um coto de vela e garatujavam um anúncio. “Mineiro solitário e honesto, com boas perspectivas, procura esposa para partilhar fortuna”. E depois era esperar pelas respostas e concertar os encontros que poderiam mudar a vossa vida para sempre. E com a chegada das noivas por correspondência, as cidades enlameadas do Oeste começaram, pouco a pouco, a mudar. Para além dos bares e dos bordéis que já existiam (ninguém disse que não havia mulheres por lá, apenas faltavam “esposas”), construíram-se casas familiares, escolas, teatros, bibliotecas, lojas, igrejas. A civilização, tal como a conhecemos. Para a maioria, o El Dorado nunca apareceu mas a vida dos garimpeiros adoçou-se bastante. Tal método de casamento parece irracional à luz dos nossos valores actuais? Desumano? Um acordo comercial despojado de romantismo? Meus amigos, se dizem isso é porque não assistiram a um divórcio feio. Aposto que nenhum dos casamentos feitos naquelas circunstâncias e que tenha acabado mal teve um final tão feio como os casamentos em que a paixão deu lugar ao ódio. Aqueles em que as pessoas sabem demasiado bem o que fazer e dizer para magoar o outro e não se inibem de fazê-lo até à saciedade. Leio regularmente e com o maior dos interesses a secção dos classificados de jornal normalmente designada como “Outros” e na qual cabem coisas tão díspares como a venda de uma autogrua de lança telescópica ou o anúncio do homem de ciência que procura um sócio capitalista para desenvolver uma tecnologia de leitura das auras que permitirá saber o que aconteceu naquela fatídica noite na Praia da Luz e para onde foi parar a caixa negra do avião da Air France (isto é autêntico, foi publicado no JN há umas duas semanas). É nessas páginas que normalmente se publicam os anúncios que levam por título “Cavalheiro”, e nos quais os ditos cavalheiros, habitualmente maiores de 60 anos e quase invariavelmente “com situação económica estável” procuram senhoras de idade semelhante, sem vícios nem compromissos, para relação séria. São os nossos garimpeiros de hoje, estes a quem talvez as paixões já tenham oferecido uns quantos fracassos amorosos, e que se  resignaram a confiar no acaso,  e a esperar a esposa que lhes toque na rifa e venha, com mão suave e decidida, bater-lhes à porta de solitários empedernidos.